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quinta-feira, 25 de junho de 2009

CONTOS DEMENTES - Wilson, o traficante de Cristo





Episódio de hoje: Toicinho Revolutions

Versão brasileira: Dublavídeo MS


Cacareco estava em cima do corpo de Wilson Cristo. Wilson estava com o rosto desfigurado depois de levar mais de 70 mordidas de Cacareco. Cacareco dava risadas com a boca ensanguentada e se arrastava pelo chão como uma lagartixa no cio. Rapidamente, dois capangas de Cacareco se aproximam:

- [Capanga] Tudo bem, Cacareco?
- HAHAHAHAHAHHAHA! Estou quase gozando na cueca! HAHAHAHAHAHA!!! Eu matei esse puto...EU MATEI O PUTO DO WILSON! HAHAHAHAH!!!
- Só...
- Só? SÓ??? A GENTE DOMINOU O MORRO, RAPÁ! WILSON FOI PRA VALA! A GENTE GANHOU ESSA PORRA! E VOCÊ AINDA TEM A CORAGEM DE FALAR APENAS "SÓ"? TÁ DOIDÃO?
- É modo de falar chefia! Desculpa aê, não foi a intenção!
- E cadê o resto do povo?
- Uma turma subiu o morro e tá matando geral. Os soldados do Wilson tão fugindo que nem uns frangos! Outra turma tá nas entradas do morro deixando ninguém subir. Tâmu passando o rodo!
- Bom! Muito bom! Agora pega a minha cadeira de roda pra eu ver esse espetáculo de camarote. Aliás, tenho idéia melhor: vou humilhar mais esse puto do Wilson!
- Mas ele já tá morto, chefia!
- Não pedi sua opinião, filho da puta! Abaixa as calças do Wilson, vai logo!

O capanga, acanhado, se aproxima do corpo de Wilson e retira suas calças.

- [Cacareco] Agora eu vou enrabar esse merda! Vou humilhar bonito esse babaca! Nem morto ele vai ter sossego comigo.

Cacareco abaixa as calças e se rasteja até ficar em cima do corpo de Wilson.

- [Cacareco] VIRAM? VIRAM? Tô enrabando ele! OLHEM! OLHEM!

"Caralho, de novo essa merda! O chefe devia se tratar" cochicha um capanga. "E aleijado fica de pau duro? Nem sabia" o outro.

- [Cacareco] Ei, o que vocês tão gemendo aí?
- [Capanga] Nada, nada...
- Eu ouvi! O que vocês tavam falando?
- Nada demais, chefia. A gente tava falando que... que tá quente pra caralho. Só isso!
- Sei. AHHHHHHHHHHHH!!! Ui, caralho, gozei! Agora é a vez de vocês.
- C-Como?
- É isso aí. Agora vocês comem o Wilson também. Aproveita que ele ainda tá quentinho.
- Senhor, a gente pode chamar outro cara pra fazer isso. É só...
- Eu quero vocês dois! ESTOU FALANDO COM VOCÊS, PORRA!
- M-mas...

Antes de terminar de responder, o capanga leva um tiro na nuca. O outro capanga se assusta e tenta correr, mas leva um tiro no meio das costas. Das sombras surge China, empurrando a cadeira de roda de Cacareco e segurando uma pistola. Sem uma orelha e com metade do rosto coberta de sangue, China deixa Cacareco em pânico.

- CHI-CHINA?? Caralho, eu te vi levando um pipoco e caindo duro!
- [Apontando a arma] Nunca!
- Mas peraí! Bora negociar! Te libero uma grana pra você me tirar daqui! Uma grana preta! N-não precisa me matar!
- NUNCA!
- E-eu...
- [Arregalando os olhos vermelhos] NUNCA!!!!!

China tira a camiseta ensopada de sangue, amarra na cabeça e se senta na cadeira de rodas de Cacareco. Em seguida ele pega embalo e desce a morro disparando para cima. "NUNCAAAAAAAAAAAA!!!", gritava China enquanto descia a ladeira em cima da cadeira de rodas.

De longe, Professor e Saddam observam tudo perplexos:

- [Professor] O China surtou!
- Mas ele nunca bateu bem da cabeça. Eu ainda tinha esperança que ele matasse o Cacareco. É...agora fudeu!
- E agora? O que a gente faz?
- Bora ficar quieto! O morro tá perdido. Já era! Bora se esconder em outro canto e esperar ficar de noite. Depois a gente some daqui.
- Tá.

Cacareco se arrasta pelo chão em direção ao palco de shows. Um capanga o avista:

- [Capanga] Precisa de ajuda aí, chefia?
- Claro! Eu quase rodei agora!!! Mas...vai lá e pega uma cadeira de roda pra mim. Tem uma na Kombi de maria-mole.
- Peraí.

Em 10 minutos o capanga volta com uma cadeira de rodas. Logo após Cacareco se sentar, o walki-talkie dos capangas começa a apitar. Um deles responde, mas a comunicação tinha muita interferência:

- Bigode Vermelho na escuta. Câmbio!
- Aqui é o Bigode Roxo...SHHHHHHH...tem um louco aqui na entrada do morro matando todo mundo em cima duma cadeira de roda! Ele é um negão...SHHHHHH...levou uns 20 tiros e não caiu! O cara...SHHHHHH...muito louco! Ele...SHHHHH...em cima de mim e a...AHHHHHHHHHHHHH!!!!
- Bigode Roxo? Alô, câmbio? Bigode Roxo??
- [Cacareco] É o China que matou eles. O maluco tá na entrada do morro matando nego nosso.
- Cacete! O que a gente vai fazer?
- Bora sumir o morro. Lá em cima eu penso nisso.

Ao subirem o morro, Cacareco vê alguns dos homens de Wilson atirando de dentro de um bar. O bar estava cercado pelos "Teletubbies" e mais uma dezena de soldados de Cacareco. O tiroteiro estava feio e não demorou muito para os homens de Wilson se renderem. Eles eram os últimos que ainda tentavam defender o morro. "Podem matar geral. Mas deixem aquele ali com a camisa do Vasco vivo", disse Cacareco. Os "Teletubbies" disparam nos homens de Wilson. Só sobra o infeliz com a camisa do Vasco. Cacareco se aproxima de um de seus capangas e aperta seu saco com toda a força.

- Sabe porque deixei aquele maluco ali vivo?
- AIIIIII...n-não sei!!! AIIIIIII!!!
- Olha pro pé dele, porra. O que ele tá calçando?
- AIIII...é ALL STAR! ALL STAR!!!
- Sabe o que acho de quem usa esse tênis, né?
- É VIADO!!! AIIII!!! É COISA DE VIADOOOO!!!
- Isso mermo.

Cacareco se aproxima do sobrevivente.

- Rapá, teus amigos tiveram a sorte de morrer. Você não.
- [Suando frio] É ma...
- CALA A BOCA! Por usar esse tênis de merda, você terá uma morte lenta e dolorosa. Já que a gente tá num bar, eu quero que você beba Campari até a morte. Achem uma garrafa aí!

Os homens de Cacareco reviram o balcão do bar e acham três garrafas de Campari.

- [Cacareco] Pode começar, rapá. Quero que você beba tudo até ir pro saco. Uma bebida de puta para um puto de All Star!

