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sexta-feira, 30 de março de 2012

4 anos de Bigotron


No último dia 03 de março o Bigotron completou 4 anos de vida. Como diria o grande filósofo Confúcio: "Grandes merdas".

Eu gostaria de ter comemorado nosso 4º aniversário com o lançamento do meu livro, mas como sou uma mula incompetente, o livro só deve sair em meados de maio. Se você for um dos desocupados que espera loucamente por esse livro, tenha um pouquinho mais de paciência.

Blogueiro é uma raça em extinção, a audiência daqui é cada vez menor (ela caiu de 6 para 5 leitores diários), não ganho um centavo com essa porcaria, mas, apesar de tudo, ainda me divirto escrevendo por aqui. Será que eu tenho algum problema? Não responda, por favor...

Vale lembrar também que a moral do Bigotron anda bem baixa. O Sr. arghlemonster sumiu sem deixar qualquer vestígio e o Mustache Rider, que fez um tremendo auê com seu retorno , já deve ter desistido de postar coisas novas. Até a Catarina Guerra, minha tarada amiga que escreveu apenas um único post, teve a cara de pau de abrir um novo blog só para postar tudo aquilo que caberia perfeitamente aqui:

http://biscatepride.blogspot.com.br

Como era de se esperar, o blog é sobre putaria (e da boa). Nesse momento a ninfomaníaca está em Floripa passando o rodo por lá. Leiam e divirtam-se.

E que a gente esteja por aqui para comemorar mais uns 30 aniversários...

terça-feira, 22 de março de 2011

TMS - Tráfico Management System (final)




Texto de Mustache Rider


- Caralho, onde eu estou?

A última coisa que eu lembrava era de ter voltado do buteco e ter tomado uma pancada na cabeça. Acordei não sei que tempo depois, mas estava em um quartinho úmido e escuro, sem móveis e com um cheiro de urina e merda insuportável. Coloquei a mão na nuca e ainda sangrava um pouco.

Levantei e bati à porta, queria saber que porra tinha acontecido. A porta é aberta e entra um sujeito com cara de psicopata e cheio de tatuagens.

- Fala aí mano, firrrrmeza? Eu sou o Caçapa.
- Prazer...
- O lance é o seguinte, fiquei sabendo que você fez um sisteminha aí pro Cebola. É sério isso?
- Ehhh, sim, é verdade.
- Só, mano. Porra, o cara começou a vender mais, o lucro aumentou. Porra, isso começou a fuder com meu negócio. Mas a gente tem uma forma de resolver isso.


Pelo que entendi o cara era de uma facção rival e estava puto porque a expansão dos negócios do Cebola estava atrapalhando as vendas dele. Quando ele disse que iria resolver isso, puxou um puta trabucão e olhou pra minha cara, sorrindo. Pensei na hora: "Agora sim, fudeu!".

- Tu vai ter que fazer um sisteminha desses pra mim, se não vai sentir a força do meu amigo aqui bem socado no seu cu, filho da puta.

Já que eu iria morrer de qualquer jeito, resolvi pelo menos morrer como macho. Então retruquei:

- Porra, Caçapa. Filho da puta o caralho, seu viado escroto, seu palhaço de merda. Vai se fuder, porra! Se eu for fazer essa buceta de sistema pra você vai ser do meu jeito. E se achar ruim, pode me matar logo e aproveita e vai tomar no cu você e essa sua ganguezinha de merda.

Dito isso, já comecei a me despedir dessa vida, pois era certo que o cara ia estressar e me dar um pipoco no meio da testa.

- Caralho muleque, tu tem atitude, gosto disso. Beleza então, mano. Mas aí, vamos fazer o sistema ou não? E vai ser pago. Quanto foi que o Cebola te pagou?

- Porra, cara, ele me pagou pouco, uns 80 mil só (já menti o valor para lucrar mais na parada).

- E você ainda tem o sistema?

- Tenho sim, mas tá lá em casa no meu notebook.

- Beleza então, pegamos ele também. Vamos fazer assim, quero o sistema do jeito que tá só que com umas pequenas coisas a mais e te pago 100 mil, tá a fim?

- Porra, 100 mil? Que miséria, mas beleza, tá valendo. Só tem um lance, quando o Cebola descobrir, ele vai matar eu e minha mulher, quero segurança para mim e ela bem longe de sampa. Dá uma grana pra ela e diz que eu encontro ela depois.

- Já é.

Peguei meu note, pedi uma pizza pros caras e já comecei a mudar o sistema para ficar com o design que o Caçapa queria. Isso foi fácil, demorou só algumas horas. Mostrei para ele e pros capangas dele e os caras adoraram. Então o Caçapa veio falar comigo.

- Seguinte mano, tem uns lances que eu queria a mais aí.

- Diga.

- Porra, seria do caralho ter o sistema ligado a umas web cams no morro junto com umas armas também. Daí de longe eu veria se quem tá subindo é sangue bom ou é filho da puta, daí eu apertaria um botão e já mandaria bala no cara! Tipo, pelo sistema mesmo eu poderia fazer com que as armas disparassem, tá ligado?

- Só, acho que rola sim.

- Da hora. Outra coisa: queria outras web cams também para mostrar como tá os bailes aqui da comunidade. Daí o sistema poderia dizer que mina tá querendo dar pra mim, se ela gosta de levar pica no cu, se curte uma putaria da pesada ou se é mais recatada, esses lances.

- Putz, isso vai ser foda, mas vou ver o que dá para fazer.

- Queria também que tivesse um esquema de avisar os caras dos butecos que eu vou tomar umas cervas a uma certa hora e os caras já antes deixam a minha cerva gelando e tal. Se der para o sistema dizer qual buteco tem a cerva mais gelada naquela hora, porra, aí seria massa.

- Tranquilo, só vou precisar de uns sensores, mas daí te passo a lista e você compra.

- Aí, galera, alguém aí tem mais uma idéia?

- Porra, Caçapa, podia rolar um jeito de testar o pó, ver a qualidade, essas coisas.

- Boa, inclui isso aí também.

- Tranquilo, esse aí vai ser fácil - pensei: "Caralho, como vou fazer isso?" - Algo mais?

- Humm, ah tem sim. - Falando isso o Caçapa se empolgou - Porra, uma coisa que me deixa puto é que sempre quando tá a galera junto tem um filho da puta fedorento que fica peidando direto. Puta que pariu, acho que o cara come feijoada com ovo de codorna e batata doce. Fede pra caralho o peido do viado.

- Mas e daí?

- Porra, e daí que eu queria que o sistema desse um jeito de indentificar quem é o malandro, porque sabe como é, peido e filho de puta ninguém assume.

- Ok, eu vou fazendo conforme vocês forem pedindo. É só isso?

- Acho que sim. Então fica assim, manda bala aí que a gente vai mandar bala lá fora.

Bom, atender pedidos esquisitos de clientes idiotas é o dia-a-dia de qualquer programador, mas aquilo ali havia passado dos limites. No entanto eu teria que dar um jeito de deixar tudo conforme os traficantes queriam.

Já no outro dia cedo chegaram todos os equipamentos que eu pedi: sensores, web cams, fios, roteadores, servidores, wireless access points, armas e o caralho a quatro. Comecei então a pensar em como resolveria cada um dos pedidos.

O primeiro foi o mais fácil: instalar web cams no morro e armas com sensores disparadas à distância. Fiz uma tela onde o cara poderia ver ao mesmo tempo 9 web cams, sendo as imagens alternadas, pois no total eram cerca de 30. Ao lado de cada web cam seriam instaladas duas AK-47 sendo que ao gatilho seria preso um fio e este por sua vez estaria preso ao cartucho de uma impressora. Daí ao apertar o botão para atirar, o sistema tiraria uma foto da imagem caputarada pela web cam e mandaria para a impressora, acessada por uma rede sem fio. O cartucho da impressora iria se mover, acionaria o gatilho e daí seria bala no azarado que estivesse no local. O legal é que teria até uma foto do elemento para guardar para a posteridade.

O mais fácil foi instalar as câmeras nos bailes e indentificar que mulheres estavam a fim de dar para o Caçapa. O esquema seria o seguinte: o Caçapa teria uma tela com a imagem do baile, bastaria ele clicar o mouse sobre a mina que o sistema traria algumas informações: quer dar para o Caçapa, gosta de sexo anal, curte putaria e sexo selvagem. Esse item foi fácil resolver porque toda mulher que vai a baile funk curte putaria e, por conseqüência, liberar o olho de Thundera. Já dar ou não para o Caçapa, sem dúvida, o cara era o maior traficante do local, todas as minas dariam para ele, seja por medo ou por vontade mesmo.

Para descobrir que buteco tinha a cerveja mais gelada, eu instalei sensores nos congeladores de cada buteco que mediam a temperatura e mandavam isso para o sistema. Bem fácil. Tranquilo também foi saber quem é o fedorento da quadrilha. Como os caras acreditavam que o sistema iria mesmo detectar isso, programei a camera para registrar cada vez que alguém olhasse para ela (existem softwares que fazem isso: baseado na íris da pessoa sabe-se que alguém olhou para a câmera). O culpado seria quem mais olhou para a câmera, pois o cara estaria com tanto medo do sistema detectá-lo que olharia direto para a web cam tentando perceber se foi descoberto ou não.

