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segunda-feira, 16 de setembro de 2013

As aventuras espaciais do Capitão Rogers #3

Mongolons

"Diário de Bordo nº 999.675.901.234.567.893.098.564.230.888.904.145.785.239.969.666.023.000.

Eu, Capitão Rogers, estava com a nave Chevett 77 na Zona F e tentava sintetizar maconha no sintetizador de alimentos enquanto instruía comandos para K.U.H, nosso querido andróide que havia sofrido um upgrade recente..."

- [Rogers] K.U.H, me escute com atenção. O que vou sintetizar aqui é segredo, ok? Não conte para ninguém, muito menos para aquele xarope do Hamilton! Isso aqui é para minha...dieta vegetariana, beleza?
- Birí-birí.
- O que estou fazendo aqui é altamente confidencial. Código de segurança 9! Entendido?
- Birí-birí.

Após inserir alguns comandos no sintetizador de alimentos, surge um tijolo de maconha de 3 quilos no prato do sintetizador.

- Ah! Sabia que dava certo! UHU!
- Birí-birí.

Rogers arranca uma porção de maconha do tijolo e o enrola em uma folha de jornal. Enquanto tenta acender o cigarro, ouve-se um sinal de alerta dos alto-falantes:

- ALERTA VERMELHO! ATAQUE INIMIGO! ALERTA VERMELHO! ATAQUE INIMIGO! ALERTA VERMELHARRGHHHHHHHH...!

Rogers puxa K.U.H pelo seu braço mecânico e corre em direção a ponte de comando. Ao chegar lá, vê toda a tripulação em estado de alerta e Comandante Hamilton suando frio.

- [Comandante Hamilton] Capitão, estamos sendo atacados pelos Mongolons! Estamos em sério perigo!
- Está tudo sob controle, Hamilton. Envie os caças Opala para o ataque. K.U.H irá comandar o esquadrão!
- O quê?! O senhor tem mesmo certeza disso??
- Fique tranquilo, Comandante. Foi instalado o chip cerebral MSX-69 em nosso adorável andróide. Eles está 100 vezes mais inteligente e veloz do que antes. Ele é capaz de falar mais de 7.900.675 línguas, incluindo Esperanto e DOS, além de...

Ouve-se uma explosão próxima do setor de cargas da Chevett 77. A nave chacoalha e saem faíscas dos controles.

- [Rogers] RÁPIDO! TODOS PARA OS POSTOS DE ATAQUE! VAMOS ACABAR COM ESSES MALDITOS MONGOLONS! ACABE COM ELES, K.U.H! HO!
- [ K.U.H] Biri-biri.

A tripulação presente na ponte de comando solta um grito de guerra e muitos deles se dirigem ao hangar. Os pilotos entram rapidamente nos caças Opala e decolam em disparada. K.U.H é o único que decola de ré.

Ao redor da nave um combate feroz se inicia, com caças Opala trocando disparos com caças Mongolons. Comandante Hamilton observa o combate pelo telão:

- Capitão Rogers, olhe isso! K.U.H está completamente descontrolado!
- Claro, comandante. Com o novo chip cerebral nosso andróide está mais agressivo e audacioso em combate.
- MAS ELE ESTÁ ATACANDO NOSSAS PRÓPRIAS NAVES!
- É um efeito colateral de um combate desse nível. Fique tranquilo.

Pelo telão a ponte de comando vê K.U.H destruir todos os caças Opala e iniciando um ataque contra a nave Chevett 77. 

- [Comandante Hamilton] Oh, Deus! E agora?! Esse robô imbecil irá nos destruir!
- [Rogers] Relaxa, mano! Ele deve estar testando novas táticas de combate. Esse ataque de K.U.H será praticamente inofensivo.

Ouve-se um grande explosão. O navegador Pereira entre em desespero.

- CAPITÃO! K.U.H disparou um torpedo e destruiu nossos motores! Para piorar, estamos indo na direção daquele buraco negro ali [aponta uma posição no mapa estelar]!!!
- [Rogers] Significa..?
- Significa que vamos morrer, PORRAAAAA!!!

Rogers percebe o desespero da população e pega o microfone.

- Tripulação, aqui é o capitão falando. Bem, tenho uma novidade meio chata para contar: fomos atacados e nossa nave se dirige perigosamente para um buraco negro. Resumindo: acho que agora fudeu.

Alguns choram. Outros gritam em pânico. Rogers abre sua gaveta na ponte de comando, retira um pote de Nutella pela metade e lambuza seu dedo indicador. Enquanto lambia o doce em seus dedos, percebe que há uma mensagem em código sendo enviada pelos canais de comunicação. Seus olhos brilham.

- Tripulação...[chupando o dedo], hummmm, uma notícia para alegrar geral: K.U.H está mandando uma mensagem em código trinário dizendo que AMA TODOS NÓS! Não é lindo, gente?
- Ai, que fofo!
- [Mulheres, em coro] Uoooooooooooo!

A tripulação se emociona com a notícia de Rogers e todos se abraçam comovidos. Comandante Hamilton tenta segurar o choro enquanto a nave Chevett 77 some no meio do buraco negro.


quinta-feira, 29 de março de 2012

As aventuras espacias do Capitão Rogers #2

K.U.H


"Diário de bordo nº 338.980.569.234.167.938.045.236.457.389.222.666.967.

Eu, Capitão Rogers, descobri uma maneira de criar Cuba Libre no sintetizador de alimentos. Resolvi comemorar minha nova descoberta bebendo 12 doses sozinho. Tudo corria muito bem, até que fui chamado na ponte de comando. Me dirijo àquela joça de lugar às pressas..."

- [Acendendo um cigarro Continental do lado contrário] Aê...ic...o que tá pegando?

Comandante Hamilton encara Rogers com um olhar de reprovação.

- [Hamilton] Capitão, o senhor está bêbado?
- Nada. Estou sóóóóbriooooooooooooooo!
- [Franzindo a testa] Hum...Bem, acabamos de descarregar todos os lotes de abacate e jujuba na colônia KY-699. Para onde vamos agora?
- Ic...não venha com pergunta difícil nessa hora!
- Pergunta difícil?
- Porra...ic...bota o K.U.H para escolher o novo destino. Tudo é eu nesse cacete!
- Você é o capitão, oras!
- FODA-SE! K.U.H, você tá no comando! Ic...

K.U.H se aproxima dos controles andando de costas. De repente o robô retira um plug da lateral da cebaça e o conecta no controles da nave. A Chevette 77 imediatamente entra no hiperespaço.

- [Capitão Rogers] Num falei?! Esse robô é foda! Vou dar um cochilo...me acordem quando a gente chegar na próxima parada. Faloura.
- [Hamilton] Senhor, para onde o K.U.H está nos levando?
- Relaaaaaaxa! Tá tudo certo aí K.U.H?
- [K.U.H] Birí-birí.

[9 horas depois...]

Hamilton, em pânico, acorda o Capitão Rogers.

- Capitão! Capitão!
- Zzzzzz...qual é..?
- Capitão, viajamos pelo hiperespaço por mais de 9 horas! Veja com seus olhos onde paramos!
- É? Eu quero IBAGENS! IBAGENS! Na tela!

Rogers e todos na ponte olham assustados para o que vêem. Pela tela é possível ver todo o espaço sideral com uma cor rosa e com nuvens multicoloridas cintilando por todos os lados. Pequenos pontos brilhantes voam como vaga-lumes ao redor da nave.

- [Rogers] Que porra é essa?

O navegador Pereira interrompe.

- Senhor, fomos parar em um ponto totalmente desconhecido do espaço! Creio que estamos no meio de uma galáxia em estágio inicial de formação. A nave só parou aqui porque o motor nuclear se esgotou! Esse puto do K.U.H é maluco!
- [Rogers] Você confirma isso, K.U.H?
- [K.U.H, enfiando a mão dentro de uma xícara de café] Birí-birí.
- [Rogers] Tá, Pereira, e daí?

Hamilton se intromete na conversa.

- E daí? E DAÍ?! Capitão, estamos a 800 milhões de anos luz da colônia mais próxima! E ainda estamos com o motor sem energia e no meio do NADA!
- Porra, essa nave não é flex? Liga o gerador a diesel!
- Você pediu para trocar todo o diesel por Guaraná Jesus no último posto, esqueceu?
- E aí?
- E AÍ QUE NÓS TODOS VAMOS MORRER!
- Manda um pedido de socorro aí, pô.
- Pedido de socorro? Se enviarmos algum, ele vai demorar em torno 500 anos para chegar no posto da Federação mais próximo! ISSO AQUI É MORTE CERTA!

Os membros da ponte entram em desespero. Alguns começam a chorar, outros começam a discutir e brigar. Rogers percebe a tensão no ambiente e pega o microfone. Ele envia uma mensagem para toda a nave:

- RAPAZIADA, AQUI É O CAPITÃO ROGERS! A SAUNA TÁ LIBERADA E A NUTELLA NO PÃOZINHO DEPOIS DAS 18H TAMBÉM! É NÓIS, MANO! A QUALQUER MOMENTO A GENTE CHEGA NA BASE. DESLIGO.
- [Todos na nave] AÊÊÊ!!! UEBA!!!

Hamilton, atônito, coloca as mãos na cabeça e tenta pensar numa maneira de voltar para casa.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

As aventuras espaciais do Capitão Rogers # 1



"Diário de bordo nº 135.894.876.098.345.862.098.456.234.098.000.235.871.999.

Esse é o quarto ano de viagem interplanetária da nave Chevett 77 em sua missão de descobrir novos mundos, civilizações, galáxias, drogas, muamba...e o que mais aparecer pela frente. Eu, Capitão Rogers, estava mostrando ao novo robô, K.U.H , todos os complexos equipamentos da nave, mas as coisas não fluíam muito bem..."

- [Rogers] Esse aqui é o nosso sintetizador de bebidas. Se você apertar o botão "uísque" aparece uísque. Se apertar o botão "cachaça" aparece cachaça. Para Leite de Onça, aperte o botão "Leite de Onça" e...pronto! Viu? É bem complicado, mas você pega o jeito.
- Birí-Birí.
- Pois então, quer tentar?
- [Imóvel] Birí-Birí.
- Chega mais perto. Pode testar...
- [Imóvel] Birí-Birí.
- PORRA! QUAL É A TUA?
- [Andando em círculos] Birí-Birí.
- Puta merda...

De repente, um sinal de alerta é ouvido em toda a nave.

- [Alto-falantes] CAPITÃO ROGERS, NECESSITAMOS DO SENHOR NA PONTE DE COMANDO! CAPITÃO ROGERS, NECESSITAMOS DO SENHOR NA PONTE DE COMANDO! CAPITÃO ROGERS...

Rogers se dirige a ponte de comando às pressas. O robô K.U.H o segue. Ao entrar na sala, Rogers sente um clima de tensão no ar.

- [Acendendo um cigarro Derby 2000] O que tá pegando?

Comandante Hamilton vira sua cadeira em direção a Rogers.

- Capitão, veja a tela. Temos essa nave à deriva enviando um sinal para nós. Tudo indica que...
- DISPAREM LASERS, PHASERS E TORPEDOS! DISPAREM TUDO! TUDO!!!
- Senhor, eu ainda não acabei de falar: eles estão enviando um pedido de AJUDA!
- Como você sabe disso? Que língua esses putos falam?
- Não sei. Mas esse é o sinal universal de S.O.S. Ei, K.U.H, pode confirmar esse sinal para nós?
- [K.U.H, tentando atravessar uma porta fechada] Birí-Birí.
- [Hamilton] Bem...acho que ele concorda comigo. E então, Capitão?

Rogers coça o queixo e fica pensativo olhando para a tela. Ele dá uma lenta baforada no cigarro.

- [Rogers] Disparem um tiro de advertência. Mirem nos motores.
- [Hamilton] Senhor, mas eles estão À DERIVA. Os motores não funcionam!
- Bah, isso é puro fingimento! FOGO!

Um torpedo é disparado. Ao atingir a nave, ela explode em dezenas de pedaços.

- [Rogers] Caralho! Eu falei um tiro de advertência! PORRA!!!
- [Hamilton] Errrr...Capitão, estamos recebendo um sinal da Federação. Eles estão perguntando se vimos uma nave de refugiados do planeta Bukakki. A nave estava lotada de crianças e velhos...e pelas características, tudo indica que é a nave que o senhor acabou de destruir!
- Eu? Tenho nada a ver com isso, cara pálida. Coloque no relatório que eu estava dormindo. E bote a culpa no K.U.H!
- [K.U.H] Birí-Birí.