O rapaz bebeu uma garrafa inteira de Campari e se segurava para não vomitar. Em cima da laje do bar, Professor e Saddam observam tudo escondidos.

- Porra, Saddam, olha o lugar que você resolveu se esconder. A gente tá cercado! Tâmu fudido!
- Fala baixo! Acho que eles vão subir o morro, daí a gente sai daqui.
- É uma. Mas...ei, alguém tá subindo aqui na laje!
- Onde?
- Sei lá! Escuta o barulho! Fudeu!

Uma sombra cobre Saddam e Professor. Assustados eles olham para trás. Era China, vestindo apenas uma cueca e com uma camiseta amarrada na cabeça. Seu corpo tinha marcas de bala e sangue coagulado. Um filete de sangue escorria de seu nariz e do que sobrou de sua orelha esquerda.

- [Saddam] China! Caralho, você tá bem?
- Nun....ca....
- Hã?
- NHÉ!
- Porra, fala baixo ou escutam a gente aqui!

China tira puxa duas granadas que estavam escondidas em sua cueca. Ele puxa os pinos e fica olhando para o vazio.

- [Saddam] China, porra, joga logo essa granada longe! Tá doidão??
- Nhé.
- Cara, a gente vai explodir aqui, caralho!
- Bilú.
- [Professor] Velho, o miolo dele ferveu com tanto pó! Bora correr daqui!

Enquanto Professor e Saddam discutem, China escuta Cacareco falar "All Star" em alto e bom tom. Ele arregala os olhos e corre para o térreo. China avista Cacareco e salta em sua direção com as granadas nas mãos. O garoto que usava All Star pula para trás do balcão do bar. Os capangas de Cacareco não têm tempo de reagir.

- [China, voando em câmera lenta] ALL STAR!!!! ARRRRRGHHHHHHH!!!
- [Cacareco, em câmera lenta] Hein..?

As granadas explodem. Todos os homens de Cacareco morrem.

Professor e Saddam descem da laje e observam o massacre. Havia corpos para todos os lados. Ao passarem perto do balcão um garoto se levanta no meio dos escombros.

- [Professor] Boi? É você?
- É! P-pulei aqui quando o China entrou correndo!
- Caralho, eu ouvi toda a conversa lá de cima da laje. Pensei que você ia rodar! Teu tênis salvou tua vida, hein?
- Pois é, mano! Nem sabia que tanta gente odiava Au Istá.
- Mano, o China odiava. Ele tinha uns traumas com esse troço. Agora eu não sabia dessa raiva do Cacareco.

Saddam pega no ombro de Professor.

- É...acho que agora acabou.
- [Professor] Pois é.
- E para onde você vai agora?
- Acho que vou para o Mato Grosso morar com um primo no interior. O contato com a natureza vai me fazer bem. Os animais não têm maldade no coração. E você?
- Vou tentar mexer com alguma coisa mais leve. Tráfico de órgãos, filme pornô, agenciar traveco pra Europa, sei lá. Essa vida de tráfico me cansou.
- É, foi bom enquanto durou. Mas vou indo nessa. Vou pegar uma muda de roupa em casa e sumir daqui.
- É verdade. Boa sorte, mano! A gente se fala por i-meio!
- Só. Abraço mano véio!
- Se cuida!
- E Boi, o que você vai fazer?
- [Boi] Acho...acho que vou abrir um loja de Au Istá aqui no morro. Esse tênis salvou minha vida. Isso é um sinal de Jesus!
- Jesus?? Já cansei desse papo. Mas boa sorte aí.

Cada um vai para seu lado. Dentro do bar, o corpo de China, queimado e sem os braços, abre os olhos e se movimenta. "Nunca", gemia China, enquanto se arrastava para fora do bar.

O corpo de China nunca seria localizado.


FIM



terça-feira, 7 de abril de 2009

CONTOS DEMENTES - Wilson, o traficante de Cristo



Episódio de hoje: Toicinho Armagedon

Versão brasileira: Gota Mágica


Saddam observava, à distância, a fila que se formava ao redor do palco de Wilson. Várias pessoas com deficiência física, e outras fingindo que tinham alguma deficiência, entravam na fila para fazer um pedido para Wilson. Professor aponta para uma das pessoas da fila.

- Saddam, tá vendo aquele velhinho barbudo na cadeira de roda? É ele, porra!
- Será?
- Cara, olha direito! É ELE!

Enquanto isso, algumas pessoas usando fantasias toscas dos Teletubbies distribuíam pipoca e maria-mole para a multidão. Saddam acha aquilo esquisito.

- [Saddam] O Wilson ia distribuir pipoca e doce pra galera?
- Não sei. Para mim era só o "milagre" do pão e leite.
- Tô ligado...

Wilson Cristo, que estava em cima do palco, chama a próxima pessoa da fila. Era um quarentão de muletas.

- Sim, filho, o que você deseja? Sou Wilson, faço qualquer milagre para o meu povo!
- Eu...eu quero comer uma semana no Maquidônaldi de grátis! Adoro aquele sanduba!
- Porra, pobre só pensa em comer! Mas tá, eu vou topar seu pedido. Só que vai ser uma semana de hamburger simples, sem batata nem refri. Próximo!
- Mas esse hamburger é sem graça demais!
- Mas é barato. Tô aqui pra sustentar vagabundo? Próximo!

Chega um velhinha de bengala. Ela não tinha qualquer dente na boca.

- Sim, querida, o que você deseja?
- Eu quero um micronda, senhor Cristo.
- Pra quê?
- Pra fazer pipoca. Pipoca de micronda é muito gostoso.
- Ah, vá tomar no cu, vovó! Vou dar um microonda só pra fazer pipoca? Porra, tu mal tem o que comer em casa e quer microonda? Vou te dar uma pipoqueira e se dê por feliz. Próximo!

Se aproxima um velhinho barbudo em uma cadeira de rodas. Ele usava boné e óculos escuros.

- E você, meu senhor? O que deseja de Wilson Cristo?
- [Murmurando] Uhmmm..maaaaaaqiummm...uhummmmm...
- Hã?
- [Murmurando] Uhmmm..maaaaaaqiummm...uhummmmm...chiummm..
- Será que o senhor pode falar mais alto? Não tô entendendo porra nenhuma!

O velhinho faz um sinal com a mão e pede para Wilson aproximar o rosto.

- [Wilson] Pode repetir?
- [Murmurando] Uhmmm..maaaaaaqiummm...uhummmmm
- Dá pra falar mais alto?

O velhinho faz um sinal com a mão para ele aproximar mais o rosto. Quando Wilson fica a centímetros de distância do rosto do velhinho, o senhor aperta o saco de Wilson com toda força.

- AIIIIIIIIIIIIIII!!!! QUE PORRA É ESSA? AIIIII!!!
- Agora tu vai rodar, safado!!!
- [Arregalando os olhos] CA-CARECO! M-MAS...SEU DESGRAÇADO!!!
- MORRA!!!!

Wilson puxa Cacareco para trás e os dois começam a rolar pelo palco. Cacareco dava mordidas no rosto de Wilson, que tentava se defender a todo custo. A multidão, estarrecida, não entendia o que acontecia no palco. "Eles estão se beijando lá em cima? Malditas bichonas!", indagava um morador do morro.