Poucos dias depois, numa conversa descontraída em um buteco com o Caçapa e seu bando, o elemento me faz uma pergunta:

- Aí cara, como é mesmo que vocês chamam o computador?

- Computador, ué!

- Não porra, tem outro jeito, um nome engraçado. Tipo umas letrinhas.

- Ah tá, é PC.

- Isso. Então, pensei em mudar o nome da nossa organização, lembrando que somos a mais moderna do mundo. Daí pensei em chamarmos Caçapa e seus PCs .

- Não porra, isso parece nome de bandinha dos anos 80 - Disse um dos traficantes.

- Aí, que tal PC do Caçapa - Sugeriu outro traficante, um baixinho com cara de traveco.

- Porra, maneiro, rola até uma sigla: PCC. Gostei, vai ser isso mesmo.

Passaram-se alguns dias, o sistema estava em uso e agradando todo mundo. Haviam descoberto e despachado o traficante fedido (era o baixinho com cara de traveco), a inadimplência caiu drasticamente, o Caçapa comia de 2 a 3 minas diferentes por dia, rolando até uns bacanais de vez em quando, as vendas subiram, a cerveja estava mais gelada. Enfim, tudo na maior paz e tranquilidade. Eu fui até promovido a CIO (Chief Information Officer) do PCC e recebia um ótimo salário por isso.

Foi então que a merda aconteceu. A galera do Cebola descobriu sobre as inovações tecnológicas do PCC e sacou que os caras haviam me sequestrado. Resolveram então invadir a área do Caçapa e me resgatar. A confusão foi enorme, bala voado para todo lado e foi nessa que aproveitei para fugir de lá, sem que ninguém percebesse. No final até soube que os dois, o Caçapa e o Cebola, morreram na treta.

A galera dos presídios ficou sabendo da invasão e rolou uma guerra entre as facções dentro das cadeias. Para não ser achado, me mudei de Sampa para o interior do estado e adotei um nome falso: Mustache Rider. Encontrei minha esposa em um local que combinamos que ela iria se desse algo errado e agora vivo minha vida tranquila e feliz, graças ao dinheiro que ganhei nesse tempo e aos investimentos que fiz.

Claro que essa grana um dia acabou, mas hoje me sustento graças à participação nos lucros da Buldozer Corp. e a alguns outros serviços e consultorias que presto a outras "organizações alternativas". Quando fugi do Caçapa, consegui trazer junto meu notebook, traduzi o sistema para o russo e árabe, criei versões do TMS para auxiliar na gestão dos negócios de alguns grupos internacionais que atuam no "mercado de risco".

M.R

sexta-feira, 18 de março de 2011

TMS -Tráfico Management System (parte 1)




(Para fechar as comemorações do nosso aniversário de 3 anos, mais um post do fundo do báu do Buldozer, só que agora escrito pelo Mustache Rider. Essa ótima história semi-verídica deu o que falar na época. Espero que um dia o Mustache volte a dar as caras por aqui...)


Texto de Mustache Rider


Sempre achei que essa história de escrever para o Buldozer e viver fazendo piada das coisas algum dia ia dar uma merda. O pior é que eu estava certo e a merda foi grande. Mas vamos começar com a história...

Anos atrás em morava em Brasília mas decidi me mudar pois o mercado de trabalho lá estava uma porcaria na minha área. Para quem não sabe, eu sou programador e existem poucas empresas no setor no DF. Resolvi então ir para a terra das oportunidades: São Paulo.

No começo eu não tinha grana nenhuma, então fui morar meio que na periferia, em um bairro perto do Capão Redondo, um lugar bem barra pesada aqui em sampa. Meio que para sobreviver, acabei conhecendo uns figuras de lá. Não tinha jeito de não falar com os caras, via eles no ponto de ônibus, na padaria, no buteco, em todo lugar. E aqui é assim: se você não é amigo deles, é um inimigo, aí já viu...

Eu sempre fui muito de fazer piada com as coisas. Uma que sempre fazia era que algum dia ia fazer um sistema para os traficantes controlarem o tráfico, as bocas de fumo, etc. Vivia zoando com isso e imaginando como seria o sistema. A merda foi que essa história se espalhou e um dia veio um cara falar comigo.

- Fala mano, firmeza?
- Opa, tudo bem?
- Deixa eu me apresentar. Meu nome é Cebola.
- Cebola? Beleza, muito prazer.
- Pô, não vai querer saber porque me chamam de Cebola?
- Ehh, claro, porque te chamam de Cebola?
- Porque faço todo mundo chorar, hahahahahahahaha!

Eu pensei: "caralho, fudeu". Cebola continua a conversa:

- O lance é o seguinte, fiquei sabendo que tu faz uns lance aqui de computador. Da hora isso aí.
- Ah, valeu.
- O esquema é que eu tô precisando mesmo controlar os esquemas por aqui. Tipo quanto tem de pó, quanto paguei no pó de 10, 20, 50, quem tá me devendo, o nome dos neguinhos que a gente tem que dar um silêncio. Tá ligado?
- Só. Tô entendendo.
- Daí queria ver contigo quanto você tá cobrando pra fazer esses lances aí. Hoje é foda, controlo tudo no caderninho, trampo pra caralho.
- Beleza, vou pensar e eu te falo.
- Valeu, mano. Amanhã eu passo aí.

Obviamente pensei em não aceitar. Nunca iria fazer sistema para traficante, mas aí pensei que o cara podia pegar mal, me marcar e daí a casa iria cair pro meu lado. Então pensei em uma saída melhor para todos: vou cobrar um preço absurdo e o cara não vai querer fazer. Melhor assim, ninguém sai ferido. Chegou o outro dia e o cara apareceu de noite lá em casa:

- Fala, mano. Beleza?
- E aí Cebola, firmeza?
- Sóóó. Seguinte: pensou naquele nosso lance?
- Claro. Seguinte: o sistema todo dá pra fazer em uns 2 meses.
- E quanto fica tudo?
- Ah, tudo fica uns 50 mil.
- 50 mil! Porra! Beleza, amanhã já deixo uns 10% com você aqui adiantado.

"Porra, fudeu!", foi o que pensei na hora. O cara topou e eu ia ter que fazer! Nem adiantava fugir, ele ia me achar onde quer que eu fosse. O lance era fazer o projeto mesmo e aproveitar a grana. E o pior, eu nem sabia se em dois meses daria mesmo para fazer o bagulho (sem trocadilhos) todo.

Bom, já que eu não teria saída, então o lance seria fazer uma aplicação de qualidade que atendesse totalmente as necessidades do meu cliente. Normalmente a gente idealiza umas soluções bem legais, mas o cliente não tem grana para bancar tudo. Dinheiro não seria problema para eles, então resolvi inovar não só na aplicação mas também na solução de acesso e hardware.

Fiz um diagrama, imprimi e mandei chamar o Cebola para explicar o que eu tinha em mente. Chegaram o Cebola e alguns outros caras, a quem depois fui apresentado: Arroz (um negão de quase 2 metros de altura), Dedo (diminutivo de Dedo Nervoso) e Luizinho do Pó. Comecei então a apresentação:

- Então galera, todo mundo sabe que o mercado de drogas é algo bem dinâmico. A "equipe de vendas" por exemplo tem bastante mobilidade, então imaginei que cada um dos caras da boca poderiam usar um Smart Phone onde poderia acessar o sistema.

- Ismarti o que? Que porra é essa? - Perguntou o Luizinho.

- Smart Phone. É tipo um celular, só que tem umas frescuras a mais, tipo parece um computador também.

- Ah só, deve parecer com o meu Palm! - Disse o Dedo enquanto tirava do bolso um Palm-Top de última geração.

- Isso, é tipo um lance assim.

- Não interrompe o cara, porra. Vai lá mano, continua com sua idéia - Gritou o Cebola.

- Beleza. Então, daí a galera pode andar pelo morro inteiro e continuar acessando o sistema. Para o bagulho todo funcionar, vai rolar um certo investimento. Tipo, pensei em montar uma salinha com alguns servidores e disponibilizar o programa para o morro todo montando uma rede sem fio. Tá ligado?

- Firmeza! Tô me amarrando, continua.

- Então, daí você poderia ficar no seu barraco lá, com seu notebook na boa acompanhando o movimento. Além disso, através de um celular com acesso à Internet, a galera lá do presídio pode acompanhar tudo também. Olha só, fiz um diagrama para explicar o que eu pensei.



- Porra cara, que doido! Vamos fazer sim. Caralho, nego das outras bocas vão dizer: "aí, sabe o Cebola? Porra, aquele é um cara de vanguarda mesmo".