Todos na ponte encaram Rogers com cara de espanto. Rogers pega o microfone e manda uma mensagem para a toda nave.

- AQUI É O CAPITÃO ROGERS! ESTOU LIBERANDO SALSICHA NO MACARRÃO E TORRESMO ATÉ A PRÓXIMA SEMANA. TÁ TUDO DOMINADO! DESLIGO.
- [Todos na nave] EBAAAAAA!!!! UHUUUUUUU!!!

Hamilton olha para a cena boquiaberto.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

CONTOS DEMENTES - Lendas da Terra Baixa




Episódio de hoje: A resposta de todas as perguntas

Versão brasileira: Rocco and Siffredi Estúdios


Um clarão aparece no meio de uma floresta de árvores gigantescas. No meio dela surgem nossos heróis, totalmente desorientados.

- [Adam] Por Crom! Onde estamos?
- [Belanus] Meu portal mágico nos trouxe para essa floresta isolada. Depois da merda que o Pedronas aprontou em Metrowood, só sobrou essa opção.
- [Pedronas] Eles que mexeram com Pedronas. Pedronhas só matou quem gritou com Pedronas.
- [Malakus] Caralho, eu tô zonzo! Esse portal dá a maior lombra, Belaninhu!

Adam coloca a mão na cabeça e se senta em um tronco de uma árvore caída. Ele se mostra desolado:

- Por Deus! Em Metrowood iríamos conseguir mais pistas do paradeiro de Sylvia, mas o máximo que conseguimos foi mais morte e destruição! Isso não pode ser! NÃÃÃÃOOOOOOO!!!!

Malakus se agacha ao lado de Adam e coloca a mão em seu ombro:

- Adão, merdas acontecem! E saca só: você não acha que estamos perdendo muito tempo com essa mina? Essa piranha da Sylvia deve...
- Piranha? NÃO FALE ASSIM DE UMA INOCENTE DONZELA EM PERIGO!
- Tá bom, essa DONZELA deve ter virado carvão agora. A gente nem sabe pra que lado tá essa mina. Aceita um toque, na brodagem? A gente vai num cemitério, descola um crânio, arranca os dentes e mostra para o prefeito de Bokat dizendo ser os restos da filha dele. A gente fala que ela foi queimada pelos sequestradores, soltamos um caô que fizemos o possível pra evitar essa merda e pegamos a grana. Que tal?
- Prezado companheiro, você está propondo algo vil e repulsivo. Você quer que façamos uma trapaça! Isso é impersoável e inaceitável! Somos heróis e o mal deve ser...

[20 minutos depois...]

- ...e devemos continuar com a meta de salvarmos Sylvia! Meu coração diz que ela ainda está viva e clama por ajuda. Devemos avançar, SEMPRE AVANÇAR!
- [Malakus, de saco cheio] Beleza, Adão! Mas a gente não tem pista nenhuma, mano! E ainda tem aquela porra do clã dos ciganos na nossa cola. Sem falar nos soldados de Truculand, que querem nossa cabeça depois daquela treta com os cavalos...
- [Pedronas, lambendo os lábios] Cavalo gostoso!
- [Adam] Isso foi um erro GRAVE de vocês! Malakus, você nunca deveria ter roubado aqueles cavalos! O roubo denigre a alma e envenena os bons corações! E Pedronas, nobre amigo, você nunca deveria ter devorado aqueles animais. Temos dinheiro para uma comida digna e...

[25 minutos depois...]

- ...o bem sempre prevalecerá!!!
- [Malakus] Tá, tá! Então outra idéia: a gente vai a Bokat e desiste oficialmente do trampo. Que tal? Aí a gente diz que se esforçou ao máximo, pegamos uma grana de consolação e torramos tudo num puteiro. E aí? Afinal, todo mundo sabe qual é o negócio!
- [Adam] Prostitutas? JAMAIS! Mulheres que vendem seus corpos estão violando sua alma e manchando a honra de suas famílias! Nós...

[30 minutos depois]

- ...o bem prevalecerá! SEMPREEEEEE!!!
- [Malakus] TÁ BOM, PORRAAAA!!! TÁ BOM!!! Já entendi! Caralho, tu não topa nada. Cara chato do cacete...

Belanus, que estava encostado em uma árvore de braços cruzados, observa a conversa com olhar de tédio:

- [Belanus] E então? O que a gente vai fazer?

Pedronas levanta o braço e começa a pular.

- [Belanus] Pedronas, o senhor quer falar alguma coisa?
- [Pedronas] Pedronas está com fome! Mas antes, Pedronas quer mijar.
- Oh! Era tudo o que a gente queria ouvir agora.

Pedronas vai para a beira de um barranco se aliviar. No momento em que abaixa suas calças, o bárbaro se desequilibra e desliza barranco abaixo. "PEDRONAS!", grita Adam. Todos vão para a beira do barranco e gritam repetidamente o nome do bárbaro, que não responde.

- [Adam] Temos que descer esse barranco e resgatar nosso nobre amigo! Nós somos unidos e nunca de...
- [Malakus] TÁÁÁÁÁ, PORRAAA!!! Desce logo aí!

Malakus retira uma corda de sua mochila e todos descem vagarosamente pelo barranco. Ao chegarem no fundo do barranco, uma surpresa: Pedronas está ferido e sendo abraçado pelos galhos de uma árvore gigantesca, que tinha um rosto quase humano no centro de seu tronco.

- [Malakus] Caralho! Que porra é essa??
- [Belanus] Essa é uma...ABACATÁRVORE! Essa é uma criatura milenar, meio animal e meio vegetal.
- E daí?
- E daí que ela tem milhares de anos de vida. Além disso, ela sabe a resposta de todas as perguntas imagináveis, segundo as lendas élficas.
- [Adam] E por que ela está abraçando o Pedronas?
- [Belanus] Ela quer ajudar. Essas criaturas são muito prestativas...e ela pode nos ajudar com a Sylvia!
- [Malakus] Aquela piranha maldita?
- [Adam] Nunca diga isso de...
- [Malakus] Tááááááá!!!

Continua...


quinta-feira, 3 de março de 2011

CONTOS DEMENTES - Lendas da Terra Baixa


Adam

Episódio de hoje: A fúria é um sentimento de raiva extrema

Versão brasileira: Rogéria Estúdios


Após uma luta violenta, nossos bravos heróis vão na direção da taverna Bigode Ruivo para relaxarem e tentarem descobrir novas pistas do paradeiro de Sylvia, a filha do prefeito de Bokat. Todos estavam exaustos, suados, cobertos de sangue e com restos de baratas espalhados pelo corpo. Pedronas é o primeiro a entrar na taverna.

- É O PEDRONAS!!! FUJAM PARA AS MONTANHAS!!! AHHHHHHHHH!!! - grita um senhor que bebia ao balcão.

Várias pessoas também entram em pânico e fogem. Pedronas fica paralisado e puxa o braço de Malakus.

- Por que as pessoas sempre fogem gritando meu nome?
- É que...é...elas te curtem, grandão. É isso.
- Gostam de Pedronas e fogem?
- É muita emoção quando te olham, saca?
- Por que?
- Por que é!
- Por que?
- Grandão, por que você não pergunta isso pro Adam? Ele adora te explicar as coisas, já percebeu?
- É!

Adam finge que não escuta os insistentes chamados de Pedronas e se encosta no balcão. Ele grita pelo atendente.

- [Adam] Taverneiro, uma caneca de leite. E RÁPIDO!
- [Belanus] Leite?
- Sim. O álcool envenena a alma.
- A cerveja daqui é excelente, mas você que sabe. Aliás, você não acha que deveríamos tomar um banho e nos cuidarmos um pouco? Estamos um nojo depois da última luta. Olha, tem pedaço de barata até no meu cabelo!
- [Malakus] Culpa sua. Bichona maldita.

Belanus ignora Malakus e continua a conversa com Adam, que responde eufórico:

- Nunca devemos nos desviar de nossa missão. JAMAIS! Uma inocente está em perigo e todo o tempo que temos é precioso! Temos que procurar por pistas urgentemente. O tempo urge! O Bem sempre triunfa no final! AVANTE, AMIGOS!
- Tá, tá! Bem, vou tomar um banho e relaxar na sauna daqui. Recomendo a massagem com pedras aquecidas e óleos aromáticos. Aqui também tem o melhor creme com esperma de troll de toda a Terra Baixa. Sua pele ficará como um veludo.
- Boa diversão para você, feiticeiro. Aproveite! Mas saiba que não podemos demorar muito nessa cidade. Sylvia clama por ajuda e nós te...
- TÁ!!! Vou indo.

Belanus sai da taverna às pressas. Pedronas, que estava olhando para o teto ao lado de Adam, fica repentinamente furioso e começa a esmurrar o balcão.

- [Pedronas] Quem era aquele anão que queria comer Pedronas? QUEM? QUEM?????
- [Malakus] Grandão, fala baixo. O povo aqui tá ficando assustado contigo.
- Quem era aquele anão que queria comer Pedronas? QUEM? QUEM?????
- Calma! Tá todo mundo olhando!
- Quem era aquele anão que queria comer Pedronas? QUEM? QUEM?????
- ...

O taverneiro se aproxima devagar de Pedronas:

- Bárbaro, eu sei de qual anão você está falando. Esse anão usa muletas e queria...hum...te violentar, não?
- Violentar? Não! Ele queria me comer!
- [Franzindo a testa] Bem...estamos falando da mesma pessoa. Olha, vou te falar quem ele é, mas você jura que não vai fazer nada contra ele? Ele é uma pessoa doente e perturbada. Depois que o filho dele foi devorado por ogros, ele percorre as ruas de Metrowood se masturbando e tentando violentar as pessoas, sem sucesso. É um pobre coitado.
- E QUEM É ESSE MALDITO?
- Jura que não irá fazer nada com ele?
- É!
- "É"?O que você quer dizer com isso?
- É!!!
- Bom, enfim: ele é dono da sauna e casa de massagens da rua em frente. É para lá que seu amigo feiticeiro foi.
- O Belanus? Hum, eu vou lá então. OBRIGADO!

Pedronas dá um tapa no ombro do taverneiro como sinal de agradecimento. O tapa é tão forte que o taverneiro se desequilibra e cai de boca no balcão. "Ele não tem noção da própria força. Por favor, releve. Ele tem um bom coração", diz Adam para o taverneiro. O taverneiro olha para Pedronas, que sai da taverna gritando, enquanto limpa o sangue do canto da boca com um pano úmido. Pouco depois de Pedronas sair, Belanus entra na taverna correndo.

- [Malakus] Belaninhos, você não ia para a sauna se curtir?
- Ia. Mas o sol agora está muito forte nessa hora e vai danificar minha pele. Vou mais tarde, após as 18h.
- Ai minhas bolas...

Malakus se distancia e pede uma caneca de vinho. Duas belas moças que observavam Adam à distância se aproximam dele. Ambas usavam roupas decotadas e provocantes, além de um perfume de cheiro muito forte.

- Olá, cavaleiro. Está sozinho?
- Oh, sim! E as senhoritas? Estão acompanhadas?
- [Fazendo cara de safada] Não...mas podemos ficar.
- Ah, os maridos das senhoritas estão chegando para lhes fazerem companhia?
- Não, somos solteiras. Quando falamos em ficarmos acompanhadas, estamos nos referindo a você.

A moça morena se aproxima de Adam e passa a mão em sua coxa.