Em cima do palco, os traficantes viam Wilson rolar com Cacareco pelo palco sem saber o que fazer. China pega um fuzil e começa a gritar:

- [China] SEUS FILHOS DA PUTA! O CHEFE TÁ SE FUDENDO E VOCÊS FICAM AÍ OLHANDO? AQUELE ALEIJADO É O CACARECO! ACORDEM, PORRA!!!
- [Traficantes, em coro] Sim, senhor!

Os traficantes correm e separam Wilson e Cacareco. Assim que separam os dois, várias explosões são ouvidas no meio da multidão. As pessoas entram em pânico e começam a correr em todas as direções. Wilson, segurando o nariz que espirrava sangue, aperta Cacareco pelo pescoço:

- [Wilson] Seu desgraçado, o que você fez???
- [Cacareco, com a boca suja de sangue] Esse é teu fim, rapá! As explosões são uma amostra das minhas pipocas e maria-mole com explosivo plástico. Foi tudo detonado por controle remoto. Tô chique pra caralho!
- Seu...seu...vou matar você!
- Cai pra dentro. Tâmu só esquentando!

Os "Teletubbies" que distribuíam pipoca e maria-mole puxam várias pistolas e Uzis. Todos miram no palco e começam a atirar. A multidão grita de desespero. No palco, os traficantes atiram na direção dos "Teletubbies". Várias pessoas são atingidas no fogo cruzado. Wilson parte pra cima de Cacareco e começa a espancá-lo. O paralítico revidava dando mordidas no rosto e apertões no saco de Wilson.

De longe, Saddam observa tudo com Professor.

- [Professor] Não falei que era o Cacareco?
- [Se protegendo do tiroteiro] É. E a coisa tá ficando feia!
- O que a gente faz agora?
- Bora atirar também para disfarçar! ATIRA

Em cima do palco, China comia vários papelotes de cocaína e enfiava merla no nariz. Ele atirava em todas as direções.

- [China, atirando com os olhos arregalados] BICHO TÁ PEGANDO! BICHO TÁ PEGANDO!

Manel, um traficante que estava ao lado de China, olha pra ele com medo:

- China...O QUE VOCÊ TÁ FAZENDO?
-MANDANDO BALA, MANO! BICHO TÁ PEGANDO! BICHO TÁ PEGANDO!
- Mas você tá atirando nos nossos próprios homens, PORRA!!!

China se vira e atira em Manel.

- [China] NÃO ATRAPALHA! BICHO TÁ PEGANDO!
- [Manel, sangrando] Cof, cof...p-porra...

Enquanto China recarregava sua arma, um tiro o acerta na cabeça e seu corpo cai no chão. Os traficantes ao redor se assustam com a cena e se dispersam. Aproveitando a deixa, os "Teletubbies" avançam para dentro do morro e começam a disparar em todas as pessoas que passam...


Continua...

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

CONTOS DEMENTES - Wilson, o traficante de Cristo




Episódio de hoje: O morro dos milagres

Versão brasileira: Som de Vera Cruz


São 13h. É sexta-feira no Morro do Toicinho. O showmício organizado por Abacate, ops, Wilson Cristo atraiu gente de todos os lugares. Um palco imenso foi levantado na área em torno do campinho de futebol. China, o traficante mais violento do morro, era o mestre de cerimônias do showmício. Ele vestia uma roupa de anjo com asinhas, auréola e um arco prateado. A multidão, com milhares de pessoas, se espremia ao redor do palco. O som do palco podia ser ouvido em 3 morros próximos.

- [China] A LUZ E A FÉ TÃO COM A GENTE, IRMÃOS! ALELUIA!
- [Multidão] ALELUIA! ALELUIA!
- TERRA, FOGO, VENTO, ÁGUA E CORAÇÃO! VAI PLANETA! ALELUIA!
- ALELUIA! ALELUIA!
- JIBAN! JIBAN! VAI NOS DEFENDER DO MAL! ALELUIA!
- ALELUIA! ALELUIA!
- Pessoal, hoje é o dia em que a luz do senhor vai brilhar de verdade morro. Nosso iluminado irmão, Wilson Cristo, vai multiplicar pão e leite pra geral! Vai ser uma demonstração do poder de Cristo.Vocês vão ver! Mas antes disso, vamos ver quem ganha um Corsa 2006 zerado!

China aponta para o lado direito do palco, onde um Corsa com buracos de bala e pintura arranhada está sendo exposto. Garotas vestidas de freiras dançam ao lado do carro.

- Para ganhar esse carro a pessoa tem que adivinhar o que tem dentro dessa caixa aqui [mostra uma caixa de papelão preta]. Eu dou umas pistas do que tem aqui dentro e a pessoa pode dar quatro chutes. Se acertar leva o carango, com direito a um estepe e cinco litros de gasolina! Quem eu vou chamar pro palco?

A multidão começa a pular e gritar. Todos queriam subir no palco. Uma criança pequena, que estava em cima dos ombros de sua mãe, levanta os braços.

- [China] Ei, aquele moleque ali! Traz aquele moleque pra cá!

Os ajudantes de palco, vestidos de coroinha, trazem a criança pequena para o palco. China aperta as bochecas do moleque (com força).

- E aê, garotinho! Qual teu nome?
- Cauê!
- Legal. Mas qual tua idade?
- [Mostrando 3 dedos na mão direita] Eu tenho cinco.
- E o que você mais gosta nessa vida?
- É...da mamãe!
- E depois?
- É...é...de Bígui Méqui!
- E depois?
- E só.
- [Dando um beliscão na criança e cochichando no ouvido] Fala Wilson Cristo, porra...
- [Arregalando os olhos] O Wilson Quisto também! O Wilson!
- Muito bem. Gostei desse menino! Mas aí, o que você acha que tem dentro dessa caixa?
- Um Bígui Méqui!
- Errou. É redondo e...
- Um Bígui Méqui!
- Já falei que não é Bígui Méqui! Olha, o que tem aqui dentro é de comer e é macio. E é bom de comer quente. O que é?
- É...é...Bígui Méqui!
- Ah, como esse garoto é bonitinho!
- É Bígui Méqui? Ganhei?

China se agacha e aperta o pescoço do garoto por trás. China abre um sorriso forçado e se aproxima do ouvido da criança.

- [Cochichando] Seu filho da puta, se você falar de novo essa porra de Bígui Méqui, vou arrastar tua cara no asfalto até chegar no pé do morro. E se começar a chorar, te jogo lá embaixo na multidão, safado!

O garoto fica paralisado de medo. China continua.

- Pois bem, rapazinho, vou dar mais uma dica! Além de servir pra comer, ser macio e ser bom de comer quente, essa coisa aqui tem queijo. O que tem dentro da caixa?
- É...é...Bí-Bígui Méqui?
- NÃO! JÁ FALEI QUE NÃO É ESSE TROÇO! E você perdeu o carro, tá? Mas como você é um garotinho esperto, vai ganhar um prêmio de consolação. Segue meu ajudante ali. Falô!

Os ajudantes de palco retiram o garoto do palco. "Bota esse moleque num corredor polonês atrás do palco", cochicha China para um dos ajudantes. China se volta para a multidão.