- Cebola, não quero ser chato não mas, como é que a gente vai colocar Internet aqui no morro para os caras de fora entrarem no esquema? - Interrompeu de novo o Dedo.

- Ah, já pensei nisso. Vocês podem usar alguma empresa aqui perto como fachada. Aposto que o pessoal da comunidade vai querer colaborar.

- Ok, mas e como será a segurança? - De novo o Dedo.

- Não se preocupe, vai rolar uns esquemas sinistros, tipo Firewall, essas paradas todas.

Então os caras começaram a rir, sem parar. Não entendi nada de começo, até que o Cebola falou:

- Hahaha, Firewall. Porra, Firewall é o nome de um chegado nosso aqui do morro.

- Firewall? Porque esse nome?

- Ah, é porque se nego tentar entrar aqui sem autorização, ele bloqueia e mete bala. Hahahaha!

- Só (caralho, onde fui me meter!). E aí, curtiram a parada?

- Beleza, só mais uma coisa: nesses computadores aí eu quero todos os programas originais, beleza? Tenho medo pra caralho de ser preso por pirataria.

- Ok, combinado.

Expliquei depois para eles o que eu imaginaria sobre a aplicação em si. Teria primeiro uma parte de cadastro básica com fornecedores, traficantes, armas, tipos de drogas vendidas, policiais (com a opção de dizer se o cara é aliado ou inimigo).

Teria também uma parte de estoque, com quanto de cada droga foi vendida, quanto está prometido chegar, quanto tem guardado, etc. Aliado ao estoque terá o módulo de vendas, com um recurso adicional de controle de inadimplentes. Se o cara não pagar, receberá automaticamente um e-mail cobrando gentilmente que acerte sua dívida. Após o terceiro e-mail, o pessoal da equipe de cobrança será acionado para dar baixa no cliente caloteiro.

No módulo financeiro, além de controlar o custo da droga, vai ter uma parte especial de folha de pagamento, incluindo as propinas pagas aos policiais corruptos, políticos, etc. Aliado a isso o sistema terá vários relatórios e gráficos que ajudarão na administração do negócio.

Por fim, pensei em fazer uma parte aberta aos jovens da região, com jogos, videos e dicas para ajudar a formar novos talentos e manter a equipe operacional sempre em crescimento.

Acertado tudo, recebi meus 10% adiantado e comecei a mandar bala (sem trocadilhos) no projeto. Comecei também a providenciar a compra dos equipamentos da infra-estrutura, tudo financiado pelo Cebola, claro.

Continua...

quarta-feira, 16 de março de 2011

Manual Bigotron : Como ser um PEDRA - parte final (versão 2.0)

13) PEDRA ODEIA FAZER A BARBA

























Todo pedra odeia fazer a barba. Fato. Por isso, é costume de todo pedra deixar algum tipo de pelugem no rosto para não ficar com aquela "frescura" de se barbear todo dia. Existem várias opções: bigodão (o preferido entre 90% dos pedras), cavanhaque, costeleta, barba cheia, barba rala e até a mistura de dois tipos de barba (como bigodão + barba rala). Pedra só faz a barba quando está de muito bom humor ou quando já arrancou metade da pele do rosto da namorada com sua cara de lixa. Se você quiser saber se um pedra acabou de fazer a barba, é so reparar se o rosto do brucutu está cheio de cortes e com sinais de irritação por todo lado. Isso se explica pelo fato do pedra sempre fazer a barba com pressa e usar alguma espuma improvisada, como a do sabonete (usar espuma de barbear é "viadagem"). Se a barba for feita com um barbeador descartável BIC já reutilizado dezenas de vezes, melhor ainda. Mas não pense que o pedra não tem dinheiro para comprar um tubo de espuma de barbear ou um barbeador novo. Está no DNA do pedra improvisar com o que estiver por perto, como já foi bem explicado nos tópicos anteriores.


14) PEDRA NÃO TEM PALADAR























A comida do pedra se resume a quatro elementos básicos: arroz, feijão, farofa e carne. De preferência muita carne (de qualquer tipo ou origem). Todo pedra acha que o seu prato é um exemplo típico de comida de "macho" e qualquer outro prato que fuja do seu padrão é coisa de "viado". É muito raro um pedra comer uma salada ou alguma verdura, pois qualquer tipo de verdura é "mato" e pedra ODEIA mato (releia o tópico 5). Tenha o cuidado de nunca oferecer para um pedra um prato que tenho um nome muito complicado, como "strogonoff" ou "yakissoba". É possível que o pedra pense que você está de gozação com ele e que você está enrolando muito a língua "pra falar uns nome besta, rapá!". Portanto, evite uma surra desnecessária e sempre ofereça o prato pedra padrão. Pelo menos sai barato.


15) PEDRA ADORA CARRO GRANDE
























Um pedra de verdade detesta carros pequenos. Um carro para um pedra tem que ser bastante espaçoso para ele levar os "bróder" nos agitos, comer a mulherada sem precisar pagar um motel e carregar qualquer porcaria no porta-malas, incluindo cadáveres e os amigos bêbados. Não interessa se o carro é difícil de manobrar, se gasta muita gasolina ou se está caindo aos pedaços. O que importa é o tamanho da caranga. Os carros preferidos dos pedras são: Opalão (o favorito), Ômega, D20 (com cabine dupla, de preferência), Caravan, Del Rey e Landau.

Mas atenção: nem todo dono de carro grande é um pedra! Para você conseguir identificar com segurança se o motorista é um pedra, observe se o carro está cheio de acessórios toscos ou adesivos com mensagens edificantes do tipo "Xoxoteiro", "Sua mulher me ama" ou a clássica "Ate cubanos" (leia essa última ao contrário). Adesivos que simulam buracos de bala na lataria também são um sinal inequívoco de pedra ao volante. Além do tamanho do carro, outro fator que identifica um motorista pedra é o seu equipamento de som, o que nos leva ao próximo tópico...


16) PEDRA ADORA CARRO COM SOM POTENTE























O equipamento de som do carro de um pedra é a coisa de que ele tem mais orgulho no veículo. É tanto orgulho com a aparelhagem que não é raro encontrar um pedra que tenha um equipamento de som que custe mais que o valor do próprio veículo. Se um pedra tem um Opalão 76 que vale uns R$ 3.000, o som vale no mínimo R$ 8.000. Foda-se se o carro está com os pneus carecas, se a porta só abre por fora ou se um dos faróis está queimado. O que interessa é que o sonzão do carro seja "arrombado" e ensurdeça qualquer um que esteja em um raio de 5 km.

Pedras que têm carros com sons potentes costumam se encontrar em locais de pedra (como postos de gasolina e butecos de esquina) para tirar uma onda com o equipamento. É aquela famosa cena: os pedras ligam o som no volume máximo, abrem as portas e o porta-malas da caranga e ficam encostados de braços cruzados com aquela cara de "Qualé?". O curioso é quando vários pedras fazem isso em um mesmo local e cada um tenta mostrar que o seu som é o mais poderoso do pedaço. Aí já viu: vira aquela poluição sonora de hip-hop, Calypso, funk, sertanejo, pagode, axé e qualquer outra porcaria musical que faça sucesso. Não é difícil também que essa disputa musical acabe terminando em pancadaria e tiroteiro (nunca se esqueça do tópico 10).


17) PEDRA AMA O SBT































Até pouco tempo atrás, Sílvio Santos possuía dois carros velhos: um Camaro 1975 e um Lincoln Continental 1993. Esse último é bastante conhecido por ter uma capota verde e um toca-fitas, no qual ele escuta invariavelmente fitas k7 do Julio Iglesias. Agora convenhamos: um empresário milionário que possui dois carros desse tipo (e com toca-fitas!) só pode ser um PEDRA de marca maior. E o que podemos esperar quando uma pessoa dessas decide abrir um canal de TV? Sim, isso mesmo: um canal de PEDRAS voltado para PEDRAS.

Tudo no SBT é toscamente voltado para o público pedra: as vinhetas, os programas de auditório com cenários brilhosos, humorísticos boçais como a "Praça é Nossa"e os filmes escolhidos a dedo, sempre enlatados policiais ou de ação, que passam em programas de títulos pomposos como "Cine Belas Artes" ou "Cinema em casa".

Uma vez Sílvio Santos foi questionado porque o SBT havia decidido produzir novelas em outros países da América Latina. A resposta dele foi uma verdadeira pedrada:
"Aqui um capítulo me custa US$ 30.000,00, lá fora custa US$ 10.000,00. Se esses diretorezinhos querem fazer novela cheia de frescura pra ganhar prêmio em festival, não vai ser com meu dinheiro!"
Outra pedreira à parte é o "Carnê do Baú", "Telesena" e congêneres. Fazem o cara comprar o título de capitalização mais mal-remunerado do mercado, distribuem meia dúzia de prêmios com chance de ganhar menor que a da Mega-sena, e ainda obrigam a pessoa a gastar o dinheiro capitalizado nas tais "Lojas do Baú", onde tudo é o dobro do preço! E os pedras caem! Ou melhor, rolam. Sem dúvida, os cenários com purpurina, os títulos de filmes e séries traduzidos toscamente - sempre com nomes do tipo "As aventuras de...", "Deu a louca no/em...", "...do barulho", "...da pesada", "...mortal", "...fatal" - fazem do SBT a emissora preferida dos pedras, um verdadeiro asteróide em rota de colisão da cultura brasileira.