- [Moça loira] E então, cavaleiro? Vamos?
- Vamos?! Mas para onde?
- Nos curtir. Eu, você e minha amiga. Será uma de-lí-ci-a...
- Curtir? Como assim?
- Cara, você tem algum problema? Estamos falando de sexo, SEXO!
- Ah, sim, claro! Haha...onde eu estava com a cabeça? Estou tenso com uma missão e...bem....
- [Abraçando Adam] Ok, guerreiro. Entendo sua tensão. Mas estamos aqui para relaxar e gozar a vida. O que você gosta de fazer com uma mulher?
- Bom, gosto de amar uma mulher em toda sua intensidade, sentir seu perfume, passear pelas matas declamando poesias para a amada, fazer um jantar com frutas secas e...
- [De saco cheio] Acho que você não entendeu DE NOVO o que estou falando. Mas resumindo: sexo vaginal, 30 moedas de ouro. Com anal, 50. Só oral, com direito a eu e minha amiga engolirmos sua porra, 25. Sexo bárbaro, com fezes, sangue, areia e urina, 90. Inversão de papéis, com a gente te comendo com um pinto de madeira, 120. Outras modalidades a gente pode negociar, mas eu cobro caro.
- Mas o que é isso?! V-Vocês são prostitutas? Vocês vendem seus corpos em troca de dinheiro?? POR ODIN, MAS ISSO É UM ULTRAJE!
- Cara...tu tem algum problema?
- Eu não posso permitir isso! Belas moças expondo seus corpos de uma maneira vil e degradante. ISSO TEM QUE PARAR AGORA! [Puxando a espada na direção do taverneiro] MORRA, CRIATURA MALIGNA!

Malakus, que bebia na ponta do balcão, corre na direção de Adam.

- Adão, tu tá doidão? Olha a merda que você tá fazendo, mano!
- Não posso permitir essa devassidão e crueldade com duas belas donzelas! A JUSTIÇA E O BEM DEVEM PREVALECER PARA SEMPREEEEEEEEEEEEE!!!
- Porra, donzelas? Essas minas tão mais arrombadas que vacas parideiras! Cara, acho melhor tu relaxar. Tá todo mundo ficando assustado! Relaxa, Adão.

No mesmo instante entra Pedronas na taverna com sua espada em punho. Seu corpo estava coberto de sangue.

- [Adam] Amigo Pedronas, o que aconteceu com você? Quem te feriu?
- Feriu? Ninguém fere Pedronas.
- Mas e todo esse sangue? Você está ferido!
- O sangue não é meu.
- [Malakus] Ai, ai...o que você fez na sauna?
- Fui falar com o anão que queria me comer.
- E..?
- Falei "você queria comer Pedronas?". Daí matei ele. Espadada na cabeça. Ele caiu feito abacate no chão. Tchibum!
- [Adam] Mas e todo esse sangue no seu corpo?
- Uma moça que trabalhava na sauna me viu matando o anão e gritou. Matei ela. Um segurança veio me enfrentar, matei ele. Outro segurança veio, matei ele. Um velhinho saía da sauna para se vestir, matei ele. O garçom passou correndo, matei ele. Uma mariposa pousou na parede, matei ela. E foi indo. Sangue em mim é de quem morreu.
- [Adam] Bárbaro, por que você fez isso? Meu deus!!!

O taverneiro bota a mão na testa e se vira para Pedronas.

- [Taverneiro] Bárbaro, você disse que não faria nada com o anão! Por Crom, você me enganou! AHHHH!!!!

Enquanto nossos bravos heróis conversavam, uma multidão se aglomerava na entrada da taverna Bigode Ruivo. Quase todos seguravam tochas e foices nas mãos. "MATEM PEDRONAS! MATEM PEDRONAS!", gritava a multidão. Pedronas fica descontrolado com os gritos e tenta correr na direção da multidão para matar todo mundo, mas é impedido por Adam e Malakus. Belanus, que estava distante, se aproxima limpando as unhas.

- Olha, não sei se você repararam, mas graças a esse SELVAGEM teremos que fugir dessa cidade. E depressa. Também vou ficar sem minha sauna, massagens e banho de sais. Obrigado!
- [Adam] Mas como vamos fugir? A multidão cercou a taverna!

Belanus estala os dedos e um portal dimensional se abre no meio da taverna. O portal era de uma luz amarela intensa, que cegava quem tivesse muito próximo.

- [Belanus] Vamos? O portal não vai ficar aberto por muito tempo. Ele vai nos tirar daqui.
- [Pedronas] Povo quer matar Pedronas! Pedronas vai matar eles primeiro! GRRRRRRRR!!!
- [Malakus, segurando Pedronas] Grandão, fica quieto! Bora nessa!

Adam, a contragosto, entra no portal e some em seu interior. Belanus entra em seguida, puxando Pedronas com uma corda mágica. Malakus, que ficou por último, roubava várias garrafas de bebida antes de entrar no portal.

- [Taverneiro, em pânico] Mas e quanto a mim? Essa multidão vai acabar com minha taverna! ESTOU PERDIDO!!!
- Vai conversando com a galera. Quando a gente voltar nóis dá um jeito.
- E por que vocês não ficaram para me ajudar???
- Cê tem que ver o nosso lado, mano! FUI!

Malakus some no interior do portal. A última cena que ele vê é a multidão furiosa entrando na taverna e colocando fogo em tudo.

Continua...


quarta-feira, 7 de julho de 2010

CONTOS DEMENTES - Lendas da Terra Baixa




(Se você não leu os episódios anteriores ou não se lembra de porra nenhuma, clique aqui)


Episódio de hoje: Combate mortal de morte

Versão brasileira: Esmegma Filmes


Nossos bravos e destemidos heróis estavam completamente cercados em Metrowood. Além dos cavaleiros da guarda real de Truculand, havia também um grupo de mercenários e um estranho anão de muletas que se masturbava olhando para Pedronas. A situação estava tensa...mas Adam tentava acalmar os ânimos:

- Calma lá, caros forasteiros. Podemos resolver isso sem o derramamento inútil de sangue! O diálogo é a base do entendimento e da compreensão desde a...
- [Malakus] Porra, Adão! VÁ TOMAR NO SEU CU! Tá todo mundo com espada na mão querendo nossa cabeça! Que porra de conversa tu acha que vai resolver essa treta?? CARALHO! Belanus, solta logo uma magia responsa nesses filhos da puta! [Puxando sua espada curta] PORRADAAA!!!
- [Belanus, conjurando uma magia] Macumbus malignus fodas capetus!

Pedronas puxa sua espada de 18 kg e, com um único golpe, divide o corpo de um mercenário ao meio na altura de sua cintura. Sangue e tripas jorram em todas as direções. Malakus, por sua vez, enfia sua espada em um pequeno vão da armadura de um dos guardas de Truculand e consegue dilacerar seu testículo esquerdo. O guarda urra de dor e cai de joelhos no chão. A briga logo se torna generalizada...e Adam se vê forçado a puxar sua espada e atacar o inimigo mais próximo. "Vamos dialogar, meus caros! O diálogo é a fonte de união e paz entre os povos", repetia Adam diversas vezes, enquanto se defendia de espadadas e chutes.

Belanus, por outro lado, acaba de conjurar sua magia, fazendo pequenas luzes amarelas surgirem em torno de suas mãos. Logo em seguida, roseiras brotam dos chãos e se enrolam ao redor do corpo de todos os inimigos que atacavam, com exceção do anão tarado. Malakus, que lutava contra três mercenários ao mesmo tempo, fica transtornado:

- Roseiras?! Tu demora esse tempo todo para fazer roseiras se enrolarem nos caras? Mas que bela merda, hein?
- [Belanus] Não seja grosseiro e repulsivo, ladrão. As roseiras estão segurando os inimigos e os ferindo com os espinhos. Uma magia elegante.
- Elegante?? Tá todo mundo cortando as roseiras em pedaços! Solta uma magia de homem aí, tipo uma bola de fogo ou um raio vindo do céu! Ou invoca alguma criatura para arrebentar esses caras! [Se defendendo de uma espadada] VIRA HOMEM, PORRAAAA!!!
- Invocar alguma criatura? Hum, idéia interessante. Despachus satanikus farofus exuzis!

Enquanto conjura sua magia, pequenas bolas de energia luminosa surgem em vários pontos diferentes. Quando elas desaparecem, beija-flores se materializam em seu local.

- [Belanus, fazendo biquinho] VÃO, MEUS GUERREIROS! ATAQUEM NOSSOS INIMIGOS COM TODA SUA FÚRIA! RIIIIÁÁÁÁÁ!
- [Malakus, degolando um inimigo] Beija-flores?? Puta que...

Os beija-flores partem para cima dos inimigos e começam a voar ao redor de suas cabeças, bicando suas orelhas e narizes.

- [Adam] Os beija-flores estão deixando nossos adversários confusos! Ataquem com tudo, caros amigos!
- [Malakus] Deixando os caras confusos? Porra, só com uma espadada o careca ali já matou uns quatro beija-merdas! Belanus, finge que é homem e invoca outra coisa MAIS FODA! Porra!!!
- [Pedronas, decepando a perna de um guarda real] Hum, beija-flor no espeto é gostoso! Nham!
- [Belanus] Vocês nunca se satisfazem com nada, humpf! Mas agora vocês vão ver! Invocus esgotus bichorum estranhus!

Após um clarão, centenas de baratas voadoras surgem ao redor da batalha, voando freneticamente em todas as direções. O anão de muletas entra em pânico e sai correndo desesperado. Um dos guardas de Truculand cai no chão berrando feito uma criança:

- EU ODEIO BARATA VOADORA! ODEIO!!!! AHHHHHHHHHHHHH!!! AHHHHHHH!!!
- [Adam, lutando contra dois mercenários] Calma, lá, guerreiros! O diálogo é a base da compreensão entre os povos! Eu...[uma barata entra na sua boca] ROAAS NOAAGG RORSHHHH...
- [Malakus] Barata voadora? BARATA? PORRRAA!!!!
- [Belanus, espantando as baratas] SAI, BARATA! SAI, BARATA!! SAIIII!!!

Não demora muito para a batalha chegar ao fim. Os poucos inimigos que sobreviveram fogem em retirada, com centenas de baratas voadoras em seu encalço. O último mercenário vivo era espancado por Pedronas com um braço decepado. O braço era do próprio mercenário.

- [Adam, gritando para Pedronas] Calma, bravo amigo! Podemos obter informações preciosas desse homem. Vamos interrogá-lo!
- [Pedronas] Vamos o quê?
- Interro...ah, esqueça! Apenas pare de espancá-lo. Deixe que eu falo com ele.

Pedronas se afasta e joga o braço decepado longe. Adam se aproxima do mercenário, que tentava estancar a hemorragia de seu braço amputado.

- [Adam] Me responda: quem mandou vocês acabarem conosco? FALE!
- [Ofegante] Não falo! Estou praticamente morto...urgh...e se eu falar alguma coisa terei uma morte lenta e dolorosa. Ungh...
- O mandante desse ataque covarde é quem está com a filha do prefeito de Bokat? FALE, MALDITO!

O mercenário cospe sangue no rosto de Adam. Adam limpa o rosto com as mãos trêmulas.

- Pelo visto, nobre guerreiro, terei que apelar para métodos vis de interrogatório. Sinto muito, mas serei obrigado a torturá-lo! A tortura é uma prática condenável, reduz os seres humanos a pó, degrada nossa dignidade e...

[18 minutos depois...]

- ...faz pensar no sentido de tanta violência sem sentido! Pai, me perdoe! Pedronas, levante ele pelo pescoço. Mas faça isso vagarosamente.
- [Pedronas, arregalando os olhos] ÔBA!

Pedronas avança na direção do mercenário e o levanta pelo pescoço com toda sua força. Um som de osso se partindo é ouvido.

- [Adam] PEDRONAS! VOCÊ QUEBROU O PESCOÇO DELE!
- Não era para torturar? [Chacoalhando o corpo do mercenário] FALA COM PEDRONAS! FALAAAA!!!
- Torturar não é matar! Eu falei para você levantar VAGAROSAMENTE!

O mercenário estava com o rosto roxo e a língua pendurada do lado de fora da boca. Pedronas parecia não perceber isso.

- [Belanus, limpando as unhas] Eu teria feito coisa melhor. Enfim...
- [Pedronas, segurando o corpo do mercenário pelo pescoço com apenas uma mão] FALA COM PEDRONAS! VAI, FALA! FALA! FALA, COM PEDRONAS!!!

Adam coça a cabeça e respira fundo.

- Pedronas, pode largá-lo. Ele...ele não vai mais colaborar com a gente. Vamos investigar essa cidade. Podemos achar alguma pista do sequestrador de Sylvia.
- PEDRONAS QUER A CABEÇA DAQUELE ANÃO ALEIJADO! ELE QUERIA COMER PEDRONAS! GRRRRRRRRR!!!
- Tudo a seu tempo, bárbaro. Vamos embora.

Nossos impávidos heróis vão na direção da taverna Bigode Ruivo, deixando para trás vários corpos dilacerados cobertos com restos de beija-flores e baratas esmagadas. Belanus continua resmungando:

- Eu teria torturado melhor aquele mercenário. Há uma magia especial para aquela ocasião!
- [Malakus] Me chupa.
- O que??
- Nada.