- Mas gente, é chegado o momento. Ele está aqui! Com vocês, o aiatolá judeu das forças cristãs de Jesus: WILSON CRISTO!

Wilson entra no palco com uma roupa de Papa. A multidão delira. Wilson fica no centro do palco e pede para todos se acalmarem.

- IRMÃOS! Cristo iluminou o Morro do Toicinho. Cristo me iluminou. Cristou ilumina quem não foi expulso daqui. Cristo ilumina quem é iluminado!

A multidão aplaude. Um dos ajudantes traz uma mesinha para o centro do palco. Outro ajudante traz uma bandeja com um pão e um copo de leite.

- Estão vendo essa bandeja? Cristo me deu poderes para multiplicar esse pão e esse leite. A fé remove montanhas! VEJAM!

Wilson coloca as mãos em cima da bandeja e fecha os olhos. Uns 15 minutos se passam...mas nada acontece. A multidão observa em silêncio. De longe, Saddam observa o "espetáculo" junto de Professor.

- [Professor] Como é que ele vai multiplicar essa porra?
- E eu sei? E vem cá, cadê o Cacareco? Ele não ia pintar aqui com a tropa dele?
- Pois é. Acho que aquele puto passou a perna na gente.
- Tô desconfiado disso...

Mais 10 minutos se passam, e nada acontece. Nenhum milagre, simplesmente nada. A multidão começa a ficar impaciente. Wilson continua de olhos fechados e com as mãos em cima da bandeja. Mais 10 minutos se passam, até que dois helicópteros sobrevoam o palco. De repente, um dos helicópteros começa a jogar pão na multidão. O outro, leite. Professor fica abismado:

- O cara tá jogando leite e pão de helicóptero! Caralho, que tosco!
- [Saddam] Olha aquela criançada ali lambendo o leite do chão!
- Puta merda...

"Quando os helicópteros pousarem, quero que você trucide esses pilotos. Faz o que tu quiser. Eles atrasaram e me deixaram pagando mico", comenta Wilson para China. Wilson pega o microfone e se volta para multidão:

- Meus milagres ainda não acabaram! Agora eu vou atender os pedidos de 20 aleijados que subirem aqui no palco! Eu vou atender todos os pedidos. Isso é um sinal da minha bondade!

Saddam cutuca Professor:

- Olha o tamanho da fila. Tem gente sentando em cadeira de roda só pra entrar na mamata.
- Cambada de filho da puta! E...ei, olha quem tá ali!
- EITA PORRA!

Continua...

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

CONTOS DEMENTES - Wilson, o traficante de Cristo




(se você não leu os episódios anteriores, clica no marcador que está no rodapé do post, porra!)


Episódio de hoje: Churros matam

Versão brasileira: Viacom Rondônia


As coisas no Morro do Toicinho estavam complicadas. Wilson dava ordens cada vez mais radicais para o morro ser "purificado" por sua "luz". Os pais-de-santo foram expulsos e os terreiros incinerados com óleo diesel. Homens que bebiam aos domingos eram espancados pelos traficantes e quem fosse pego com uma camisinha era amarrado em um poste por 72 horas. "Camisinha impede as crianças de nascerem. Isso é coisa do Demo!", dizia Wilson. Pressionado por vários traficantes, Saddam decidiu que era hora de dar um jeito em Wilson.

Eram 2:20 da madrugada. Saddam e Professor foram escondidos para o Morro do Calango. Eles estavam na luxuosa casa de Cacareco, o temido líder do tráfico no Morro do Calango. Cacareco tinha mais de 600 mortes nas costas, 120 só de policiais. Mesmo paralítico (ele foi baleado na coluna em um confronto com o Exército), ele impunha medo e respeito a todos os outros traficantes da região, inclusive os traficantes do Morro do Toicinho. Cacareco era um cara extremamente violento e imprevisível.

A sala de Cacareco estava cheia de traficantes armados. Saddam cumprimentou os presentes e explicou, com toda a calma, toda a situação do Morro do Toicinho. Falou da "revelação" de Wilson Cristo, suas novas leis e maluquices. Cacareco estava apenas de bermuda em sua cadeira de rodas e ouvia tudo enquanto limpava sua AK-47. Ele não parecia prestar atenção no assunto.

- [Saddam] Bom, é isso. Acho que só você consegue dar um cabo no Wilson, Cacareco. O que você me diz?
- [Longo silêncio]...Que merda, né?
- É..?
- Eu odeio o Abacate. Foda-se se ele quer ser chamado de "Wilson Cristo". Vou continuar chamando de Abacate! Sempre quis matar aquele vagabundo na crueldade, morô? Aquele cara sempre me deu trabalho, mas qual a graça de matar um maluco?

Cacareco se vira e pega no saco de um traficante que está ao seu lado. Ele aperta com força.

- [Cacareco] Vai na cozinha e traz uma cerva pra gente.
- AIIIIIII, a cerva acabou! Só tem Campari! AIIIIIII!!!
- Campari é bebida de puta. Vai na quitanda e traz um engradado. E rápido!

O traficante sai do recinto pegando no saco e mancando. Cacareco pega o fuzil e aponta para janela.

- [Cacareco] Bora ver se eu azeitei direitinho essa porra.

Cacareco mira em um barraco distante. Ele dá um disparo. O tiro acerta o barraco e ouve-se o grito de uma mulher. Os traficantes da sala se olham assustados. Um dos traficantes fica revoltado.

- Cacareco, porra, o senhor vacilou nessa aí!
- Estou testando minha arminha. Qual é o pó?
- Chefia, aquele é MEU BARRACO! Caralho, sempre servi o senhor na moral e tu faz um vacilo desse comigo? Porra, tu deve ter acertado minha mulher! Mas que FILHO DA PUTA!
- [Olhar macabro] ...
- É...desculpa chefia! Estou nervoso! Não queria te xingar! Foi mal, aí!!! Eu arranjo outra mulher, deixa quieto...

Cacareco aponta na direção do traficante reclamão e todos disparam suas armas. O traficante leva uns 70 tiros e cai no chão jorrando sangue para todos os lados. Saddam e Professor suam frio. Cacareco se volta para Saddam.

- Pois então, Saddam, o que tu quer que eu faça?
- [Engolindo seco] Hã, bem...o Wilson quer fazer um showmício na próxima sexta. Vai ter uma apresentação das Crentes do Funk e depois ele disse que vai fazer um "milagre". Ele prometeu pra todo mundo que vai multiplicar pão e leite e distribuir pelo morro.
- Puta que pariu. E como vai ser esse milagre?
- Não sei. Ele disse que é esperar para crer.
- Tá, e daí?
- E daí que o morro inteiro vai estar nesse showmício. Os traficantes vão estar concentrados nesse showmício e a segurança do morro vai estar fraca. Era um bom momento de um ataque de vocês. Mandem o Wilson pra vala que o tráfico na região vai ser todinho de vocês.
- É. Mas o que você ganha com isso?
- Paz! Do jeito que está tá foda.
- Sei. Mas tu é o inimigo, rapá! Tu marca um encontro comigo, fala que o Wilson pirou e entrega tudo de bandeja. Qual é, maluco? Qual é a treta? Quer me comer?
- Eu? Que isso, Cacareco! E-Estou na moral aqui!