18) PEDRA AMA TUDO O QUE É DE GRAÇA

Se algum desequilibrado resolver comprar umas cem seringas descartáveis, misturar água com óleo de motor queimado num tonel enferrujado e pôr na porta da garagem uma placa "injeção de água do Porto de Santos na testa GRÁTIS", pode ter certeza: vai pintar uma fila quilométrica de pedras na porta. Todos com blusa estampada aberta até o meio do peito, com um pobre pingente de alguma santa se afogando no suor acumulado em meio aos pêlos que o pedra faz questão de manter aparentes. Se brincar, algum deles vai tentar furar e fila e aí já viu: a porrada come feio (vide item 10) e se alguém passar a menos de três metros da encrenca leva uns sopapos para aprender a ficar esperto e não se meter na treta alheia. Aliás, falando em furar fila, tem uma outra característica marcante dessa galera...


19) PEDRA VIVE PELA LEI DE GÉRSON






















Pedra sente um prazer quase sexual quando depara com uma oportunidade de se dar bem às custas de algum otário (entenda-se aí por "otário" qualquer ser humano normal que dê um único segundo de bobeira). Se um caixa de loja exausto lhe dá um troco errado a mais, ele tem calafrios de prazer e embolsa a grana sem se preocupar se o cara vai conseguir fechar o caixa no fim do turno; se consegue passar uma garrafa de uísque importado no fundo do carrinho de mercado sem que o segurança perceba, tem orgamos múltiplos na cueca furada (mesmo que vá beber porcamente e nem sentir o gosto, vide item 8).

Por outro lado, esse espírito aproveitador faz com que o pedra se torne um dos alvos favoritos dos verdadeiros estelionatários, dos profissionais do crime mesmo. Um pedra é capaz de cair nas trapaças mais manjadas de todas, como os golpes do bilhete premiado e da máquina de fazer dinheiro, porque eles apelam justamente para o espírito de porco de quem quer ganhar dinheiro fácil. Agora, se você não sabe o que são golpes do "bilhete premiado" e o da "máquina de fazer dinheiro", não sou eu quem vai explicar. Deixe de ser pedra, pesquise e se informe para não pagar de pedra otário!


20) PEDRA NÃO TEM SENSO DE CONVENIÊNCIA




O verdadeiro pedra não perde nenhuma oportunidade de cantar uma mulher. Não escapa caixa de supermercado, vendedora de loja e até mesmo operadora de telemarketing, que têm obrigação de tratar o cara bem e não podem mandá-lo pentear macaco. "Porra, princesa, tu tem uma vozinha linda. A gente podia se conhecer, bater um papinho, tomar umas Schin e tals." Aliás, para pedra, mulher bonita não tem nome: é sempre "gatinha", "gostosa", e a preferida deles, "princesa", seja no buteco da esquina ou em ambiente de trabalho.

Na rua, então, nem se fale. Qualquer mulher minimamente bonita sabe que não dá para passar em branco perto de uma construção ou obra de qualquer tipo. É pouco quando rolam só os assovios, o normal são os comentários mais poéticos possíveis, gritados aos quatro ventos, de "que rabão, hein, minha filha?!!" para baixo. Motoristas profissionais em geral (de ônibus, caminhão e táxi, que por sinal são profissões tipicamente ocupadas por pedras), em especial, adoram "elogiar" as moças na rua quando passam perto com o carro ou param no sinal de trânsito. E não adianta tentar escapar pela tangente dizendo que é casada, ele sempre tem duas respostas na ponta da língua: "não sô ciumento, princesa", ou então "e daí? eu também", diz sorrindo, mostrando o dedo com uma aliança da grossura de uma porca de pneu de trator.


21) PEDRA IDOLATRA FUTEBOL




















Depois de churrasco e mulher pelada, nada mexe mais com o coração de um pedra do que futebol. Todo pedra tem:

  • O toque do celular com o hino de seu time.
  • Umas 10 camisetas (falsificadas) do time para andar na rua.
  • Todos os funks que homenageiam seu time (remixes incluídos).
  • Trocentas tranqueiras com o escudo de seu timão para tirar "aquela onda".

Pouco importa se o filho do amigo passou no vestibular para Medicina, se o irmão ganhou na Mega-Sena ou se a tia teve um AVC e está internada no hospital em estado grave. Nada disso comove um pedra. Mas se o seu time ganhou o campeonato ou algum jogo fuleiro, mesmo que seja contra o XV de Piracicaba ou o Íbis, isso é suficiente para o pedra rasgar a roupa e correr de cueca pela rua berrando "é campeãooooooooo!!!" até 5 da madrugada.

O pedra não se contenta em ver apenas os jogos de seu time. Um pedra assiste TODOS os jogos possíveis e imagináveis, até mesmo o Torneio Internacional da Liga da Etiópia. Além do prazer natural de assistir qualquer merda de jogo, o pedra faz isso apenas para saber TODOS os resultados das partidas, com o intuito de zoar os amigos no dia seguinte. "E aí, o Mengão tomou no cu ontem, hein? Hahaha!" ou "O Vascão tomou na tarraqueta! Aposto sua bunda que no próximo jogo ele leva de goleada." são comentários comuns para os pedras. É óbvio que é um pulo (ou um soco, para ser mais exato) para essa zoação terminar em pancadaria e facada na cara, como deixamos claro nos outros tópicos.


*BÔNUS: A MULHER PEDRA



As mulheres pedras são verdadeiras flores de cactos nesse mundo cada vez mais cimentado. Em tudo que se aplica elas seguem o estilão dos pedras, e molham as calcinhas ao entrar com ele no Opalão para ir ao pagode mais próximo, excitando-se com o cheiro de estofado molhado da caranga e do desodorante vencido do pedregulho humano. Se vestem como putas pra sair, fazem o maior barraco quando levam chifre, choram e gritam quando apanham do maridão bêbado, mas nunca se separam do pedra, porque gostam de um barraco e conhecem direitinho a peça com quem juntaram os trapos. São pessoas fundamentais em nossa sociedade e as grandes responsáveis pela reprodução dos pedras, pois adoram procriar e não se sentem realizadas enquanto não põem pelo menos mais uns seis pedrinhas no mundo.

quinta-feira, 10 de março de 2011

MANUAL BIGOTRON: Como ser um PEDRA - parte 1 (versão 2.0)



(Esse texto foi publicado no Buldozer há alguns anos e foi escrito por mim e pelo Corba. Apesar do sucesso que ele fez na época, eu sempre achei que o texto merecia alguns ajustes e acréscimos. Afinal de contas, falar de gente PEDRA é um assunto que rende um bocado, pois eles dominam por completo o mundo civilizado. Se você leu o texto na versão original, espero que aprecie esse upgrade)


Você gostaria de ser mais duro que um asteróide? Mais resistente que aço inox? Mais burro que um homem-bomba?

Caso tenha respondido SIM para a maioria dessas questões, você está preparado para se tornar um PEDRA de primeira linha. Não vai ser fácil, pois em geral ser um PEDRA tem muito mais a ver com o dom natural para a coisa e a criação apropriada desde a infância. Exige a força de um cavalo e a cabeça de uma mula. Por sorte, eles são muitos em nossa população para servir de exemplo e, além disso, você tem agora esse manual prático para aprender a viver esse modo de vida neandertal.

O PEDRA, basicamente, é um cara tosco e ignorante, que vive sua vida como uma verdadeira rocha. Há PEDRAS em todos os lugares do planeta e é uma condição que nada tem a ver com grana, e sim com estilo. Há milionários que são completamente PEDRA, como o apresentador Ratinho.

Vamos listar algumas das características principais dos PEDRAS, e quanto mais delas você já tiver em sua personalidade, mais fácil será incorporar o estilo de vida dos caras. Só não venha reclamar depois, pois é duro ser PEDRA e a prática da coisa exige muita dedicação. Aliás, falando em prática, esse é o gancho para listar a primeira característica dos PEDRAS:

1) PEDRA ODEIA AULA
















Pedra que é pedra não vai em aula nem faz curso de porra nenhuma. Aprende qualquer coisa, desde assentar tijolos até construir bombas atômicas, em duas etapas:

  • Etapa 1: olha outra pessoa fazendo.
  • Etapa 2: tenta fazer ele mesmo com base naquilo que viu e, no máximo, escuta algumas dicas que recolheu com outros pedras.

Não raro, a pessoa que ele assistiu fazendo “aprendeu” a tarefa da mesma forma. Dessa forma os pedras transmitem seu “saber” através das gerações, de pedrão para pedrinha, sem qualquer uso da escrita, mesmo em plena era da informação.