Continua...

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

CONTOS DEMENTES - Lendas da Terra Baixa

Belanus


Episódio de hoje: Armadilha na cidade perfumada

Versão brasileira: Golden Shower Filmes


Os quatro aventureiros seguiam para Metrowood, mais conhecida como a "cidade dos perfumes". Era lá que Belanus pretendia arrumar o visual de seus companheiros com roupas feitas sob medida pelos melhores costureiros de toda Terra Baixa. Sem falar das massagens, tratamentos de pele e cortes de cabelo requintados.

Durante a caminhada, Pedronas cutuca Belanus. O cutucão é tão forte que Belanus quase cai de seu urso dourado:

- Belanus, você é um feiticeiro muito poderoso, né?
- Sim, sou.
- E por que você não usa um feitiço pra descobrir quem sequestrou a filha do prefeito? Num era mais fácil?
- Porque...porque não é assim que a mágica funciona. Simples assim.
- Por que? É só fazer a mágica e PUM! Tudo ficar resolvido! É só Belanus estalar o dedo.
- Não é bem assim, bárbaro.
- Por que?
- Porque não.
- Por que?
- Você pode parar?
- Por que?
- [Adam, interrompendo] Pedronas, será que você pode olhar o nosso saco de comida e contar quantas pipocas ainda sobraram?
- Contar uma por uma?
- Isso.
- É pra já! [Contando as pipocas] Um...dois...dois...cinco...três...sete...seis...quatro...

Belanus se aproxima do ouvido de Adam e fala baixinho:

- Ainda bem que você fez ele ficar quieto. Eu já ia transformar ele em um porco.
- Coitado! Ele é incoveniente algumas vezes, mas é um guerreiro de bom coração.
- [Malakus] Ele é homem também.
- [Belanus, franzindo a testa] O que você quer dizer com isso?
- [Malakus] Nada, nada...

Os intrépidos aventureiros estavam perto de Metrowood e uma mata densa cercava a estreita estrada de terra. De repente, surge de dentro do matagal um velho corcunda vestido com capa e capuz. Ele se aproxima de Malakus vagarosamente.

- Jovem, posso ler sua mão?
- É de graça?
- Sim. Tenho algo importante para lhe dizer.
- Importante? Puta merda...tá, pega aí a minha mão.
- O que tenho para avisar é...RÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁ!

O velho arranca o capuz e puxa uma adaga. Ele aponta a adaga para o pulso de Malakus.

- [Velho corcunda] Me chamo Dimitri. Faço parte do Clã dos Ciganos Suicidas. Esse é o nosso segundo e último aviso para vocês DESISTIREM de procurarem Sylvia! Prestem bastante atenção!

Dimitri solta um assobio. Vários ciganos começam a pular de cabeça das árvores mais altas que estavam ao redor. Todos se espatifam no chão e têm morte instantânea. Alguns caem no meio de nossos heróis, sem atingirem nenhum deles.

- [Malakus] Caralho, tá todo mundo se matando! Mas que cambada de retardado!
- [Adam] Eles querem nos assustar. Mantenham a bravura e a honra. O Mal nunca ofuscará o Bem!
- [Pedronas] O que é "ofuscará"?
- [Adam] ...

Dimitri olha para os quatro aventureiros e todos os seus companheiros de clã que estavam arrebentados no chão.

- [Apontando a adaga na direção de Adam] Só repetindo: esse é o último aviso. MORRRAAAAAAAA!!!

Dimitri enfia a Adaga no próprio ouvido e cai no pés de Adam jorrando sangue pelo nariz.

- [Belanus] QUE HORROR!
- [Pedronas] Belanus, por que você não usou magia para sumir com eles? Era só estalar o dedo!
- Porque...ORA, MAS QUE SACO, DE NOVO ESSA PERGUNTA??
- Tá com raiva?
- SIM!
- Por que?
- [Adam] É...vamos andar depressa para chegarmos em Metrowood, tudo bem? Já está anoitecendo.
- [Belanus] Acho ótimo!

Os bravos aventureiros demoram cerca de duas horas para chegarem em Metrowood. A cidade era belíssima, com ruas bem iluminadas e um agradável aroma de incenso e flores por todos os lugares. Ao chegarem na taverna Bigode Ruivo, três cavaleiros com armaduras negras se aproximam.

- Boa noite, senhores! Estamos procurando um ladrão que teria roubado alguns cavalos da cavalaria real de Truculand.
- [Malakus] Ih, grande, a gente não tá sabendo de nada.
- Mesmo? A aparência que nos deram do ladrão bate exatamente com a sua.
- [Malakus] Jura? Existem muitas pessoas parecidas comigo por aí. A Terra Baixa é imensa. E nem sei que cavalos são esses que você tá falando, parceiro.

Pedronas abre o saco de comida e puxa uma pata de cavalo recém salgada.

- Malakus, eles estão falando dos cavalos que a gente comeu! Esse aqui [mostrando a pata salgada] tinha a coxa mais gordinha.
- [Malakus] Puta que pa...
- [Cavaleiro negro] Vocês estão presos em nome do governador de Truculand! Entreguem suas armas!
- [Adam] Alto lá! Vamos manter a calma. Tudo pode ser resolvido na base do diálogo.

Atrás dos aventureiros surge um grupo de homens musculosos e mal encarados.

- Somos os Mercenários da Zona Norte. Ofereceram uma fortuna pela cabeça de vocês. MORRAAAMMMM!

Para completar, de um beco escuro surge um anão caolho andando com a ajuda de muletas:

- Nham, sempre quis comer um bárbaro [olhando Pedronas e lambendo os lábios]. Deixem o grandão pra mim!


Continua...


quinta-feira, 24 de setembro de 2009

CONTOS DEMENTES - Lendas da Terra Baixa


Pedronas em um momento zen


Episódio de hoje: O mago mais belo do mundo

Versão brasileira: Batata Dublagens


Adam, Pedronas e Malakus estavam na estrada há duas semanas. Eles rumavam na direção da Floresta Viscosa. Adam encontraria nessa floresta o mago Belanus, seu amigo e companheiro de aventuras passadas.

- [Adam] Malakus, estou impressionado com sua presteza e agilidade. Eu dei dinheiro para você nos comprar uma montaria e você nos trouxe esses belos cavalos em menos de 1 hora. Você é realmente uma companhia formidável!
- Disponha, mano. Estamos aí pru que der e vier.
- Esses cavalos são excelentes montarias! Só vi cavalos tão belos assim em um desfile da cavalaria real de Truculand. E...espere um pouco [Adam observa uma marca feita com ferro quente no lombo dos cavalos]: que marca é essa? Esse é o símbolo da cavalaria real! VOCÊ COMPROU OS CAVALOS DA REALEZA?!
- Que mané comprar. Eu peguei emprestado.
- Emprestado? Quer dizer que você ROUBOU esses cavalos??
- "Roubar" é uma palavra muito feia, Adão. Mas se quiser falar desse jeito, tá de boa.
- E o que você fez com o dinheiro que eu te dei?
- Ihhhhhh...o Adão tá estressadão! Relaxa, tio! Torrei a grana com umas paradas da hora. Sente só.
- Meu nome é ADAM!!!
- [Pedronas] Pedronas tá com fome!

Malakus retira um pacote do bolso em forma de tijolo. Ao rasgar um pouco da embalagem, um pó preto com aparência de fumo se torna visível.

- [Adam] Você gastou todo o dinheiro que te dei NISSO? Por acaso isso seria a erva dos anões azuis?
- Queeeee nada! Essa é a versão melhorada. Essa aqui é a secretíssima erva dos ogros. Essa parada é adubada com ovo de dragão e polvilho. Só com um baseado você deixo um exército inteiro louco. Neguinho só volta ao normal no dia seguinte. É doido o bagulho!
- Por Odin! Malakus, isso é ilegal e também é a razão da nossa juventude estar se destruindo! Eu ordeno que você destrua esse pacote, pelo respeito a toda nossa nação e...
- Adão, deixa desse lero-lero, caralho! Porra, tu é muito almofadinha! Relaxa que depois a gente fuma isso aqui. [Falando baixinho] Mas que cara chato...
- Mas enfim, não acabamos o assunto principal: o que vamos fazer com os cavalos da realeza? Podemos ser presos por causa essa montaria. E SERÁ TUDO CULPA SUA!
- A gente pensa nisso depois. Relax, bróder.
- [Pedronas] Pedronas tá com fome!
- TUDO BEM, PEDRONAS! NÓS VAMOS PARAR E COMER! PARE DE REPETIR QUE ESTÁ COM FOME!!!
- [Pedronas] Pedronas tá com fome!

Os bravos aventureiros param na beira da estrada e montam um acampamento improvisado. Pedronas pega o saco onde está guardada a comida. O saco era imenso, mas leve.

- [Adam] O que você comprou de comida para nós? Eu pedi para você variar e comprar produtos diversos.
- Pedronas variou. Pedronas comprou carne seca e pipoca. Veja [Pedronas abre o saco e mostra o conteúdo].
- Pedronas...você comprou quase 6 quilos de pipoca e apenas dois pedaços de carne seca. Você está louco?
- A carne seca tinha acabado na loja. Pedronas queria encher o saco depressa e pensou logo em pipoca. Idéia boa, não?
- Você acha que vamos aguentar comer pipoca por 5 dias seguidos? A carne seca é tão pouca que mal dá para uma refeição. PELO SANTO ODIN!!! Eu vou dormir. Perdi o apetite! Até amanhã para vocês dois.
- [Malakus] Ihhhhhh...o Adão tá estressadão!

Na manhã seguinte, Adam acorda. Ele acorda com um cheiro de carne assada. Malakus, que dormia ao lado, também desperta.

- [Adam] Malakus, que cheiro é esse?
- Parece cheiro de churrasco. E onde tá o Pedronas?
- Boa pergunta. PEDRONAS, CADÊ VOCÊ?

Os dois se levantam e vão atrás do cheiro de carne. Pedronas é encontrado atrás de uma árvore assando uma pata de cavalo. A fogueira soltava labaredas para todos os lados e ameaçava incendiar a vegetação.

- [Pedronas] Bom dia, amigos! Pedronas não quis acordar vocês.
- [Adam] Pedronas, o que você está assando aí?
- O meu cavalo. Pedronas ainda tá com fome.
- VOCÊ MATOU O CAVALO DA REALEZA! POR ODIN! ESTAMOS FERRADOS!!!
- Pedronas tava com fome. Alguém quer um naco?

Adam senta-se no chão desconsolado. Malakus pega um pedaço da carne do cavalo, mastiga um pouco e cospe longe.

- [Malakus] Caralho, grandão. Esse troço é horrível! Prefiro comer carne de gente! E por falar nisso, onde estão os outros cavalos?
- Matei e limpei a carne. A gente vai ter carne pra quase 1 mês agora! Vamos ter muita pipoca e carne.
- Você matou todos nosso cavalos? E a gente vai andar a pé agora?
- Sim. Pedronas é homem.
- E agora, Adão? O grandão fez uma merda cavalar! Hahaha...pegou? Cavalo, cavalar? Hein? Hein? Rá, sou foda!
- [Adam, furioso] Você é muito engraçado. O que será que falta acontecer agora?

Uma luz forte ilumina os heróis por trás. Ao encarar a luz misteriosa eles notam que há no centro dela um urso polar dourado, um animal raríssimo de ser visto. Em cima do urso havia uma pessoa ofuscada pela luz.

- [Pedronas, puxando a espada] PEDRONAS VAI MATAR ESSA LUZ, AHHHHHHHHHHH!!!
- [Vulto montando o urso] Não reconhece um velho amigo, bárbaro?

Pedronas reconhece a voz e desiste do ataque. A intensidade da luz diminui e todos vêem um elfo nu usando maquiagem feminina montado em cima do urso. Era Belanus.

- [Belanus] Senti a vibração de vocês e vim até aqui. Pelo visto vocês querem falar comigo.
- [Adam] Belanus! Quanto tempo, velho amigo! Estávamos indo para a Floresta Viscosa encontrá-lo. Venha me dar um abraço!
- SAIA DE PERTO DE MIM! Você está sujo e suado. Saia para lá!

Adam se afasta desconcertado. Belanus desce do urso e olha para o céu.