Cacareco se vira e pega no saco de outro traficante próximo. Ele aperta o saco com toda a força.

- [Cacareco] Aí, você confia nesse vagabundo?
- AIIII, não sei!!!
- Como não sabe?
- AIIIII, não confio! Não confio! AIIIIIII!!!
- Hum.

Cacareco larga o saco do coitado e dispara um tiro de seu fuzil na direção de um traficante que está na porta. O tiro explode o joelho do rapaz.

- [Cacareco] Aí, rapá, tu confia nesse vagabundo?
- [Segurando o joelho estourado] AHHHHH, NÃO! NÃO! AHHHHHHHH!!!
- Por que, caralho?
- ELE É INIMIGO! INIMIGO!!! AHHHHHHHH!!! AHHHH!!!!

Cacareco se aproxima de Saddam e Professor. Ele encara Saddam com um olhar maligno.

- [Cacareco] É...confio em você. Trato feito. Vou pintar com a turma nesse showmício. Me aguarde.
- Ah, l-legal!
- Eu tava prestando atenção em como os mussum-manos atacam. O lance é fazer atentando, botar bomba. Matar na crocodilagem! Sabe aquele atentado que teve em uma delegacia semana passada?
- Fiquei sabendo. V-Você que armou aquilo?
- Claro! Botei um carrinho de churros lotado de explosivo na entrada da DP. Esperei o delegado sair e "cabum". Bicho foi pro saco! Também matei uma playbozada numa facu que me devia. Foi com um carrinho de pipoca BOMBA. Tô ficando foda nisso, rapá!
- E você vai fazer o mesmo com o Wilson?
- Talvez. Agora cai fora que o tempo de vocês acabou. Inté!

O traficante que foi comprar cerveja aparece na porta com um engradado nas mãos.

- Chefia, só tinha cerva Polar!
- Polar?

Cacareco aponta na direção do traficante e todos disparam. Ele cai no chão com 80 perfurações de bala.

- [Cacareco] Polar? Prefiro beber a água de banho do meu cachorro! [Pegando no saco de um traficante que está ao seu lado] Você gosta de Polar?
- AIIII, é marromeno, chefia!
- [Apertando o saco] Marromeno? Tá doidão?
- AIIIIII, É RUIM! É RUIM!!! AIIIII!!!

Professor cutuca Saddam para ele andar mais depressa.


Continua...

terça-feira, 1 de julho de 2008

CONTOS DEMENTES - Wilson, o traficante de Cristo



Episódio de hoje: O morro das virgens

Versão brasileira: Marshmallow

São 18h. Saddam e Professor, gerentes do tráfico no Morro do Toicinho, estavam na entrada da favela observando o movimento. Saddam estava usando uma batina de padre e Professor estava vestindo uma roupa de bispo. Na esquina da favela havia uma barraca branca com uma enorme placa na sua frente. A placa dizia: "mulhegada, entrem nessa barraca pra ezame. É obrigadório! Só Jesuis salva!". Vários traficantes vestindo roupas religiosas circulavam pela área com fuzis a tiracolo.

Professor puxa assunto com Saddam:

- Cara, você acha que isso vai dar certo?
- Sei lá. Estamos seguindo ordens, né?
- É. Mas aqui entre nós: o que você achou da idéia do Abacate?
- É WILSON, porra! Se ele te ouvir falando Abacate você vai tomar no rabo!
- Tá, tá! Agora me responde.
- Mano, essa idéia de examinar o cu da mulherada e expulsar todas as minas que já liberaram o brioco é radical demais. Não sei onde ele quer chegar com essas paradas! E quem foi que contratou o médico?
- O Chulapa.
- O Wilson queria o doutor Francisco, mas ele está viajando. Onde o Chulapa achou esse médico aí?
- Cara, ele não quis me falar o hospital. Ele disse que era sigilo.
- Sei. E você soube da ordem de última hora do Chulapa, né?
- Não. Qual é?
- Toda mulher que for reprovada no exame de cu vai ter que usar uma faixa preta amarrada no braço. A mulher também vai ter 24 horas pra sumir do morro.
- Caralho! O bicho tá maluco!
- É...mas olha, tá chegando a primeira mulher pro exame.
- Ei, é minha mãe!

A mãe de Professor entra na barraca. Cinco minutos depois ela sai de dentro aos prantos, com uma faixa preta amarrada no braço. Professor fica revoltado.

- PORRA, ISSO NÃO É POSSÍVEL!!! MINHA MÃE SÓ DEU PRO MEU PAI E PRA MAIS NINGUÉM! ELA NUNCA DARIA O CU! VOU MATAR O FILHO DA PUTA DESSE MÉDICO!!!!
- Cara, calma! Vai ver foi um erro! Ela é tua mãe, o Wilson pode aliviar!
- Você tá querendo dizer que minha mãe deu o rabo??
- Não, cara! Falo que o Wilson pode rever o teste com ela!!!
- [Espumando de ódio] Grrrrrr...
- Vamos ver como o resto da mulherada se sai no exame, calma...

[20 minutos depois]

- Professor, umas 30 minas já rodaram nesse exame. E todas saem da barraca chorando!
- Porra, até a Vó Benta rodou no exame! Caralho, é impossível que aquela velha dê o cu!
- Que sinistro! E a fila tá só crescendo...

[30 minutos depois]

- Saddam, acho que só 3 minas passaram no exame. O resto levou ferro.
- É! Pelo visto a mulherada tá ficando nervosa. Elas tão batendo boca na entrada da barraca!
- Parece que tão batendo no médico também!
- Os meninos ali de baixo tomam conta da parada...

[10 minutos depois]

- Professor, tá descendo uma multidão daquele lado.
- Eita porra!!! É tudo mina que rodou no exame! Quem é aquela que tá na frente segurando um galão de gasolina?
- É a mina do China! Porra, aquela mulher é nervosa pra caralho.
- Elas estão descendo pra barraca...
- Olha lá, a mulherada da fila se revoltou de novo e tão chutando a barraca!Eita, tá todo mundo cercando o médico! Neguinho tá dando tiro pro ar!!!
- Professor, hã....vai lá ajudar que vou ali comprar um chiclete, beleza?
- Tá.

Às 21h os gerentes se reúnem na casa de Wilson Cristo. O clima estava tenso. Wilson começa a falar.

- É, cambada, a coisa hoje ficou feia! Uma coisa tão simples e vocês não seguraram a onda. PUTA QUE O PARIU!

Os gerentes ficam em silêncio. China observa tudo de olho arregalado e alisando o fuzil. Wilson continua:

- Quase toda a mulherada do morro rodou no exame. Só umas 15 passaram! Isso tá bem pior do que eu esperava. E querem saber mais? Esse médico escroto que vocês descolaram tava se aproveitando da mulherada. Ele examinava e ainda comia elas. Quem me falou isso foi a Vó Benta. O prego morreu linchado pela mulherada, se fudeu! E dois soldados do movimento levaram facadas.
- [Professor] Porra, então ele comeu minha mãe também!
- CALA A BOCA, INFIEL! Não acabei de falar, filho duma PUTA! Isso é a casa do Senhor!
- ...
- Bem, quem foi que descolou a porra desse médico?