2) PEDRA ODEIA QUALQUER TIPO DE PROJETO OU PLANEJAMENTO

Pedra gosta de fazer as coisas com base em sua intuição. Da casa do cachorro até edifícios de apartamentos, ele não se sente bem seguindo projetos ou planejamentos, que em sua visão, tolhem sua liberdade de criar, pois ele já tem “de cabeça” tudo o que quer, do seu próprio jeito. Quando vai fazer sua casa, risca a “pranta” no chão e começa a cavar pra “fazê as fundação e levantá as parede”. Depois, quando fica uma merda, derruba a metade e gasta uma fortuna pra fazer tudo de novo, mas comemora ter economizado “um absurdo” com engenheiro e arquiteto. Quando muito, compra uma revista “100 Projetos” em banca de jornal, que tem um monte de “pranta pronta”. Com o orçamento familiar é a mesma coisa: ele recebe o salário e começa a gastar e “pagá os carnê”. Não usa calculadora e nem sabe o que é Excel. Se o dinheiro acaba antes do fim do mês - o mais comum – pede emprestado pra alguém, não paga depois, reclama que ganha pouco e bota a culpa no governo.


3) PEDRA ADORA GAMBIARRA


















Os pedras, após muito utilizarem os métodos do tópico 1, consideram-se detentores de todo o conhecimento do universo. Na hora de fazerem qualquer coisa, desde reparos na rede elétrica da casa até reconstruírem o motor de um carro, em geral possuem duas opções: fazer um reparo correto, com profissionais habilitados, como mecânicos e eletricistas, utilizando os materiais adequados; ou fazerem uma improvisação por conta própria, com materiais usados, peças roubadas e parafusos e fios velhos que estavam guardados no quartinho dos fundos. Pois bem, um pedra que mereça o título vai SEMPRE escolher a segunda opção, mesmo que dê mais trabalho, saia mais caro ou seja absolutamente óbvio que aquele reparo malfeito não vai durar uma semana. Na verdade, não se trata de simples economia: o “faça-você-mesmo” é um verdadeiro ponto de doutrina dos pedras, seguido com um fervor quase que religioso.


4) PEDRA ADORA CIMENTO





















Os últimos anos foram generosos com os pedras: o preço do cimento caiu pela metade, e assim eles puderam avançar em um de seus sonhos mais caros: impermeabilizar o mundo. Foi-se o tempo em que as famílias simples mantinham uma hortinha, bananeira ou galinheiro no quintal para dar uma turbinada na mesa da família. Hoje, a grande onda é cimentar tudo. Não interessa o tamanho do terreno que ele tenha, o pedra gasta o que for necessário para nivelar e cimentar tudo, deixando apenas uns buracos para implementar a medida decorrente do próximo tópico...


5) PEDRA ODEIA FLORA NATIVA




















Sucupira, pau-ferro, cajueiros, mogno, pequizeiro, baobá centenário, seja lá o que for, para o pedra toda e qualquer vegetal que estiver em um terreno que ele comprou – ou invadiu, o que é mais comum – só merece um nome: mato. E mato deve ser derrubado. O cara paga uma nota para um operador de trator – ou suborna um tratoreiro da prefeitura – para derrubar tudo e nivelar o terreno. Após cimentar, planta sempre as mesmas três árvores, a tríade pedra: jaca, mangueira e abacateiro. Não interessa quanto terreno tiver.

Certa vez, minha mãe comprou uma chácara de um pedra com dez mil metros quadrados. Haviam cinco abacateiros, mais de vinte mangueiras, e mais nada além de dois pequizeiros nativos que escaparam à sua fúria. Ela teve que plantar todo o resto, o cara tinha o terreno há mais de vinte anos e não tinha plantado qualquer outra coisa, e aposto que só não cimentou tudo porque a grana não deu.


6) PEDRA CHIFRA POR ESPORTE

























Mesmo que, por algum milagre, um pedra descole uma namorada ou esposa bonita, gostosinha, gente fina e boa de cama, o cara vai atrás de alguém para chifrar a mulher. E não pense que ele se dá ao trabalho de, pelo menos, procurar uma mulher mais bonita e cheirosinha: baranga, puta de rua, traveco, cavalo, bananeira...ele não deixa de lado qualquer possibilidade de sexo. Essa é a forma dele se sentir mais “homem”. Aliás, esse é o gancho para o próximo tópico...


7) PEDRA TREPA COM QUALQUER COISA E DE QUALQUER JEITO



Desde a primeira vez o pedra é ensinado pelo pai e pelos amigos a agir como se tivesse encontrado o pau no lixo. Sua iniciação sexual costuma ser com putas de beira de estrada, quando não com animais de fazenda das mais variadas espécies. Não raro, quando o pedrinha vai pra escola, faz gazeta (lembre-se, pedra odeia aula!) para fazer troca-troca com os amiguinhos atrás do muro do cemitério. Todas essas experiências geram adultos absolutamente sem critérios quanto à escolha de seus parceiros sexuais, classificando qualquer tipo de recusa de barangas ou ojeriza a cus masculinos de “frescura” e, pasmem, “viadagem”. “Tá escolhendo muito, mano!”, essa é a frase padrão dos pedras. Curiosamente, ao treparem com homens não se consideram gays. Se você tenta explicar que viado é um cara que faz sexo com outro homem, ele retruca e nega o título de forma inflexível: “Eu só como, mano. Viado é quem dá!”. Alguns não consideram um travesti como um homem, e sim uma mulher com pica, e mandam brasa se sentido os maiores machões do universo.


8) PEDRA BEBE O MÁXIMO QUE AGUENTA, SEMPRE

























...E mais um pouco, que é para “ficar no grau”. Não importa se está na festa bodas de ouro de seu avô e de sua avó, na formatura do filho ou no aniversário de dois anos do netinho. Não importa se estiver em uma recepção onde só servem vinho francês e uísque 18 anos. O pedra SEMPRE bebe como se estivesse bebendo cachaça no boteco da esquina: uma dose atrás da outra e com um gole só. Enche a lata sem parar até ficar bêbado, começar a falar merda, puxar briga com alguém ou dar em cima da mulher dos outros. E quando tem carro, faz sempre questão de ser ele a dirigir depois.


9) PEDRA ADORA COISA USADA





















Antes de ser uma imposição da falta de grana, pedra curte coisa usada por opção de vida, por visão de mundo. Se ele tiver mil reais para comprar uma TV, vai comprar uma usada que viu no jornal por novecentos e gastar os outros cem com feijoada e cerveja. Quando pifa um mês depois, o que ele faz? Isso mesmo, amigos: faz uma gambiarra para ver se volta a funcionar, mesmo que cada pessoa na tela vire duas e tudo o que for a zul passe a ser verde. Carro então é pior ainda: se ele tiver grana para comprar um Palio ou Celta zerados, ele vai preferir ir a uma dessas agências de veículos usados do mal e comprar uma Cherokee 95. Quando der defeito, já sabe: “foda-se essa merda de catalisador, tá fazendo barulho pra caralho e nem fudendo que vou pagar dois conto notro! Serra essa merda daí e solda um cano qualquer no lugar!”


10) PEDRA ADORA UMA BRIGA



























Todo pedra que se preze tem o pavio curto e sempre entra em uma briga na primeira oportunidade que aparece. Um pedra não precisa de motivo para entrar em uma briga, mas quando o motivo aparece (coisa rara), ele não precisa ser lá muito sério. Fez piada com o time dele? Deu o troco errado? Confundiu ele com outra pessoa? Achou o carro dele feio? Então você pode ter certeza que o pedra irá partir para cima de você com um ódio descomunal e só vai parar de te esmurrar quando o IML chegar no local ou algum demente tiver a coragem de apartar a briga.

Pedra também tem um invejável código de honra: ele sempre deve entrar em uma briga para defender um amigo. Se engana quem pensa que precisa ser um amigo muito próximo. Sendo um mero conhecido já basta, mesmo que seja o primo do cunhado do tio de um ex-vizinho da rua. Se o pedra ver um amigo brigando, com certeza ele irá defendê-lo. E se o oponente do amigo for nocauteado muito rápido, o pedra irá partir pra cima do amigo no mesmo instante, pois pedra que é pedra odeia briga que acabe rápido demais.


11) PEDRA ODEIA ROUPA TRANSADA


























Para um pedra usar uma roupa, pouco importa o modelo ou a cor dela. O que importa para um pedra é que ela possua algumas características básicas:
  •  Seja barata (ou de graça).
  •  Seja três números maior que o necessário.
  •  Tenha o máximo de zíperes, desenhos e escritos possível.
Se você quer dar uma roupa para um pedra e deixá-lo feliz, preste atenção nas características acima. Nunca, mas NUNCA mesmo pense em dar para um pedra uma roupa de marca ou de uma loja famosa, mesmo que seja uma loja popular como a C&A ou a Riachuelo. Se você der uma roupa de uma loja famosa, é possível que o pedra pense "Ele acha que minha mãe pariu viado?" e te arrebente a cara (releia o tópico 10). Procure sempre por roupas nas feiras da sua cidade e nos camelôs das ruas mais movimentadas para agradar um pedra. Outra dica: procure por aquelas camisetas que você ganha de brinde em postos de gasolina e lojas de material de construção. Essas camisetas são disputadas a tapa pelos pedras, pois "é de grátis, mano!", além de virem estampadas com propagandas de suas lojas preferidas. Camisetas distribuídas em campanhas políticas também são muito visadas pelos pedras.