- [Belanus] Que horas são, hein?
- [Malakus] Deve ser umas 10:20 da matina.
- O QUÊ? AHHHHHHHHHHHHHHHH!!!! SOCORRO!!!!!

Belanus se esconde embaixo do urso e começa a vestir sua roupa rapidamente.

- [Belanus] Me desculpem, mas o sol depois das 10 horas estraga minha pele! Estava me bronzeando nu, mas perdi a hora! [Se beijando] Ai, minha bela pele!
- [Malakus, falando baixinho] Não acredito nisso...

Adam se aproxima e continua a conversa.

- Belanus, caro amigo, precisamos de sua valiosa ajuda! A filha do prefeito de Bokat foi raptada e receio que há pessoas poderosas por trás disso.
- Eu ajudo você, Adam. Mas vocês precisam melhorar esse visual. Sou o elfo MAIS BELO de toda a Terra Baixa. Não ando com gente tão...mal arrumada.
- E o que você deseja, amigo?
- Vamos na vila mais próxima para eu melhorar o visual de vocês. Ladrão, seu cabelo está horrível. E por que essa roupa preta num calor desses? Que falta de visão estética! Pedronas, sua sunguinha de couro está um nojo. Seu hálito também está terrível! E Adam...onde está a montaria de vocês?
- O Pedronas matou para comer.
- Hmmmm, que baixo nível! Então precisamos comprar outra montaria, não? Então sigam-me...mas mantenham a distância. Não quero gente feia queimando meu filme. Aliás, está na hora de passar meu creme hidratante e meu protetor labial. São ambos caríssimos e feitos com esperma de unicórnio. São artigos de luxo!

Todos observam Belanus se besuntar de creme hidratante. "Ainda vou passar a faca no gogó desse viado", pensa Malakus. Pedronas observa o urso polar dourado e lambe os lábios.

- [Pedronas] Hmmmmm...carne de urso é gostoso!


Continua...

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

CONTOS DEMENTES - Lendas da Terra Baixa




Episódio de hoje: A reunião

Versão brasileira: HIV estúdios


O guerreiro Adam tinha aceito uma missão: resgatar Sylvia, a filha do prefeito da pequena cidade de Bokat. A garota havia desaparecido durante uma passeio pelo bosque e ninguém ouvia notícias dela por mais de 5 meses. Adam, guerreiro famoso por suas incríveis habilidades, tinha poucas pistas sobre o paradeiro de Sylvia.

Para se engajar nessa difícil missão, ele decidiu reunir sua turma de bravos e destemidos companheiros. De imediato ele chamou Pedronas, o truculento e ignorante bárbaro com 1,98m de altura e 150kg de puro músculo. O bárbaro possuía uma técnica de luta tão brutal e violenta que o seu nome causava pânico pelos quatro cantos da Terra Baixa. Ele era a melhor escolha de Adam para os momentos de batalha.

Os dois aventureiros seguiam para Banguu, uma pequena cidade costeira ao leste de Bokat. Lá eles encontrariam Malakus, um ladrão amigo de Pedronas. Adam precisava das habilidades de uma ladrão para desarmar armadilhas e vasculhar rastros. O problema é que Adam e Pedronas estavam perdidos no meio da Floresta Cinzenta.

- Caro e nobre amigo Pedronas: você tem idéia de onde estamos? Vamos demorar para chegarmos em Banguu?
- Pedronas sabe caminho. Pedronas nunca erra.
- E quanto tempo iremos gastar até chegarmos em Banguu?

Pedronas se agacha, pega um pouco de terra e coloca na boca. Em seguida ele levanta o dedo para saber a direção do vento.

- Pedronas já sabe. Nós vamos gastar 3 dias até Banguu. Temos que ir naquela direção [aponta para a esquerda]!
- Nobre companheiro, seu senso de orientação é fantástico. É ótimo ter você ao meu lado!

Cinco semanas depois, os dois aventureiros chegam em Banguu. Ambos estavam famintos e cansados.

- Pedronas, você disse que a gente chegaria em 3 dias!
- Pedronas disse que Adam e Pedronas chegaria em 5 semanas.
- Nobre amigo, não me chame de mentiroso. Você falou que chegaríamos em 3 dias. Nós gastamos mais de um mês para chegar aqui!
- Viu? Pedronas nunca erra. Pedronas disse que era mais de uma mês.
- Tudo bem, tudo bem...

Os habitantes de Banguu, ao verem Pedronas, entravam em desespero. "É O PEDRONAS! FUJAM PARA AS MONTANHAS! AHHHHHHHHHH!!!!", gritavam os transeuntes, que fugiam em todas as direções. Pedronas via a cena sem entender nada.

- Adam, Pedronas é feio?
- Não, caro amigo.
- E por que as pessoas fogem quando vêem Pedronas?
- É porque você é...hã...um guerreiro muito forte. É isso.
- Ser forte é ruim?
- Às vezes.
- Por que?
- Oras, porque sim.
- Por que?
- Já respondi.
- Hmmm...(longa pausa)...mas por que?
- [Bufando] ...
- Tá. Pedronas não pergunta mais. Mas...Ei, veja ali. É o amigo de Pedronas!

Pedronas e Adam estavam na praça central de Banguu, onde havia um grande pátio que servia de estacionamento para cavalos. Malakus se encontrava no pátio tentando arranjar dinheiro de quem parava os cavalos por ali.

- [Malakus] Aí patrão do cavalo preto: teu cavalo ficou bem vigiado! Ah, tu não vai dar um trocado? Beleza, patrão! Da próxima eu vou arranhar teu cavalo inteiro! Fica ligado, maninho! Ou, o senhor aí do cavalo malhado! Pode vir de ré nessa vaga [balançando a flanela]!

Pedronas corre na direção de Malakus e dá um abraço forte em seu amigo. Malakus é levantado do chão e seus ossos eram estalados em alto e bom som.

- [Pedronas] Malakus! Malakus! Pedronas gosta de Malakus!
- Devagar, grandão! Você tá me sufocando! Calma aí, cara!!! AIIIIII!!!
- Malakus! Malakus! Amigo! Amigo!

Adam se aproxima e pede para Pedronas soltar Malakus. Malakus cai no chão e tenta respirar com dificuldade. Adam explica sua missão e fala da necessidade de um ladrão experiente no grupo.

- [Malakus] Aê, Adão, então tu quer um ladrão cheio de moral?
- Meu nome é ADAM. Sim, eu necessito de um ladrão experiente. Pago em dinheiro.
- Paga quanto?
- Duzentas moedas.
- E onde tá essa grana?
- Está aqui...EI! Meu saco de dinheiro sumiu!
- Que pena. Ele era vermelho?
- SIM!
- Como esse aqui?

Malakus mostra um saco de dinheiro vermelho. O laço tinha as iniciais do nome de Adam.

- [Adam] Esse é o meu saco de dinheiro! Como você conseguiu roubá-lo?? Eu não tirei os olhos dele!
- Você é lento na fita, tio. Toma teu saco de volta. E já tirei as minhas duzentas moedas., tá? Mas...e aí? Pra onde a gente vai agora? Onde deve estar essa mina de Bokat?
- Bem...Tenho algumas pistas. Mas antes de procurá-la, devo achar um amigo para se reunir ao grupo.
- Só.

Antes que Adam termine de falar, um homem encapuzado surge atrás deles.

- [Encapuzado] Você é Adam?
- Sim. E quem és tu?
- Você está procurando a filha do prefeito de Bokat junto com esse...[apontando para Pedronas]...esse retardado?
- Hã, sim. Qual é o seu nome?
- Eu sou Igor. Faço parte do clã dos Guerreiros Ciganos Suicidas. Entenda isso como uma aviso para você desistir de procurar Sylvia. MORRAAAA!!!

Igor retira uma adaga do bolso e corta o próprio pescoço. Ele cai no chão agonizando e espirrando sangue nas botas de Adam.

- [Malakus] CRUZES! Que porra foi essa?
- [Adam] Isso foi um ataque suicida. Quem sequestrou Sylvia queria me amedrontar com esse ataque. Mas esse cigano morreu em vão! SOU UM GUERREIRO QUE NUNCA SENTE MEDO OU HESITA DIANTE DO PERIGO!
- [Pedronas] Pedronas queria ter matado cigano, mas ele se morreu antes. Pedronas está nervoso.
- [Adam] Calma, nobre amigo! Você ainda terá chance de degolar muitos malfeitores durante nossa jornada.
- [Malakus] Tu fala bonito, hein Adão? Mas pra onde a gente vai agora?
- Meu nome é ADAM! E agora nós vamos para o norte. Quero achar um velho amigo. Ele é o poderoso mago Bel'Inio, que irá nos ajudar.

Malakus cutuca Pedronas.

- [Falando baixinho] Grandão, esse cara é quem eu tô pensando?
- [Cochichando] Não sei. Se Malakus pensa num feiticeiro fresco, tá pensando certo.
- Oh, não! Ele não!

Pedronas se vira para Adam, que caminhava em direção a uma taverna.

- Adam disse que não hesita com perigo. O que é "hesita"?
- Ah...no caminho eu explico.


Continua...

quinta-feira, 25 de junho de 2009

CONTOS DEMENTES - Wilson, o traficante de Cristo





Episódio de hoje: Toicinho Revolutions

Versão brasileira: Dublavídeo MS


Cacareco estava em cima do corpo de Wilson Cristo. Wilson estava com o rosto desfigurado depois de levar mais de 70 mordidas de Cacareco. Cacareco dava risadas com a boca ensanguentada e se arrastava pelo chão como uma lagartixa no cio. Rapidamente, dois capangas de Cacareco se aproximam:

- [Capanga] Tudo bem, Cacareco?
- HAHAHAHAHAHHAHA! Estou quase gozando na cueca! HAHAHAHAHAHA!!! Eu matei esse puto...EU MATEI O PUTO DO WILSON! HAHAHAHAH!!!
- Só...
- Só? SÓ??? A GENTE DOMINOU O MORRO, RAPÁ! WILSON FOI PRA VALA! A GENTE GANHOU ESSA PORRA! E VOCÊ AINDA TEM A CORAGEM DE FALAR APENAS "SÓ"? TÁ DOIDÃO?
- É modo de falar chefia! Desculpa aê, não foi a intenção!
- E cadê o resto do povo?
- Uma turma subiu o morro e tá matando geral. Os soldados do Wilson tão fugindo que nem uns frangos! Outra turma tá nas entradas do morro deixando ninguém subir. Tâmu passando o rodo!
- Bom! Muito bom! Agora pega a minha cadeira de roda pra eu ver esse espetáculo de camarote. Aliás, tenho idéia melhor: vou humilhar mais esse puto do Wilson!
- Mas ele já tá morto, chefia!
- Não pedi sua opinião, filho da puta! Abaixa as calças do Wilson, vai logo!

O capanga, acanhado, se aproxima do corpo de Wilson e retira suas calças.

- [Cacareco] Agora eu vou enrabar esse merda! Vou humilhar bonito esse babaca! Nem morto ele vai ter sossego comigo.

Cacareco abaixa as calças e se rasteja até ficar em cima do corpo de Wilson.

- [Cacareco] VIRAM? VIRAM? Tô enrabando ele! OLHEM! OLHEM!

"Caralho, de novo essa merda! O chefe devia se tratar" cochicha um capanga. "E aleijado fica de pau duro? Nem sabia" o outro.

- [Cacareco] Ei, o que vocês tão gemendo aí?
- [Capanga] Nada, nada...
- Eu ouvi! O que vocês tavam falando?
- Nada demais, chefia. A gente tava falando que... que tá quente pra caralho. Só isso!
- Sei. AHHHHHHHHHHHH!!! Ui, caralho, gozei! Agora é a vez de vocês.
- C-Como?
- É isso aí. Agora vocês comem o Wilson também. Aproveita que ele ainda tá quentinho.
- Senhor, a gente pode chamar outro cara pra fazer isso. É só...
- Eu quero vocês dois! ESTOU FALANDO COM VOCÊS, PORRA!
- M-mas...

Antes de terminar de responder, o capanga leva um tiro na nuca. O outro capanga se assusta e tenta correr, mas leva um tiro no meio das costas. Das sombras surge China, empurrando a cadeira de roda de Cacareco e segurando uma pistola. Sem uma orelha e com metade do rosto coberta de sangue, China deixa Cacareco em pânico.