Chulapa, trêmulo, levanta o braço.

- Chulapa, meu filho, onde você descolou esse infeliz?
- É...ah...foi...
- DESEMBUCHA, PORRA!
- Foi numa pet shop da Zona Norte!
- Pet shop???
- É! O s-senhor me deu apenas 300 contos pra descolar um médico. Ninguém queria topar o serviço por tão pouco. Aí p-passei numa pet shop pelo caminho...
- O médico era veterinário?
- N-Não. Era um funcionário que dava banho nos bichinhos. Ele tava de jaleco, aí pensei que dava pra enganar. O exame era fácil, n-né?
- ...
- D-desculpa, chefia! Ninguém queria encarar esse trampo aê! Mas você tem que olhar meu lado!

Wilson encara Chulapa com um olhar de ódio fulminante. As veias saltam de seu pescoço. O silêncio na sala era absoluto. Wilson prossegue.

- [Respirando fundo] Chulapa, agora meu coração é de Jesus. Um tempo atrás eu ia mandar o China quebrar suas pernas e te queimar vivo por essa merda que você fez. Mas agora tenho luz e sabedoria, Jesus me guia!
- Q-quer dizer que posso ir embora?
- NÃO! Quer dizer que estou pensando numa punição mais leve. Senta aí, porra!

Saddam interrompe a conversa:

- Wilson, é...bem, como o médico não era médico, então esse exame vai ser cancelado, né?
- Não! Se a ordem foi dada, tá feito! Deus não dá uma ordem duas vezes. Deus escreve certo por linhas tortas!
- Mas quase toda a mulherada do morro rodou nesse exame! Muitas já estão deixando o morro agora. Você já pensou na quantidade de homens e crianças que vão ficar sozinhos?
- E daí? Na guerra da luz contra as trevas, existem baixas! Mas as forças do Senhor vencerão!

China interrompe:

- FALOU BONITO, CHEFIA! ALELUIA!!!

Saddam prossegue:

- Wilson, e os gays? Eles também dão o cu e você não fez nada!
- Irmão, ilumine seu coração! Um homem só tem o rabo para dar. A mulher tem escolha, pois tem a buceta! Poupar os gays foi um sinal de misericórida e compaixão de minha parte. Não acha?
- [Engolindo em seco] É...claro...
- Então! Abra seu coração para Jesus! Mulher que dá o cu faz pacto com o demônio! Têm que ir pro inferno! Mas chega de conversa, tenho que punir o Chulapa. Pega esse bilhete aqui, Saddam. É sua nova missão. Leia lá fora!
- [Pegando o bilhete] Tá.

Saddam e Professor saem da casa de Wilson. Na porta, Professor se vira para China.

- Ô China, quando a mulherada estava linchando o "médico", eu cheguei dando tiro pro ar e acabei acertando a sua mulher. Foi acidente, cara! Ela queria queimar o cara vivo, mas eu não quis machucar ela, sério!
- Ah, de boa. Cansei daquela mina mesmo.

Wilson vai em direção da porta.

- Bom, acho melhor os senhores irem embora. E Chulapa, pensei numa punição pra você. Primeiro: tire a roupa. China, vai lá dentro e pega a fantasia de Moisés. Agora, com licença [fechando a porta]...

Saddam e Professor vão para um barzinho que fica em frente a casa de Wilson. De longe dava para se ouvir os gritos de Chulapa na casa de Wilson.

- [Professor] E aí, Saddam, qual é a ordem agora?
- Peraí, deixa eu ver o bilhete.

Saddam tira o bilhete do bolso e lê com os olhos arregalados.

- [Saddam] Caralho! Velho, temos que fazer alguma coisa...


Continua...

terça-feira, 29 de abril de 2008

CONTOS DEMENTES - Wilson, o traficante de Cristo




Episódio de hoje: Interlúdio

Versão brasileira: Viacom Bahia


China, o traficante mais psicopata do Morro do Toicinho, estava relaxando no campinho de futebol. Ele já tinha queimado três baseados, quatro pedras de crack e uma lata de merla. Isso sem falar nas três picadas de heroína e sete carreiras de cocaína. China estava muito louco e de pau duro (as drogas o deixavam eufórico). Antes de partir para mais uma rodada de pó, ele é interrompido por um grupo de adolescentes vestidos de padre e coroinha:

- CHINA! CHINA!
- Quié, porra?
- Tem um moleque querendo entrar pro movimento. Pode fazer o teste nele?
- Quem é o fedelho?
- Esse...

Os adolescentes apontam para um pirralho magrelo vestindo apenas um short vermelho.

- [China] Qual tua idade, moleque?
- Oito.
- Porra, velho demais! Tu acha que tem raça pra entrar no movimento?
- Tenho!
- Qual teu nome?
- Ericlévson.
- Cacete, que nome ESCROTO! Tu tem a mãe na zona, hein?
- ...
- Tá. Você sabe que o movimento agora é de Cristo, né? Somos traficas, mas filhos do Senhor lá de cima. Acabou a bagunça e a violência de grátis nessa porra. Tá ligado?
- Tô.
- Um tempo atrás você ia passar por um teste fudido: ia apanhar de todo mundo, andar em caco de vidro, tomar uma garrafa de cachaça inteira e tal. A gente ia barbarizar pra ver se tu era macho mesmo. Mas agora os tempos mudaram. Me segue, cambada.

China leva o garoto e os adolescentes traficantes para sua casa. Ao chegar em sua casa ele pega três objetos: uma Bíblia, um pequeno santo de madeira e uma garrafa de álcool.

- [China] Aí moleque, bota a mão em cima da Bíblia. Esse é o livro do senhor. Se não seguir o que tá escrito aqui o pau come!
- [Bota a mão em cima] Tá.
- Agora repete comigo: "vendo pó, vendo erva, sou de Cristo minha alma não nega".
- "Vendo pó, vendo erva, sou de Cristo minha alma não nega".
- ESTÁ PROTEGIDO EM NOME DO SENHOR [dá uma porrada na cara do moleque usando a Bíblia]! ESTÁ PROTEGIDO EM NOME DO SENHOR [dá outra porrada na cara do moleque usando a Bíblia]! ESTÁ PROTEGIDO EM NOME DO SENHOR [dá outra porrada na cara do moleque usando a Bíblia]! ESTÁ...

[16 porradas depois]

- Pois bem moleque, agora segura esse santo de madeira. É o São Benedito, hein? Segura direito essa porra!
- [Zonzo e com o nariz sangrando] Tzá...

China abre a garrafa de álcool e despeja em cima do santo de madeira. Um pouco do álcool escorre pelas mãos de Ericlévson.

- Pois é, moleque, esse é o último teste. Esse é o "teste da fé". Eu mesmo que inventei. Aliás, inventei agora! Pois bem: vou botar fogo nesse santo e você tem que segurar ele até o fogo apagar. Se você soltar esse santo ou começar a chorar, todo mundo aqui vai te encher de porrada até você cair duro. ENTENDEU?
- S-sim.
- Quem não tem fé não pode entrar na Soldados de Cristo! Pronto?