12) PEDRA ADORA FILMES DE AÇÃO


Comando para Matar: Um clássico pedra




















Um bom filme para um pedra tem que ter muitas explosões, perseguições de carro, mulher gostosa e tiroteios intermináveis. Pouco importa se a história do filme não é original ou se o final do filme é mais previsível que piada da "Praça é Nossa". O que importa é que os diálogos não durem mais que cinco minutos e as cenas de ação aconteçam a todo instante. Filmes do Vin Diesel, Sylvester Stallone, Arnold Schwarzenegger e do The Rock ("rock", por coincidência, é "pedra" em português) costumam atrair uma verdadeira multidão de pedras. Na TV, os programas "Força Total" (Bandeirantes) e "Sessão da Dez" (SBT) eram um verdadeiro prato cheio para os pedras. Quem nunca viu "Hércules" na "Sessão das Dez", onde o herói arremessa um urso para fora da órbita da Terra depois de matá-lo na porrada?



Cara, essa cena é muito pedra!

***

Em breve a parte 2 deste sensacional manual.

domingo, 6 de março de 2011

3 anos de Bigotron


No última dia 03/03 o Bigotron completou 3 aninhos. Nem eu acreditaria que esse blog ia durar tanto! Tenho que concordar que não temos muito o que comemorar, pois não consegui ficar rico com o Google Adsense e o blog se arrasta com uma média de 1 post por mês. É, a vida é dura. Pelo menos no nosso aniversário eu tenho a desculpa de reprisar posts antigos e deixar isso aqui um pouco mais movimentado. A preguiça comanda!

Vou começar com as comemorações postando uma lista com os posts mais acessados de todos os tempos, de acordo com a ferramenta "posts populares" do Blogger:

1) 10 segredos de Reinaldo Bruto
2)A crente do rabo quente
parte 1 - parte 2- parte 3 - parte 4
3) Manual Bigotron - Como se chupar uma buceta 
4) Eu fui em um clube de swing...e foi um horror!
parte 1 - parte 2
5) Praia de nudismo em Floripa
6) Desmistificando a arte de comer um cu

Durante essa semana irei reprisar também alguns posts antigos do Buldozer em versão 2.0, além de outras surpresas. Aguardem e confiem.

segunda-feira, 30 de março de 2009

10 segredos de Reinaldo Bruto


(Com esse post eu fecho as comemorações do aniversário de 1 aninho do Bigotron. Esse post foi postado no Buldozer em 2005 e ele é uma prova cabal de que sou um blogueiro normal e perfeitamente equilibrado)



1) Quando eu era criança e assistia aquela série de TV do Hulk, eu costumava ficar de pau duro durante as cenas de transformação da criatura. Até hoje eu não sei se era por causa do close nas roupas se rasgando (isso deveria me lembrar strip-tease) ou se era porque eu ficava nervoso com a feiura do Hulk (aquele cabelo "Tina Turner" era medonho).

2) Quando eu era criança eu costumava visitar uma prima que sempre trocava de roupa na minha frente. Ela falava "Você é meu parente, né? Qual o problema de eu tirar a roupa na sua frente?". E eu sempre respondia "Nenhum problema, Carol! Pode tirar a roupa, eu não ligo...[pau crescendo]".

3) Quando eu tinha 5 anos de idade e andava de ônibus escolar, eu gostava de sentar ao lado de uma menina branquinha que tinha umas manias esquisitas. Uma dessas manias era comer papel. O mais esquisito é que eu comia papel junto com ela também e até hoje eu lembro que o mais fácil de engolir era o papel do saco de pão. Era só colocar na boca que o papel derretia. O pior era o papel Chamex, que tinha um gosto horrível e era duro de mastigar.

4) Quando eu era bem moleque eu adorava ver filme nacional só para ver a mulherada pelada. Nunca vou me esquecer da Débora Bloch em Bete Balanço (ô buceta cabeluda do inferno!) e da Sônia Braga em Eu te amo. No final desses filmes eu já estava com o pau dolorido.

5) Adoro comer leite em pó com colher.

6) Quando eu era um pirralhinho eu costumava morder e dar porrada se alguém enrolasse para descer no escorregador do parquinho.

7) Quando eu era criança eu adorava ser o chefe da brincadeira no recreio da escola. A graça de ser esse chefe era poder ditar as regras e decidir quem poderia entrar na brincadeira ou não. Até hoje eu não entendo qual era a graça disso, mas eu chegava a sair no tapa com quem disputasse o cargo de chefe comigo (será que isso é cisma de ariano?).

8) Quando eu tinha 8 anos de idade eu conheci o Corba (do Buldozer) na escola. Com certeza fomos as crianças mais punks e dementes da face deste planeta. A gente desenhava surubas regradas com drogas entre os professores, víamos desenhos eróticos japoneses (com o consentimento das nossas mães), líamos Playboy e escrevíamos os roteiros mais insanos para o teatrinho da escola. Lembro que uma vez a gente escreveu uma sátira do Xou da Xuxa, onde o apresentador seria um carrasco nazista em um campo de concentração cheio de criancinhas. A gente nem chegou a encenar porque ia dar uma trabalheira montar o cenário. Também tivemos a cara de pau de encenar a peça "O Rambo gay", que foi tosquíssima (ah, sim: eu fiz o Rambo).

9) Teve uma vez no primário que eu vi vários amiguinhos de turma chegarem na escola com capas de chuva. Ao vê-los com as capas eu tive uma idéia brilhante: sugeri para a turminha brincarmos de guerra de areia no parquinho e usarmos as capas de chuva como "campos de força". Resultado: quase deixei um moleque cego.

10) Queria ter um porquinho como animal de estimação.

sábado, 28 de março de 2009

Reinaldo Bruto , ditador do Brasil




(Post publicado originalmente no Buldozer em 2003. Fiz um upgrade no texto para postar aqui. Continua ruim, mas vai ficar assim mesmo. Fibra nessa porra!)

Eu tenho um sonho. Tenho o sonho de ver o Brasil como um país desenvolvido, possuindo uma tecnologia de ponta e dominando o mundo culturalmente. Tenho o sonho de ver o Brasil como um país de 1º mundo, exportando pão de queijo para os EUA, farofa pronta para a Alemanha e tênis Kichute para o Japão. Mas, para que esse sonho se torne real, só existe uma maneira: eu como ditador do Brasil! "Mas por quê ditador?", alguns podem estar se perguntando. Bem, a explicação é bem simples: não quero gastar vários anos da minha vida me filiando em partidos idiotas nem perder tempo ganhando nome em cargos políticos cretinos, como vereador e prefeito. Quero ser logo o presidente, e fim de papo! E foda-se essa merda de democracia e voto obrigatório.

Mas vamos aos meus principais planos de governo como ditador:


1) Eliminação de meus desafetos

Esse seria o meu 1º plano de governo. Eu mandaria capturar todas as pessoas que me encheram o saco ao longo desses anos. Nesse grupo entram as pessoas que tiraram onda com a minha cara, as pessoas que adoram dar bolo em encontros, os "amigos" que pegaram dinheiro emprestado e nunca me pagaram e os malditos artistas de semáforo (malabares, palhaços que vedem pirulito, etc.). Depois de capturadas, eu reuniria todas essas pessoas na Praça dos Três Poderes, em um dia de sol muito forte. Em cadeia nacional, mandaria meus desafetos se despirem e se deitarem no chão. Em seguida, mandaria um tanque de guerra passar em cima de todos eles, com a música Hunting high and low, do A-HA, tocando em volume máximo. Eu, com meu uniforme militar a la Fidel e óculos escuros espelhados, olharia a cena impassível. Depois de todos os meus desafetos terem sido esmagados (literalmente), olharia para a câmera de TV e diria:

- Cidadão brasileiro, não teste a minha paciência. O próximo pode ser você.

Para fechar a cerimônia, a banda militar tocaria uma versão instrumental de Beat it, do Michael Jackson.


2) Castigo para todas as mulheres que torraram minha paciência



Nesse time entram as mulheres que prometeram me dar o cu e não deram, as que me chuparam arranhando a glande com os dentes, as que deram mole falso e as que têm a buceta com gosto de queijo. Com essas moças eu seria menos cruel. Capturaria todas e pediria que meu "desbravador da honra" violasse elas por meses a fio, com direito a coito anal sem lubrificação e fisting. Meu "desbravador da honra" seria um pedreiro angolano, com um talento de 25cm, devidamente vestido de Pikachu. A figura infantil do Pikachu, juntamente com a agressividade angolana, causaria um trauma devastador em minhas vítimas.