- CHI-CHINA?? Caralho, eu te vi levando um pipoco e caindo duro!
- [Apontando a arma] Nunca!
- Mas peraí! Bora negociar! Te libero uma grana pra você me tirar daqui! Uma grana preta! N-não precisa me matar!
- NUNCA!
- E-eu...
- [Arregalando os olhos vermelhos] NUNCA!!!!!

China tira a camiseta ensopada de sangue, amarra na cabeça e se senta na cadeira de rodas de Cacareco. Em seguida ele pega embalo e desce a morro disparando para cima. "NUNCAAAAAAAAAAAA!!!", gritava China enquanto descia a ladeira em cima da cadeira de rodas.

De longe, Professor e Saddam observam tudo perplexos:

- [Professor] O China surtou!
- Mas ele nunca bateu bem da cabeça. Eu ainda tinha esperança que ele matasse o Cacareco. É...agora fudeu!
- E agora? O que a gente faz?
- Bora ficar quieto! O morro tá perdido. Já era! Bora se esconder em outro canto e esperar ficar de noite. Depois a gente some daqui.
- Tá.

Cacareco se arrasta pelo chão em direção ao palco de shows. Um capanga o avista:

- [Capanga] Precisa de ajuda aí, chefia?
- Claro! Eu quase rodei agora!!! Mas...vai lá e pega uma cadeira de roda pra mim. Tem uma na Kombi de maria-mole.
- Peraí.

Em 10 minutos o capanga volta com uma cadeira de rodas. Logo após Cacareco se sentar, o walki-talkie dos capangas começa a apitar. Um deles responde, mas a comunicação tinha muita interferência:

- Bigode Vermelho na escuta. Câmbio!
- Aqui é o Bigode Roxo...SHHHHHHH...tem um louco aqui na entrada do morro matando todo mundo em cima duma cadeira de roda! Ele é um negão...SHHHHHH...levou uns 20 tiros e não caiu! O cara...SHHHHHH...muito louco! Ele...SHHHHH...em cima de mim e a...AHHHHHHHHHHHHH!!!!
- Bigode Roxo? Alô, câmbio? Bigode Roxo??
- [Cacareco] É o China que matou eles. O maluco tá na entrada do morro matando nego nosso.
- Cacete! O que a gente vai fazer?
- Bora sumir o morro. Lá em cima eu penso nisso.

Ao subirem o morro, Cacareco vê alguns dos homens de Wilson atirando de dentro de um bar. O bar estava cercado pelos "Teletubbies" e mais uma dezena de soldados de Cacareco. O tiroteiro estava feio e não demorou muito para os homens de Wilson se renderem. Eles eram os últimos que ainda tentavam defender o morro. "Podem matar geral. Mas deixem aquele ali com a camisa do Vasco vivo", disse Cacareco. Os "Teletubbies" disparam nos homens de Wilson. Só sobra o infeliz com a camisa do Vasco. Cacareco se aproxima de um de seus capangas e aperta seu saco com toda a força.

- Sabe porque deixei aquele maluco ali vivo?
- AIIIIII...n-não sei!!! AIIIIIII!!!
- Olha pro pé dele, porra. O que ele tá calçando?
- AIIII...é ALL STAR! ALL STAR!!!
- Sabe o que acho de quem usa esse tênis, né?
- É VIADO!!! AIIII!!! É COISA DE VIADOOOO!!!
- Isso mermo.

Cacareco se aproxima do sobrevivente.

- Rapá, teus amigos tiveram a sorte de morrer. Você não.
- [Suando frio] É ma...
- CALA A BOCA! Por usar esse tênis de merda, você terá uma morte lenta e dolorosa. Já que a gente tá num bar, eu quero que você beba Campari até a morte. Achem uma garrafa aí!

Os homens de Cacareco reviram o balcão do bar e acham três garrafas de Campari.

- [Cacareco] Pode começar, rapá. Quero que você beba tudo até ir pro saco. Uma bebida de puta para um puto de All Star!

O rapaz bebeu uma garrafa inteira de Campari e se segurava para não vomitar. Em cima da laje do bar, Professor e Saddam observam tudo escondidos.

- Porra, Saddam, olha o lugar que você resolveu se esconder. A gente tá cercado! Tâmu fudido!
- Fala baixo! Acho que eles vão subir o morro, daí a gente sai daqui.
- É uma. Mas...ei, alguém tá subindo aqui na laje!
- Onde?
- Sei lá! Escuta o barulho! Fudeu!

Uma sombra cobre Saddam e Professor. Assustados eles olham para trás. Era China, vestindo apenas uma cueca e com uma camiseta amarrada na cabeça. Seu corpo tinha marcas de bala e sangue coagulado. Um filete de sangue escorria de seu nariz e do que sobrou de sua orelha esquerda.

- [Saddam] China! Caralho, você tá bem?
- Nun....ca....
- Hã?
- NHÉ!
- Porra, fala baixo ou escutam a gente aqui!

China tira puxa duas granadas que estavam escondidas em sua cueca. Ele puxa os pinos e fica olhando para o vazio.

- [Saddam] China, porra, joga logo essa granada longe! Tá doidão??
- Nhé.
- Cara, a gente vai explodir aqui, caralho!
- Bilú.
- [Professor] Velho, o miolo dele ferveu com tanto pó! Bora correr daqui!

Enquanto Professor e Saddam discutem, China escuta Cacareco falar "All Star" em alto e bom tom. Ele arregala os olhos e corre para o térreo. China avista Cacareco e salta em sua direção com as granadas nas mãos. O garoto que usava All Star pula para trás do balcão do bar. Os capangas de Cacareco não têm tempo de reagir.

- [China, voando em câmera lenta] ALL STAR!!!! ARRRRRGHHHHHHH!!!
- [Cacareco, em câmera lenta] Hein..?

As granadas explodem. Todos os homens de Cacareco morrem.

Professor e Saddam descem da laje e observam o massacre. Havia corpos para todos os lados. Ao passarem perto do balcão um garoto se levanta no meio dos escombros.

- [Professor] Boi? É você?
- É! P-pulei aqui quando o China entrou correndo!
- Caralho, eu ouvi toda a conversa lá de cima da laje. Pensei que você ia rodar! Teu tênis salvou tua vida, hein?
- Pois é, mano! Nem sabia que tanta gente odiava Au Istá.
- Mano, o China odiava. Ele tinha uns traumas com esse troço. Agora eu não sabia dessa raiva do Cacareco.

Saddam pega no ombro de Professor.

- É...acho que agora acabou.
- [Professor] Pois é.
- E para onde você vai agora?
- Acho que vou para o Mato Grosso morar com um primo no interior. O contato com a natureza vai me fazer bem. Os animais não têm maldade no coração. E você?
- Vou tentar mexer com alguma coisa mais leve. Tráfico de órgãos, filme pornô, agenciar traveco pra Europa, sei lá. Essa vida de tráfico me cansou.
- É, foi bom enquanto durou. Mas vou indo nessa. Vou pegar uma muda de roupa em casa e sumir daqui.
- É verdade. Boa sorte, mano! A gente se fala por i-meio!
- Só. Abraço mano véio!
- Se cuida!
- E Boi, o que você vai fazer?
- [Boi] Acho...acho que vou abrir um loja de Au Istá aqui no morro. Esse tênis salvou minha vida. Isso é um sinal de Jesus!
- Jesus?? Já cansei desse papo. Mas boa sorte aí.

Cada um vai para seu lado. Dentro do bar, o corpo de China, queimado e sem os braços, abre os olhos e se movimenta. "Nunca", gemia China, enquanto se arrastava para fora do bar.

O corpo de China nunca seria localizado.


FIM



terça-feira, 21 de abril de 2009

CONTOS DEMENTES - Adílson no suporte técnico




Adílson havia comprado um computador de segunda mão de um amigo. O cooler estava quebrado, no teclado faltavam algumas teclas, o mouse estava sem um botão, mas o computador até que funcionava bem. A única recomendação era que Adílson deixasse um ventilador ligado ao lado do gabinete para resfriar a máquina. "De boa. Só quero ver mulher pelada com essa merda", respondeu Adílson para o amigo.

Era uma noite de quinta-feira. Adílson havia assinado um serviço de internet mas, infelizmente, o bigodudo não conseguia conectar o computador na internet. Nervoso, Adílson ligou para o suporte técnico de sua provedora para tentar resolver o problema:

[Depois de aguardar 10 minutos ouvindo uma música irritante]

- Boa noite. Aqui é Mônica do suporte técnico. Com quem eu falo, por gentileza?
- Adílson. E que voz gostosa, hein? Nuossa! Dá uma gemidinha aê, vai...
- Como, senhor?
- Nada. Mas aí, eu não consigo contactar o computador na internet. Resolve essa porra!
- Senhor, eu gostaria de informar que nossa conversa está sendo gravada.
- Foda-se. Eu não tenho vergonha de ser gravado. Gravo até pornô. Aqui é fibra!
- Olha...eu acho que o senhor está sendo extremamente grosseiro. E sem necessidade, não?
- Sim, é grosso. Mas bora resolver essa parada.
- E qual é mesmo o seu problema?
- Eu não consigo entrar na internet. Estou aqui pra ver site de putaria, estou com o pau melado na mão e eu...
- [Sem graça] O senhor não precisa me informar o que você vai fazer na internet, OK? Isso não é problema meu! Qual é o seu sistema operacional?
- Sistema o que? Que porra é essa?
- O senhor usa Linux ou Windows?
- Eu uso computador de mesa, porra!
- [Respirando fundo] O que aparece escrito quando o senhor liga o seu computador?
- Não sei. Sempre faço outra coisa quando essa porra tá ligando.
- Então reinicie seu computador, por favor.
- Reiniciar?
- [Bufando] Faz o seguinte, por favor...

[A atendente gasta 15 minutos para explicar como se reinicia um computador. Adílson demora um bocado para descobrir onde fica o menu "iniciar"]

- [Adílson] Gata, apareceu aqui "Vindous XP" quando eu ligo.
- Tá. E qual é o modem do senhor?
- Isso aí é aquele aparelho que contacta o computa na internet?
- É.
- Tá, peraí. Vou olhar aqui.

[9 minutos se passam]

- [Atendente, de saco cheio] Senhor??
- O nome do modem é Modex.
- Telex?
- Não, Modex!
- Nunca ouvi falar dessa marca. Como se escreve esse nome?
- "M" de "modess", "O" de "otário", "D" de "duro", "E" de "estrupro" e "X" de "xoxota".
- Eu nunca ouvi falar dessa marca.
- É do Paraguai. E posso te falar uma coisa?
- Pois não?
- Tu tem aquele troço de MSN? Vou descolar uma câmera pra papear pelado com a mulherada. Adoro essas sacanagens. Sou um zumbi movido a buceta! UH!
- [Irritada] Será que o senhor poderia parar de falar obscenidades? Se o senhor continuar eu serei obrigada a cancelar a ligação!
- Ui, ui, frescona!
- Bom, eu ia perguntar se o senhor sabe configurar o modem, mas acho que vou perder o meu tempo.
- O que a dondoca quer dizer com isso? Tá me chamando de burro?
- [Irônica] Não, imagina! Eu nunca diria uma coisa dessas. Acho melhor marcarmos a visita de um técnico em sua casa. Vai ser mais rápido.
- TÁ ME CHAMANDO DE BURRO?
- Não. Em nenhum momento eu disse isso. Só acho que vou perder MUITO tempo para explicar como se configura esse modem. Olha só, o técnico tem horário vago apenas na semana que vem. O senhor prefere que ele vá na parte da manhã ou da tarde?
- Aqui em casa só entra em homem. Não quero essa porra de visita.
- Tudo bem. O senhor deseja mais alguma coisa?
- Nem.
- O senhor anotou o número de protocolo?
- Isso é coisa de viado.
- Então agradecemos a sua ligação e desejamos uma boa noite!
- Peraí! Eu quero mais uma coisa, sim.
- Pois não?
- Espera um pouquinho...

Adílson tira um pêlo do bigode e encosta no bocal do telefone. A atendente é atingida por uma forte descarga elétrica e desmaia na frente de seu computador. Todos os computadores do setor da atendente entram em curto e uma queda de energia ocorre logo em seguida. Até hoje ninguém soube explicar o que aconteceu.