O garoto acena com a cabeça. China pega um fósforo no bolso e ateia fogo no santo. Uma labareda enorme surge na frente de Ericlévson. O santo começa a queimar. As mãos do garoto também. Mas ele morde os lábios e aguenta a dor bravamente. Nenhuma lágrima escorre de seus olhos. Os adolescentes ao redor olham a cena estarrecidos.

[12 minutos depois]

- [China] É, moleque...pensei que você ia cagar no pau. Parabéns! Agora me devolve o Benedito.
- [Com as mãos em carne viva e o nariz pingando sangue] Ah...
- Mas, apesar de você ter passado no teste, sinto muito: o movimento não é pra você. Cai fora daqui!
- M-Mas...
- [Sacando a pistola] Anda logo antes que eu te meta uma azeitona na cara, porra!

Ericlévson sai correndo em disparada.

- [Buiú] China, por que você fez isso?? Ele fez tudo direitinho!!!
- Eu não gosto de gente que usa All-Star. Aquilo é tênis de viado.
- Mas ele tava de chinelo!
- Foda-se. Ele tem pinta que usa All-Star.
- Ah...

domingo, 30 de março de 2008

CONTOS DEMENTES - Wilson, o traficante de Cristo




Episódio de hoje: As vestes do Senhor

Versão brasileira: Álamo


Morro do Toicinho. Quarta-feira. São 5 da manhã e Abacate, ops, Wilson Cristo manda todos os gerentes das bocas se reunirem em sua casa. Era a quinta reunião urgente da semana.

- [Wilson Cristo] Pois bem, cambada. Como eu já tinha falado, as regras vão mudar aqui no morro. Somos do tráfico, mas somos de Cristo também. Tão ligado?
- [Gerentes] ...
- Bom, queria avisar que vamos começar com as roupas. Um soldado de Cristo não pode usar uma roupa qualquer. Bermudinha da Cyclone? Tênis Nike? Boné da Mormaii? Qualé, rapeize! Tão querendo avacalhar com o Senhor? As roupas novas são essas aqui...

Wilson pega uma enorme caixa de papelão atrás do sofá. Ele pega um estilete e rasga a fita crepe que fecha a caixa. Depois disso ele abre a caixa na frente de todos.

- Bom, é isso aê! Tem do tamanho de todo mundo. Podem chegar e pegar.

Os gerentes se aproximam da caixa e notam que ela está lotada de roupas religiosas: roupas de coroinha, monge franciscano, algumas roupas de padre e até uma roupa de freira. Uma das roupas estava com a etiqueta "Hilda Furacão - TV Globo". Chulapa pega uma roupa de coroinha e segura na mão:

- [Chulapa] Chefia, sem querer ofender, mas você quer que a gente vista essas paradas?
- "Paradas"? Lave sua boca, infiel! Isso é roupa santa! Deu uma trabalheira descolar essas roupas.
- Beleza, chefia. Não estou desprezando o trabalho que o senhor teve nessa jogada, mas na moral, quem vai levar a gente a sério com essas roupas?
- E qual o problema? São super confortáveis [apalpando]. As de padre ainda são pretas, perfeitas para camuflagem noturna!
- [Quase chorando] Tá...
- Dá para notar em suas caras sebentas que muitos aqui não gostaram dos novos uniformes. Isso não tem problema.

Wilson chama China, o traficante mais violento do morro. China era um negão de 1,95m e estava com os olhos arregalados e o nariz sujo com um pó branco. Ele segurava em sua mão uma escopeta semi-nova.

- [Wilson] Seguinte: quem não quiser vestir essas roupas pode ir embora. Mas quem botar o pé fora da minha casa, China vai mandar bala. Vocês têm escolha, viu? Um tempo atrás eu ia espancar geral e obrigar todo mundo a botar o novo uniforme. Mas agora estou mais calmo e sábio. Viu como o Senhor muda as pessoas?
- [Chulapa] É, chefia, acho que vou ficar com essa roupa mesmo. Bonita, né?

Os outros gerentes também pegam suas novas roupas, sem demonstrar muito ânimo no olhar. China estava de pau duro e observava todos sem piscar os olhos.

- [Wilson] Que bom! Vejo que o Senhor iluminou esses corações de filho da puta que bate dentro de vocês! Parabéns! E já que está todo mundo reunido, mais uma aviso: vou mudar o nome da nossa facção. Em vez da gente se chamar "Comando 12" nós agora nos chamaremos apenas de "SC". "Soldados de Cristo", sacaram? Vai demorar um tempinho, mas eu quero todo mundo do movimento usando roupa religiosa. A molecada, os gerentes, os vapores, todo mundo!

Silêncio.

- [Wilson] Bom, agora vocês podem vazar. Quero dormir e dar uma bombada com a patroa. Saddam, pega esse bilhete aqui [entrega um bilhete para Saddam]. Eu quero que você faça o que tá escrito aí. Fui.

Os gerentes saem da casa de Wilson desanimados. Da janela, China observava todos os traficantes saírem. Ele estava louco para matar alguém naquela noite, mas infelizmente não aconteceu. E ele continuava de pau duro.

Os gerentes resolvem se reunir no "Muro das Lamentações" para conversar.

- [Professor] Porra, acho que o chefe pirou! O cara foi "iluminado" e agora bota a gente pra botar essas roupas? Caralho! E essa roupa de coroinha tá apertada pra porra! O que você acha disso, Saddam?
- A coisa tá esquisita mermo. Pelo menos a minha roupa de padre ficou bacana.
- [Chulapa] Porra, Saddam, você é o segundo em comando nessa bagaça. Se a gente der um sumiço no Abacate você assume o posto. O Abacate tá maluco! O cara tá comendo merda!!!
- [Saddam] Calma! Não vamos criar um fuzuê no movimento. Vamos com calma! Bora ver até onde o Abacate vai. Acho que ele precisa de ajuda e não de uma facada nas costas. A gente aqui é tudo irmão, não traíra. Bora com calma...
- [Professor] Tá, bora ver até onde isso vai dar. E você pode ler pra gente o bilhete que ele te deu?
- [Saddam] Claro.

Os gerentes se reúnem em volta de Saddam. Saddam abre um bilhete escrito à mão em uma folha de caderno. O bilhete era escrito em tinta azul e vermelha:

"Oi, Sadám! A gente tem que valorizar esse morro e eliminar quem não é fiel ao Senhor. Pra comessar, temos que mandar pra longe daqui todas as mossas que dão o cú. Mulé que dá o cú é aliada das coisas imundanas e amiga de Satanás! Me faiz um favô: liga pro doutor Francisco (9999-6969) e pede pra ele vir no morro nessa sexta feira. Eu quero que tu monte uma barraca na entrada do morro e mande examinar o cu dessa mulhegada toda. Quem tiver sinal de que libera o buraco, tá expulsa daqui. Quero que você tome conta disso pra mim. Esse é o primeiro paço. Depois vem outro.

'Não pegue nisto, não prove aquilo, não toque naquilo' - Colossenses 2:21

Dom Aiatolá Wilson Cristo"


- [Saddam] Caralho...