3) Criação de novas armas de destruição em massa



Todo ditador que se preze tem que ter um bom arsenal a sua disposição. Esse arsenal pode ser usado tanto para invadir algum país vizinho como para ser testado na própria população civil. Com isso, contrataria craques no assunto, de preferência cientistas militares israelenses e russos para a criação de armas com a cara do Brasil. Já tenho até algumas idéias: destroyers com propulsão a álcool, bicicletas-bomba para ataques terroristas, Kombis de churros transformadas em baterias anti-aéreas e armas químicas armazenadas em garrafas pet. Isso sim seria um arsenal do mal 100% Made in Brazil.

4) Acabar com a superlotação das cadeias públicas



Resolver esse problema seria fácil. Eu, como ditador, invadiria algum país vagabundo, como o Paraguai ou a Bolívia. Como pelotão de frente, eu colocaria presidiários equipados apenas com capacetes (de moto) e facões para invadir o país inimigo. Para deixá-los excitados para o combate, liberaria o consumo de cocaína e crack no front. "Mas eles serão massacrados!", você pode estar pensando. Sim, o objetivo é esse mesmo. Além de eliminar mais de 90% da massa carcerária, eu também aproveitaria para testar o meu arsenal Made in Brazil, citado no tópico anterior. Uma idéia de mestre.

5) Criação de masturbódromos e Fucking Machines

Como um bom ditador, adotaria a política do pão e circo para entreter o povão. Como o brasileiro se amarra em uma boa putaria, criaria duas formas de entretenimento do caralho (sem trocadilhos): o masturbódromo e a Fucking Machine. O masturbódromo seria nada mais que um barracão de madeirite com telhado de amianto. Dentro dele existiriam cabines para o punheteiro se esbaldar com a beldade que fosse fazer strip no palco central. Seriam apenas mulheres famosas, como Rita Cadillac e Tammy Gretchen. A entrada no masturbódromo seria de R$ 1,50 e o tempo de permanência no estabelecimento seria de no máximo 3 minutos. Assim, o fluxo de pessoas seria bem alto e renderia uma boa grana. Tudo bem que o cheiro de porra ficaria insuportável, mas o povão que se lasque. Luxo não foi feito para o povão!

Por ultimo, teríamos a Fucking Machine. Essa máquina seria exatamente igual a uma máquina de refrigerante, com uma única diferença: teríamos uma pessoa dentro, chamada de "Fuckete". Ao inserir a grana (R$5,00), um compartimento na máquina iria se abrir e a bunda da "Fuckete" ficaria à mostra. Feito isso, o cliente teria o direito de se divertir com aquelas nádegas por um tempo máximo de 2 minutos. A camisinha poderia ser comprada na mesma máquina, por R$2,00. Passados os 2 minutos, a bunda do "Fuckete" seria recolhida e o compartimento se fecharia com o auxílio de uma lâmina, para afugentar os clientes mais afoitos. As Fucking Machines seriam colocadas em locais que tenham um grande fluxo de pessoas, como pontos de ônibus, igrejas e entradas de hospital.

As Fucking Machines teriam também uma versão para o público feminino, onde os "fucketes" seriam posicionados de frente. O que seria feito com os instrumento de trabalho dos "fucketes" ficaria por conta da freguesia.

6) Educação sexual nas escolas

Todos nós sabemos que o número de adolescentes grávidas aumenta a cada dia em nosso país. Pensando nisso, o meu governo ja tem uma solução: a educação sexual nas escolas. Para evitar que esse monte de adolescentes acéfalos comecem a trepar feito cães, nada mais justo que eles tenham aulas de educação sexual desde crianças, de preferência a partir de 6 anos de idade. E nada de aulas babacas que ensinem como o pênis ejacula, ciclo menstrual, o desenvolvimento do feto e essas baboseiras que a criançada aprende na rua mesmo. A educação sexual em meu governo será mais direta e hardcore. Para acabar com a gravidez de adolescentes, incentivarei a pratica da masturbação e o lesbianismo entre as adolescentes. Para ajudar as adolescentes mais tímidas na arte de chupar uma buceta eu contrataria celebridades craques no assunto para algumas palestras, como as cantoras Adriana Calcanhoto e Simone. Para as aulas de masturbação masculina, eu contrataria apenas experts, como os fãs de Arquivo X e Senhor dos Anéis. Aliás, iria escolher um dia do ano para se comemorar o "dia da punheta". Nesse dia, eu escolheria uma escola primária e faria uma visita surpresa. Ao entrar na sala de aula, eu mesmo daria a aula de masturbação, com direito a uma demonstração explícita do ato. Logicamente que nenhum aluno poderia gozar antes de mim, pois seria executado no mesmo instante.


7) Linha férrea Brasília-Fernando de Noronha

Todo ditador tem pelo menos uma obra faraônica para mostrar a onipotência do Estado. Eu ja escolhi a minha: a linha férrea Brasília-Fernando de Noronha. O objetivo dessa obra é ligar Brasília (a sede do meu governo) a Fernando de Noronha, o lugar mais bonito desse país. Seria a primeira linha férrea transatlântica do mundo! E para construí-la, nada mais justo que utilizar o trabalho forçado dos inimigos do Estado, como intelectuais pró-democracia, pseudo-intelectuais, malabares de semáforo, indies e toda essa escória underground. Logicamente que eles iriam trabalhar em um turno de 18 horas por dia e sem equipamentos de segurança. O objetivo dessas medidas você já deve saber: que eles morram mesmo. Mas eles morreriam construindo uma obra faraônica, o que não é para qualquer um.



Reinaldo (ao centro) em reunião extraordinária
no Palácio do Bigode



8) Apresentações excêntricas no "dia do ditador"

Eu quero ser um ditador que permaneça na memória dos brasileiros por gerações. Com isso, vou instaurar o "dia do ditador" em 28 de março (dia do meu aniversário), e irei fazer apresentações inesquecíveis em cadeia nacional. Algumas das idéias de apresentações em cadeia nacional:

- depois de fazer um discurso patriótico de 5 minutos, começo um show de sexo explícito com a minha primeira-dama, com direito a fisting, ball busting e tudo o que eu tiver direito. No final, digo que aquilo foi feito em homenagem aos heterossexuais do país e aproveito para chamar os câmeras e equipe de apoio para um segundo round de sexo com minha amada esposa.

- faço um discurso patriótico de 3 minutos e chamo o meu "desbravador da honra", devidamente vestido com a fantasia do Pikachu. Em seguida, mando entrar a atriz pornô Sylvia Saint, e digo que ela está no país como uma maneira de estreitar os laços diplomáticos entre o Brasil e o leste europeu. Terminado o meu discurso, ela veste uma daquelas calcinhas com uma pica de borracha e come o angolano.

- ao entrar em cadeia nacional eu ficaria mudo e estático por 15 minutos. Depois, me levantaria e iria embora. Ao me levantar, as pessoas iriam notar que eu estaria nu da cintura para baixo.

***

Em breve eu publico meus planos de governo no campo da economia e política externa.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Viagens no tempo podem ser dolorosas




(Dando início às comemorações do nosso aniversário de 1 ano, resolvi repostar esse antigo post do Buldozer, publicado originalmente em janeiro de 2006. Ainda vou transformar esse post em um curta-metragem...) 


São 4:15 da madrugada. Eduardo Schaedler, um PhD em física, está na Universidade Federal de Santa Catarina trancado em seu laboratório. Eduardo está tentando resolver uma complexa fórmula matemática, que é a chave da construção de sua tão sonhada máquina do tempo. "Falta pouco, falta muito pouco", pensava Eduardo, enquanto bebia sua 13ª xícara de café. Se a fórmula fosse resolvida, o mistério das viagens no tempo estaria desvendado e Eduardo poderia juntar recursos para a construção da máquina.

O físico estava há meia hora encarando a fórmula matemática, que ocupava mais de 15 folhas de papel, tentando entender o motivo de seus cálculos não estarem evoluindo. "Hmmmm, eu acho que nesse ponto aqui eu tenho que alterar a potência. É isso!", pensou Eduardo, enquanto rabiscava sua folha de papel. Após rabiscar a fórmula, algo estranho acontece: descargas elétricas começam a pipocar pelas paredes do laboratório. "O que é isso?!", pensava em desespero. Em seguida, uma bola de energia luminosa surge nas suas costas, soltando descargas elétricas em todas as direções. Após um clarão de luz, a bola de energia se dissipa e o físico observa que há um homem nu na exata posição onde estava a bola de energia. O homem está agachado e envolto em fumaça. "Q-Quem é você?", pergunta Eduardo. O homem nu se levanta calmamente e encara Eduardo:

- [Homem nu, com voz monótona] Olá. Eu sou você...amanhã.
- O quê?!
- Está surdo? Eu sou você AMANHÃ. Vim do futuro para lhe dar meus parabéns.
- Co-como assim? Do futuro?!