Adílson Personal Computer

terça-feira, 7 de abril de 2009

CONTOS DEMENTES - Wilson, o traficante de Cristo



Episódio de hoje: Toicinho Armagedon

Versão brasileira: Gota Mágica


Saddam observava, à distância, a fila que se formava ao redor do palco de Wilson. Várias pessoas com deficiência física, e outras fingindo que tinham alguma deficiência, entravam na fila para fazer um pedido para Wilson. Professor aponta para uma das pessoas da fila.

- Saddam, tá vendo aquele velhinho barbudo na cadeira de roda? É ele, porra!
- Será?
- Cara, olha direito! É ELE!

Enquanto isso, algumas pessoas usando fantasias toscas dos Teletubbies distribuíam pipoca e maria-mole para a multidão. Saddam acha aquilo esquisito.

- [Saddam] O Wilson ia distribuir pipoca e doce pra galera?
- Não sei. Para mim era só o "milagre" do pão e leite.
- Tô ligado...

Wilson Cristo, que estava em cima do palco, chama a próxima pessoa da fila. Era um quarentão de muletas.

- Sim, filho, o que você deseja? Sou Wilson, faço qualquer milagre para o meu povo!
- Eu...eu quero comer uma semana no Maquidônaldi de grátis! Adoro aquele sanduba!
- Porra, pobre só pensa em comer! Mas tá, eu vou topar seu pedido. Só que vai ser uma semana de hamburger simples, sem batata nem refri. Próximo!
- Mas esse hamburger é sem graça demais!
- Mas é barato. Tô aqui pra sustentar vagabundo? Próximo!

Chega um velhinha de bengala. Ela não tinha qualquer dente na boca.

- Sim, querida, o que você deseja?
- Eu quero um micronda, senhor Cristo.
- Pra quê?
- Pra fazer pipoca. Pipoca de micronda é muito gostoso.
- Ah, vá tomar no cu, vovó! Vou dar um microonda só pra fazer pipoca? Porra, tu mal tem o que comer em casa e quer microonda? Vou te dar uma pipoqueira e se dê por feliz. Próximo!

Se aproxima um velhinho barbudo em uma cadeira de rodas. Ele usava boné e óculos escuros.

- E você, meu senhor? O que deseja de Wilson Cristo?
- [Murmurando] Uhmmm..maaaaaaqiummm...uhummmmm...
- Hã?
- [Murmurando] Uhmmm..maaaaaaqiummm...uhummmmm...chiummm..
- Será que o senhor pode falar mais alto? Não tô entendendo porra nenhuma!

O velhinho faz um sinal com a mão e pede para Wilson aproximar o rosto.

- [Wilson] Pode repetir?
- [Murmurando] Uhmmm..maaaaaaqiummm...uhummmmm
- Dá pra falar mais alto?

O velhinho faz um sinal com a mão para ele aproximar mais o rosto. Quando Wilson fica a centímetros de distância do rosto do velhinho, o senhor aperta o saco de Wilson com toda força.

- AIIIIIIIIIIIIIII!!!! QUE PORRA É ESSA? AIIIII!!!
- Agora tu vai rodar, safado!!!
- [Arregalando os olhos] CA-CARECO! M-MAS...SEU DESGRAÇADO!!!
- MORRA!!!!

Wilson puxa Cacareco para trás e os dois começam a rolar pelo palco. Cacareco dava mordidas no rosto de Wilson, que tentava se defender a todo custo. A multidão, estarrecida, não entendia o que acontecia no palco. "Eles estão se beijando lá em cima? Malditas bichonas!", indagava um morador do morro.

Em cima do palco, os traficantes viam Wilson rolar com Cacareco pelo palco sem saber o que fazer. China pega um fuzil e começa a gritar:

- [China] SEUS FILHOS DA PUTA! O CHEFE TÁ SE FUDENDO E VOCÊS FICAM AÍ OLHANDO? AQUELE ALEIJADO É O CACARECO! ACORDEM, PORRA!!!
- [Traficantes, em coro] Sim, senhor!

Os traficantes correm e separam Wilson e Cacareco. Assim que separam os dois, várias explosões são ouvidas no meio da multidão. As pessoas entram em pânico e começam a correr em todas as direções. Wilson, segurando o nariz que espirrava sangue, aperta Cacareco pelo pescoço:

- [Wilson] Seu desgraçado, o que você fez???
- [Cacareco, com a boca suja de sangue] Esse é teu fim, rapá! As explosões são uma amostra das minhas pipocas e maria-mole com explosivo plástico. Foi tudo detonado por controle remoto. Tô chique pra caralho!
- Seu...seu...vou matar você!
- Cai pra dentro. Tâmu só esquentando!

Os "Teletubbies" que distribuíam pipoca e maria-mole puxam várias pistolas e Uzis. Todos miram no palco e começam a atirar. A multidão grita de desespero. No palco, os traficantes atiram na direção dos "Teletubbies". Várias pessoas são atingidas no fogo cruzado. Wilson parte pra cima de Cacareco e começa a espancá-lo. O paralítico revidava dando mordidas no rosto e apertões no saco de Wilson.

De longe, Saddam observa tudo com Professor.

- [Professor] Não falei que era o Cacareco?
- [Se protegendo do tiroteiro] É. E a coisa tá ficando feia!
- O que a gente faz agora?
- Bora atirar também para disfarçar! ATIRA

Em cima do palco, China comia vários papelotes de cocaína e enfiava merla no nariz. Ele atirava em todas as direções.

- [China, atirando com os olhos arregalados] BICHO TÁ PEGANDO! BICHO TÁ PEGANDO!

Manel, um traficante que estava ao lado de China, olha pra ele com medo:

- China...O QUE VOCÊ TÁ FAZENDO?
-MANDANDO BALA, MANO! BICHO TÁ PEGANDO! BICHO TÁ PEGANDO!
- Mas você tá atirando nos nossos próprios homens, PORRA!!!

China se vira e atira em Manel.

- [China] NÃO ATRAPALHA! BICHO TÁ PEGANDO!
- [Manel, sangrando] Cof, cof...p-porra...

Enquanto China recarregava sua arma, um tiro o acerta na cabeça e seu corpo cai no chão. Os traficantes ao redor se assustam com a cena e se dispersam. Aproveitando a deixa, os "Teletubbies" avançam para dentro do morro e começam a disparar em todas as pessoas que passam...


Continua...

sábado, 14 de fevereiro de 2009

CONTOS DEMENTES - As aventuras de Adílson em Manaus (FINAL)




Era uma bela manhã de quinta-feira. Adílson já tinha assistido o DVD de "Stallone Cobra" 27 vezes e estava começando a ver pela 28ª vez. Berinaldo chega na sala com uma xícara de café na mão.

- Adílson, porra, tu não cansa desse filme?
- Isso é clássico, mano! Isso é muito do caralho! Eu quase choro com essas falas. O Stalione é FODA!
- Tá. E como foi lá na Dona Vilmara?
- Uma merda. Ela é uma macumbeira de merda.
- Por quê?
- A mulher não sabe de nada. Tudo que eu perguntava ela não sabia. E ela tem uma empregada que me confundiu com vendedor de tapete. Ainda afogo aquela velha no diesel!
- Se você não gostou, paciência. O engraçado é que eu ligo pra lá e ninguém atende. Nem no celular a Vilmara tá atendendo. Que estranho...
- A vida é estranha, mano. Mas e aquele puteiro? Quando rola?
- Ah, era isso que eu ia falar contigo: a puta que tu vai amar chega hoje. As duas que eu quero traçar também. Hoje é o dia!
- Demorô. Que horas a gente sai?
- Pelas 10 da noite. Tá bom pra você?
- Show! Não aguento mais bater punheta.
- Então fechou.

Pelas 10 da noite Adílson já estava pronto. Ele vestia uma camiseta com propaganda de posto de gasolina, uma calça jeans surrada e sapatos sociais pretos. Berinaldo resolveu não criticar a roupa do primo e seguiu calado para a garagem. Adílson já foi entrando na Kombi da prefeitura. Berinaldo fica nervoso.

- Porra, na Kombi da prefeitura? Cara, tu é sem noção! Não quero ser preso contigo! Vai na Kombi que eu vou no meu carro, fala sério!
- Mimimimi! Deixa de chorar, frescote. Entra nessa porra.

A contragosto, Berinaldo entra na Kombi. Adílson acelera e sai pela rua na contramão.

Trinta minutos depois eles chegam no puteiro. A fachada do puteiro era bonita, lembrava até uma boate da moda. Um flanelinha se aproxima da Kombi.

- Aê, doutor, a Kombi vai ficar bem vigiada!

Adílson pega a cabeça do flanelinha e bate ela com toda força no capô de um carro que estava estacionado ao lado. O flanelinha cai no chão desmaiado.

- [Berinaldo] Porra, pra que você fez isso??
- Estou com tesão. Tô tenso. E só homem vigia carro meu.
- Ai, ai...

Berinaldo e Adílson entram no puteiro. Berinaldo cumprimenta uma morena de mini-saia e chama ela para conversar em um canto. Adílson senta na mesa vazia mais próxima e chama o garçom.

- [Adílson] Ô pinguim, chega aí!

O garçom se aproxima e vai limpando a mesa.

- O que vai ser, chefe?
- Brasilberg. Traz logo a garrafa.
- Brasilberg? O que é isso?
- Você não sabe o que é Brasilberg? TU NÃO SABE O QUE É BRASILBERG, PORRA??
- É, não senhor! Me descul...
- [Batendo na mesa] Sai da minha frente, chupador de boto!

O garçom se afasta apressado. Logo em seguida chega Berinaldo acompanhado de uma baranga medonha.

- Adílson, essa é a Lucíola. Essa é a moça que eu te falei. É do jeito que você curte!

Lucíola era baixinha, gorda, tinha estrias negras nos seios e celulites por toda a perna. As pernas, por sinal, eram cobertas de longos pêlos oxigenados. Ela também tinha uma pequena e charmosa cicatriz cor de beterraba no queixo.

- [Berinaldo] Vou deixar você sozinho com ela. Vou ali que as minhas minas chegaram. Boa sorte, filhote!

Adílson pede para Lucíola se sentar e incia uma papo romântico.

- Tu é o meu tipo. Adoro celulite! Mas o que tu sabe fazer?
- Como assim?
- Na cama, porra! O que tu faz? Chupa? Engole? Libera o rabo?
- Faço tudo.
- Tudo o quê?
- Beijo na boca, dou o cu, chupo, engulo porra, lambo cu e faço fio-terra. Também gosto de dar tapa na cara e levar umas porradas.
- Só isso?
- Também gosto de falar putaria na orelha e arranhar as costas de quem me come. E arranhar com força!
- Só isso?
- Porra, tu queria mais o quê?!
- Isso é básico demais, filhota.
- Mas comigo é diferente. Eu faço de um jeito especial. Todo mundo q experimenta comigo acaba voltando.
- É?
- É!
- Tem quarto aqui nessa porra?
- Tem lá em cima.
- Bora nessa!

Adílson puxa Lucíola pelo pescoço e sobe as escadas. Antes de entrar no quarto, Adílson já estava sem camisa e desabotoando a calça.

- [Lucíola] Será que dava pra tirar a roupa no quarto?
- [Enfiando o dedo na bunda da moça] Aqui é raça!

Adílson entra no quarto e pula em cima de Lucíola para arrancar suas roupas. Ela empurra ele na cama e faz cara feia.

- CALMA! Comigo é diferente. Tem que rolar um clima gostoso.
- Clima?

Lucíola liga o toca-cd. O som de Kenny G invade o ambiente. A baranga acende um incenso, tira a roupa e fica apenas de calcinha.

- [Adílson] Que som de viado é esse aí?
- É música romântica. Diga que me ama!
- Ah, porra...bora fuder logo.
- CALMA! Cal-ma! Agora vou fazer uma massagem. É a "massagem manauara". Você vai ficar relaxado e cheio de tesão. Vai falando algo romântico, vai...
- Quero comer seu cu.

Lucíola finge que não escutou e pega um pote de óleo. Ela pede para Adílson ficar de costas e joga uma boa quantidade de óleo nas costas dele.

- [Adílson] Que porra é essa agora?
- Óleo de cupuaçu. Relaxa, gato. Você é muito nervoso.
- Dá pra fazer essa massagem com sua buceta?
- Não! Agora respira fundo...

Lucíola sobre em cima das costa de Adílson e se senta de joelhos. Com os dedos ela pressiona atrás das orelhas do brucutu, enquanto os joelhos pressionam sua coluna.