Aguardem novos episódios!

quinta-feira, 6 de março de 2008

CONTOS DEMENTES - Wilson, o traficante de Cristo




Episódio de hoje: A revelação

Versão brasileira: BKS


Segunda-feira. O dia começou estranho no Morro do Toicinho. Abacate, o chefe do tráfico no morro, pediu que todas as boca fossem fechadas e que todos os gerentes do tráfico se reunissem na casa dele, às 10 da manhã. Abacate espalhou por todos os cantos que o motivo da reunião era urgente, mas não entrou em maiores detalhes. Por um motivo mais estranho ainda, ele também ordenou que todos os bares do morro não abrissem suas portas na segunda-feira. Todos os proprietários de bares obedeceram sem pestanejar.

"Hoje é o dia de maior movimento! Fechar as bocas logo hoje?", indagava um traficante. "Que porra de motivo urgente é esse? E pra quê fechar os bares? Atrapalhar logo o meu goró?", indagava outro traficante. Sem entender nada, todos os gerentes se reuniram na casa de Abacate, uma bela casa de três andares que se localizava no topo do morro e que tinha uma visão privilegiada de todas as entradas da favela. O silência era absoluto. Os traficantes se olhavam com cara de apreensivos, mas ninguém ousava discutir a atitude do chefe.

Depois de quase 30 minutos de espera, Abacate surge na sala de espera. Os gerentes olham a cena espantandos. Um deles se engasga com a própria saliva. Outro segura o riso. Abacate, vestido com uma batina de padre e segurando uma Bíblia na mão direita, senta-se em um poltrona localizada em frente da janela.

- [Abacate] Bom dia! Vocês podem estar se perguntando por que estou usando essa batina. Bom, eu sou o escolhido de Deus para guiar esse morro. Eu tive essa revelação ontem!

O silêncio era total. Nenhum gerente teve coragem de abrir a boca. Abacate continua:

- Dei uma passada na igreja ontem. Tinha negociado 4 quilos de pó para uma rapeize e tava feliz com a grana no bolso. Tive que agradecer o Senhor, né? Aí eu resolvi entrei numa igreja da Zona Sul, coisa que eu quase nunca faço. Comecei a rezar e pedi pra Deus me iluminar e continuar me enviando pó e chumbo para cima dos alemão. Daí, de repente, acontece uma coisa estranha: um anjo negão, com o cabelo loiro, atravessa o vitral da igreja segurando um fuzil! É sério! Daí ele chegou perto de mim com aquela voz cheia de eco: "Wilsooonnnn! Deus te ama, meu filhoooo! Conduza o Morro do Toicinho para o caminho da luz. Você é o escolhidoooooo! Améééémmmm...". Daí ele sumiu...desapareceu!!! Caiu até uma lágrima do meu olho! Depois dessa eu corri no fundo da igreja e apontei a 9 milímetros na cabeça do padre. Perguntei com todo o respeito se ele podia me liberar uma batina. Ele liberou sem reclamar e aqui estou eu. Tenho que ter uma roupa que combine com minha condição de iluminado, né?

Os traficantes presentes estavam boquiabertos. Com muito medo, Gordo, um dos gerentes, levanta o braço e fala:

- Chefia, seguinte: agora que você virou um, hã, "iluminado", você vai parar com o tráfico no morro? É o fim do movimento?
- Tá louco, Gordo? Vou viver do quê? Bebeu? Aliás, saindo da igreja eu tive um outro sinal divino vindo aqui pro morro. Por favor, me acompanhem.

Os traficantes saíram da casa de Abacate e o seguiram por vielas e becos estreitos. Abacate os conduziu para um matagal próximo ao campo de futebol. Colado ao matagal havia o "Muro das Lamentações", local conhecido no morro por ser um ponto de execução dos desafetos do tráfico. Abacate aponta para uma mancha de sangue gosmenta no pé do muro, que possui alguns pedaços de cérebro e crânio incrustados:

- Vocês tão vendo essa mancha?
- [Todos em coro] Sim!
- Sabem de quem é esse sangue?

Os traficantes coçam a cabeça tentando lembrar o nome do falecido. Chapeleta responde:

- Ei, matamos um X9 anteontem. Foi aquele féla do Guma que tava dedurando nóis para o outro morro!
- [Abacate] Isso mesmo! Mas, tipo, ao chegar no morro hoje de manhã eu dei uma olhada nessa mancha de sangue com mais atenção e notei uma coisa sinistra. Vocês conseguem enxergar?

Os traficantes ficam em silêncio. Uns olham de perto, forçam a vista, mas não comentam nada. Após alguns minutos Abacate responde nervoso:

- É A FACE DE CRISTO, SEUS ESCROTOS! CRISTO! NÃO CONSEGUEM VER? Aqui, ó [apontando a mancha]...tá nítido a face de Cristo nessa mancha! Até uma criança enxerga! Isso é o sinal de que essa comunidade é iluminada por Deus!!!

Chapeleta interrompe o chefe:

- Chefia, não estou vendo Cristo nenhum nessa mancha!

Abacate saca sua pistola 9mm e dá um tiro no meio da testa de Chapeleta. O sangue jorra nos traficantes, que assistem a cena assustados. Abacate olha para o corpo de Chapeleta estirado no chão:

- Infiel! Sem fé! Porco sem alma! [Abacate se vira para os traficantes restantes] E vocês aí? Não conseguem ver Cristo nessa mancha?
- [Todos em coro] Sim, senhor! Nós vemos! Nós vemos!!!
- Ah, vocês conseguem ver, é? Gordo, vem aqui.

Gordo, trêmulo, se aproxima de Abacate. Abacate coloca uma mão no ombro do gerente:

- Gordo, você vê mesmo Cristo nessa mancha?
- S-sim senhor!
- Enxerga a face de Cristo aqui?
- C-claro!
- Então me diga: Cristo está de frente ou de perfil?

Gordo sua frio. Os traficantes em volta ficam paralisados e esperam a resposta de Gordo. Gordo demora um pouco e solta:

- E-ele...ele tá de perfil.
- Sim, acertou! Mas ele tá mostrando a lateral esquerda ou direita?
- É...é...direita?
- Infiel!

Abacate dá um tiro no rosto de Gordo. O corpo obeso do traficante cai em cima do corpo de Chapeleta. Abacate se vira para os outros gerentes:

- Quem for infiel tem que morrer! Deus odeia quem não tem fé! Aleluia, irmãos!
- [Todos em coro] Aleluia! Aleluia!!!
- Enxergam Cristo nessa mancha de sangue?
- [Todos em coro] Sim! A face esquerda! A face esquerda!
- Ótimo! Vocês são meus irmãos. E já que estamos aqui, vou soltar dois avisos. Primeiro: vamos continuar mexendo com o tráfico. Temos família pra sustentar, né? Segundo: fiquem sabendo que algumas regras vão mudar por aqui. Somos traficantes, mas somos servos de Deus. Chega de putaria! Em breve eu digo quais são as novas leis aqui na comunidade. Agora vocês podem voltar para as bocas. Ah, outra coisa: Abacate morreu. De hoje em diante eu quero ser chamado de Wilson Cristo. Entenderam? Wilson Cristo! Amém...
- [Todos em coro] Amém! Amém!

Os traficantes olham atônitos para Abacate e aguardam ele se retirar do local. Em seguida cada um toma o seu rumo.


Aguardem novos espisódios!