Eduardo observa o homem nu e nota que o moço tem a fisionomia idêntica a sua, só que ligeiramente mais velho. O homem nu continua a conversa:

- Me chamo Eduardo Schaedler e eu sou você daqui a 9 anos. Vim do futuro para lhe dar meus parabéns por ter concluído a fórmula matemática. Ou, melhor, por TERMOS concluído a fórmula.
- M-mas eu não concluí a fórmula ainda!
- É uma questão de tempo para você terminar. A fórmula agora está no caminho certo. Nossa máquina do tempo estará concluída daqui a 8 anos, 4 meses e 5 dias. Estou aqui como uma prova cabal de que nossa máquina do tempo funciona perfeitamente.
- Jura?! UAU!!!
- Também estou emocionado. É uma emoção indescritível me rever neste momento tão especial.
- Legal! Mas, escuta, por que você está pelado?
- A nossa máquina do tempo só transporta tecido vivo. Qualquer elemento não-vivo faz a máquina dar erro, como roupas, aparelhos eletrônicos, etc.
- É mesmo! Estava estudando isso ontem. Nossa, é incrível como você sabe tudo!
- Claro, eu sou você. Esqueceu?
- É...hehehehe. Ainda não me toquei que estou conversando comigo mesmo! Isso é estranho...
- Mas, assim, eu vim do futuro para fazer uma outra coisa também.
- Ah, deixa eu adivinhar! Aposto que você veio do futuro para me avisar de alguma desgraça apocalíptica que irá acontecer e vai pedir para eu fazer certas coisas para eu alterar o rumo da história, certo?
- Não.
- Hmmmmm...então você vai me avisar para eu me proteger de alguma coisa ruim que irá acontecer comigo em um futuro próximo, né?
- Também não.
- Veio me dizer a cura da AIDS e do câncer, que já foi descoberta no futuro, para eu salvar muitas vidas nos dias de hoje?
- Nada disso.
- Então eu desisto. O que você veio fazer também?
- [De pau duro] Vim aqui para transar com você.
- O QUÊ??
- Essa é a minha primeira viagem no tempo, sabe? Então eu pensei que eu poderia transar comigo mesmo. Isso seria uma experiência única no mundo...nunca ninguém fez isso!
- Mas, peraí, que tara esquisita é essa? Eu nunca tive tesão em mim mesmo!
- Mas no futuro você vai ter. Aliás, você vai adorar transar com homens em um futuro próximo.
- MAS QUE PORRA É ESSA?? Está me dizendo que vou ser viado no futuro?
- É, vai acontecer.
- Mas eu nunca tive tesão em homem. NUNCA! Que papo estranho é esse?! Eu acho que você está me enganando...
- Quer saber quem vai ser o primeiro cara que você vai comer?
- Ai meu Deus, fala...
- O Fábio.
- O Fábio? O estagiário do laboratório? Aquele indie magrelo?? Fala sério!
- Sim. Daqui a dois anos vai rolar uma festa de amigo oculto com o pessoal do laboratório e você vai beber muito. Aí o Fábio vai te acompanhar no banheiro para falar do novo CD do Franz Ferdinand e vai acabar te dando a bunda. O magrelo vai te jogar um charme...
- [Batendo na mesa] NÃO ACREDITO NISSO!!! Porra, sempre gostei de mulher! Que merda é essa de eu querer comer o Fábio? E logo aquele magrelo escroto?? Eu odeio indie!!!
- Estou te falando...
- Não acredito, NÃO ACREDITO!!! Vem cá, estou duvidando que você seja eu mesmo no futuro. Acho que você está me enganando!
- Hum...quer uma prova de que eu sou você mesmo? Eu sei tudo o que você sabe, somos a mesma pessoa.
- Ah, é? Então me conta um segredo meu aí!
- Deixa eu ver. Ah, sim, você tem escondido no banheiro da sua casa a revista Hunter da Gretchen, onde ela posou nua grávida. Você tem tara em grávidas e já grudou todas as páginas da revista.
- [Sem graça] Hummm...é...isso foi sorte! Me conta outra segredo aí!
- Você tem tesão na Elba Ramalho e mandou encadernar a Playboy dela com capa dura.
- [Assustado] Nossa...
- Bom, já provei que sou você mesmo, né? Você não pode escapar do seu futuro, meu caro. Aliás, estou perdendo muito tempo com esse bate-boca inútil.

O homem nu pula em cima da mesa de Eduardo e começa a dançar de um jeito desengonçado. Ele dança acariciando os mamilos, o que deixa Eduardo encabulado:

- Ô, cara, o que você está fazendo?
- Estou dançando de uma maneira sensual. Olha só o meu saco [apontando para os testículos], raspei ele para você!
- Puta merda...
- Com essa dança eu vou seduzir você...você não vai resistir e vai me atacar daqui a pouco! Olhe o meu pênis, olhe...
- De onde você tirou que essa dança é sensual? Você está ridículo!
- Assuma que você está gostando.
- Estou achando uma MERDA!!! E quem está achando essa dança sensual é você mesmo. Você é que está de pau duro aqui!
- Eu tenho muito tesão em mim mesmo, me acho o máximo, sabe?
- Estou vendo.
- Fique olhando nos meus olhos agora, vou bater punheta de quatro.
- Não acredito no que eu estou vendo...
- [Andando de quatro] Vamos lá, Eduardo! Vamos transar! O que tem isso tem de demais? Homossexual é quem transa com outros homens. Quem transa consigo mesmo não pode ser considerado gay, né? E você vai comer o Fábio mesmo... qual o problema?
- Quer saber? CANSEI DESSA MERDA! Escuta, eu tenho mesmo o poder de alterar o futuro?
- Em tese. Por que?
- Então eu vou pegar toda essa papelada com a fórmula matemática e rasgar ela em pedacinhos. Assim eu não vou conseguir construir a máquina do tempo e você vai desaparecer da minha frente.
- [Broxando] Você não faria isso. Você gastou anos da sua vida estudando essa máquina do tempo...você não pode fazer isso!
- Claro que posso! E outra coisa: o viado aqui é você! Vá se fuder!
- Mas eu quero me fuder mesmo! Eu quero fuder você, oras...
- [Pegando a papelada com a fórmula] AH, CALA A BOCA!!! VOU RASGAR ESSA MERDA AGORA!!!!
- NÃÃÃÃÃOOOOOO!!!!!

Eduardo rasga a papelada com a fórmula e o homem nu desaparece no meio de um clarão. Eduardo senta em sua cadeira e respira aliviado. "Puta merda, já são 6 da manhã! Melhor é eu ir pra casa e dormir. Essa noite foi demais para mim", pensava Eduardo, enquanto arrumava a sua maleta. Ao sair do laboratório o físico dá de cara com Fábio, que tinha acabado de chegar. Fábio se vira para Eduardo:

- Bom dia!
- Bom dia é o CARALHO! Vai tomar no cu, viado, BICHA!
- [Sem graça] Hã...
- Ainda bem que te achei, gostaria de te comunicar umas coisas. Primeiro: estou me demitindo da universidade amanhã e vou me mudar para o Peru. Vou virar um fazendeiro criador de lhamas.
- Lhamas? M-Mas e o seu projeto de fluxo temporal??
- Cansei dele. Fiquei a madrugada toda tentando resolver aquela fórmula matemática e...hã...não consegui. O projeto da máquina do tempo é seu agora.
- Sério?!
- É. Tem uma cópia da fórmula no meu computador. A fórmula está incompleta ainda, mas acho que você tem capacidade de terminá-la. Agora é tudo seu. Adeus!
- Nossa, Eduardo, o que aconteceu contigo para você largar tudo assim de repente? E o dinheiro que você investiu nisso?
- Não importa. Adeus!
- Então deixa eu te dar um abraço...
- [Dando socos] SAI DE PERTO DE MIM, VIADO!!! FILHO DA PUTA!!! SAI DE PERTO!!!
- [Assustado] Ok, ok, d-desculpa...
- Adeus!!!

Eduardo sai correndo do laboratório e fecha a porta com violência. Fábio, então, segue para a sala do físico e liga o seu computador. "O que será que deu nele?", pensa o indie. Fábio acha a fórmula e pede para o computador imprimí-la. Ao imprimir 13 folhas da fórmula, Fábio pega a papelada e começa a caminhar pelo laboratório. "Hmmmm...eu acho que o erro está nessa potência aqui. Será isso?", pensava Fábio, enquanto lambia a ponta de sua caneta BIC. Em seguida surge um clarão de luz no meio do laboratório. No meio do clarão surge um moço magrelo, nu e agachado. Fábio olha tudo aquilo com pavor:

- Q-Quem é você??
- [Voz monótona] Eu sou você..amanhã! Vim do futuro para te dar os parabéns por ter concluído a fórmula. Ou melhor, por TERMOS concluído a fórmula. A máquina do tempo é um sucesso. Estou emocionado!
- [Ficando de pau duro] Também estou emocionado...