- [Adílson] Caralho, essa porra tá doendo!
- Re-la-xa. Você vai ficar calminho.
- Calminho no teu rabo! Essa porra tá machucando. SAI DE CIMA, CARALHO!
- Mas você é nervosinho, hein?

Lucíola se levanta nervosa e abre o armário. Ela tira uma garrafa de Campari lá de dentro e se aproxima de Adílson. Ela joga Campari nos peitos e faz uma cara sensual.

- Gato, lambe a bebida no meu corpo, vai!
- Campari é bebida de puta. Nem pagando eu encosto a boca nisso aí.
- Então me faz outra coisa pra me esquentar.
- O quê?
- Me beija...

Adílson dá um tabefe em Lucíola e a joga na cama.

- [Adílson] Essa é a "massagem pernambucana". Curtiu?
- ...

Adílson pega o toca-cd e o joga contra a parede. O aparelho espatifa em vários pedaços.

- [Adílson] O único som que você vai ouvir é o couro da minha pica fazendo música.

Adílson pula na cama e rasga a calcinha de Lucíola com os dentes. Em seguida ele parte logo para a penetração. Vaginal, anal e tabefe. Anal, tabefe e vaginal. Anal, anal e tabefe. Tabefe, tabefe e tabefe. Anal e vaginal.

- [Lucíola] Ai, chega! CHEGA! NÃO AGUENTO MAIS LEVAR TAPA NA CARA!!! E MEU CU TÁ DOENDO!!!
- Já pediu arrego? Você não curtia tapa na cara, frescona?
- Frescona? Caralho, tem quase duas horas que você me come e não goza! E você só me dá porrada! CHEGA!!! AIII!!!!

Adílson se levanta e veste a roupa.

- [Adílson] Teu dinheiro tá naquela mesinha de canto. Só vou dar a metade. Inté.
- [Sem graça] Mas...

Adílson sai do puteiro pisando duro e se dirige para o Kombi. Ele sai do local cantando pneu e volta para casa de Berinaldo.

Na manhã seguinte, Berinaldo chega em casa cansado e nervoso. A porta estava arrombada, para variar. "Adílson! Adílson!", gritava Berinaldo. "Quié, caralho?", gritou Adílson do banheiro. Berinaldo se dirige para o banheiro, que estava trancado.

- PORRA, ADÍLSON! Por que você me deixou sozinho no puteiro?
- Aquela puta me encheu os bagos. Vazei de lá.
- E custava me avisar que você tava indo embora? Porra, tive que voltar de táxi!
- É a vida.

Adílson sai do banheiro segurando uma bolinha de papel higiênico. Berinaldo olha para seu primo e fica surpreso.

- Adílson, cadê teu bigode??
- Raspei.
- Nunca te vi sem bigode. O que deu em você pra você fazer isso?
- Enchi dessa cidade! Quero sair daqui e esquecer dessa merda toda. Vou deixar uma lembrança pra essa porra de lugar. Tô indo nessa.
- Você reclama demais, primo. O que tem nessa bola de papel?
- Meu bigode! Macumbeiras de merda, putas de merda, táxis de merda...tô vazando.
- Vai devolver a Kombi da prefeitura?
- Não. A gente se fala. Falous...e fibra nessa porra!

Adílson bota sua velha mochila jeans no ombro e entra na Kombi da prefeitura. Ao se dirigir para o aeroporto, joga a bolinha de papel higiênico (com seu bigode raspado dentro) no rio Amazonas. Ele larga a Kombi em um estacionamento e corre para pegar seu vôo.

No dia seguinte, a água do rio Amazonas começa a borbulhar. Na sequência, ondas de 15 metros vindas do rio castigam Manaus e cidades ribeirinhas. Em 20 minutos Manaus já estava alagada por um tsunami amazônico. Peixes pulavam da água semi-cozidos e corpos boiavam por toda parte. Cientistas de todo mundo tentavam entender esse misterioso fenômeno.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

CONTOS DEMENTES - As aventuras de Adílson em Manaus (parte 3)



Já eram 18:40. Adílson chega na casa de Berinaldo dirigindo a Kombi da prefeitura e, logo atrás dele, um caminhão guincho carregava o Ômega vinho de Berinaldo. Adílson vestia um terno caro e estava com as mãos esfoladas. Berinaldo sai de casa e se espanta com a cena.

- Já chegou?
- É. Taí a porra do seu carro.
- Tá. Mas...onde você achou esse terno? Você não saiu daqui pelado?
- Não interessa.

O motorista do caminhão guincho se aproxima de Adílson.

- E o pagamento, chefe?
- Depois gente acerta. Tu tá me devendo aquela parada. Se vacilar, o pau come.
- [Arregalando os olhos] Tá beleza...

O motorista entra no caminhão e vai embora. Berinaldo continua a conversa:

- Adílson, você vai mesmo continuar dirigindo essa Kombi? É da prefeitura, porra!
- Vô. É grande, cabe muita gente e sempre sonhei em ter uma Kombi. Sonho de menino. Só faltou ser movida a diesel. Adoro diesel!
- E que rolo você fez com o motorista do caminhão?
- Não interessa.

Berinaldo se aproxima do Ômega e verifica se o carro está em boas condições. Aparentemente o carro estava inteiro, mas ele viu algo estranho no banco traseiro.

- Adílson...bicho, o que esse tapete enrolado tá fazendo no meu banco traseiro?
- [Tirando o tapete e levando para a Kombi] Não interessa.
- Tá nervosinho, é?
- Não, tô calmo. Mas aí, teu carro tá inteirão. Agora vê se não me enche o saco até o fim da semana! Aproveita e me passa o endereço daquela macumbeira que você vai. Quero bater um lero com ela.
- Você vai agora?
- É.
- Tem que marcar antes.
- Quem marca visita é mulher em cabelereiro. Sou homem. Passa o endereço dessa porra.
- Caralho...Me passa um papel. Você não vai decorar de cabeça.
- [Pegando papel e caneta na Kombi] Taí.
- [Anotando o endereço] E o que você vai fazer na Dona Vilmara?
- [Olhar furioso] ...
- Tá, "não interessa". Tá bom...
- Tô indo. Fica na miúda.

Adílson entra na Kombi e acelera pela rua cantando pneu.

Três horas mais tarde Adílson chega no terreiro de Dona Vilmara. Era uma casa simples, localizada num bairro pobre. Adílson estava nervoso, pois o endereço era complicado de achar e ele demorou um bocado para chegar até ali. Com o tapete enrolado nos ombros, Adílson entra na casa abrindo a porta com um chute. Ele dá de cara com uma pequena sala de estar, onde várias pessoas aguardavam para serem atendidas por Dona Vilmara.

- [Adílson] AQUI É A CASA DA DONA VALMEIRE?

As pessoas, assustadas, ficam em silêncio. Um senhora de idade bem magrela se aproxima.

- Por favor, fale baixo! Isso aqui é uma casa de santo e a Dona Vilmara está atendendo uma pessoa. Será que você pode esperar? E ninguém aqui quer comprar tapete!
- Não tô vendendo, porra. Onde ela atende?
- Naquela salinha ali. Agora se o senhor puder esperar a gente agradece.
- Diz que é urgente. Fala que sou primo do Berinaldo.

Adílson se senta em uma cadeira de plástico e larga o tapete no chão. As pessoas olhavam pra ele sem entender nada. Duas pessoas ficam com medo e vão embora.

Uns 50 minutos se passam. A senhora magrela chama Adílson para falar com Dona Vilmara. Adílson se levanta e bota o tapete no ombro.

- [Senhora magrela] Olha, a Vilmara disse que vai te atender porque você falou que era urgente. Ela só atende com hora marcada e...
- Me chupa. E vendedor de tapete é o puto do teu pai!

A senhora magrela emudece. Adílson entra na salinha de Dona Vilmara e larga o tapete no chão.

- E aí, Dona Valneide?
- Meu nome é VILMARA. Dona Vilmara.
- Ah, tudo nome de puta! Mas bora ao que interessa.
- QUEM VOCÊ PENSA QUE É? VOCÊ SABE QUEM EU SOU?
- Desce do salto, madame! Peraí...

Adílson se agacha e desenrola o tapete. Ao desenrolá-lo aparece o corpo de uma garota semi-nua com o pescoço quebrado. A garota estava toda roxa.

- Valdira, tive um problema com essa moça ontem. Ela apareceu na minha casa de repente e me assustou. Dei um tapa e ela desmaiou. Mocinha fraca, né?
- [Olho arregalado] Meu filho, essa moça tá morta!
- Que mané morta! Ela só desmaiou. Olha só.

Adílson tira um pêlo do bigode e joga no corpo da garota. Ela treme por uns instantes, começa a babar e depois fica imóvel novamente.

- [Vilmara] O QUE VOCÊ FEZ?!
- Joga o búzio que você vai descobrir. Meu bigode é iluminado.
- [ Jogando os búzios] NÃO É POSSÍVEL! EU NUNCA VI ISSO! EM UM BIGODE?!?
- É. Mas meu bigode não tem força pra acordar a menina. Faz aí qualquer coisa que eu te pago.
- [Olhando para os búzios] Meu filho, v-você...você é uma força ruim!!! Você nem devia pisar no meu terreiro! E...VOCÊ MATOU ESSA MENINA! O QUE VOCÊ QUER QUE EU FAÇA?
- Sei lá, porra! Deixa de drama e chama uma entidade aê pra levantar a menina. Ela só precisa de um empurrão e tá zerada! Chama qualquer uma.
- Você tá louco?
- Vai fazer ou não vai?
- NÃO TEM COMO! ELA TÁ MORTA! NENHUMA ENTIDADE VAI LEVANTAR UM DEFUNTO!
- Saco. Tá, eu resolvo sozinho isso aqui.
- Vou ligar pra polícia!
- Nem tenta. Mas aí, antes de eu vazar, me faz outro favor.

Adílson tira um volante da loteria e uma caneta.

- Joga os búzios aí e me diz quais números vão cair na Loto. Se eu ganhar eu racho o prêmio contigo.
- Meu filho, você tá me gozando? Não é assim que funciona o búzio! Você tá desrespeitando uma casa de santo, sabia? Nem o caboclo do seu bigode vai te proteger dessa sua grosseria! SAIA DAQUI!
- Porra, mas que casa de santo mais chulé. Tomá no cu...
- SAIA JÁ DAQUI OU EU CHAMO A POLÍCIA!
- Vai chamar porra nenhuma.

Adílson tira um pêlo branco do bigode, dá uma lambida e o joga em cima dos búzios. Os santinhos que estavam em volta começam a pegar fogo. Os búzios saltam fora da mesa como pipoca. A água que estava em um copo começa a ferver. As paredes racham. Adílson enrola a garota no tapete e o coloca nos ombros.

- Dona Valdirene, agora você conversa com ele. Se vira aí. Inté.
- [Com as mãos na cabeça] MEU DEUS! MEU DEUS!!!

Adílson sai calmamente da salinha. A senhora magrela o segura pelo braço.

- O que aconteceu lá dentro? Eu ouvi a Dona Vilmara gritar!
- Aconteceu nada. Olha, eu tô achando esse tapete da sala meio detonado. Quer esse de presente?
- Bom, é...
- [Soltando o tapete no chão] Toma aí! É de vocês. Espera pra desenrolar amanhã. Falou.

Adílson bota a mão no bolso e tira seus cartões xerocados. Ele sai distribuindo para os presentes.

- Rapeize, vendo Maguila Grill e instalo em casa! Também arrumo parte elétrica, lavo sofá e mais um monte de coisa. Guardem meu cartão. Qualquer coisa é só me ligar.

Adílson sai do terreiro e entra na Kombi da prefeitura. De longe dava para ouvir os gritos de Dona Vilmara. Várias pessoas saíam desesperadas do terreiro e corriam pela rua gritando. Adílson liga a Kombi e acelera pela pista.

Continua...

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

CONTOS DEMENTES - As aventuras de Adílson em Manaus (parte 2)



Adílson chega na casa de seu primo com os olhos vermelhos. Parecia emocionado.

- [Adílson] Cara, olha só o que eu achei vendendo ali na venda da esquina.
- O que foi?

Adílson mostra um DVD de "Stallone Cobra".

- [Adílson] Berinaldo, esse é o filme da minha vida, PORRA! Eu lembro que vi esse filme no cinema umas 15 vezes. Chupei vários peitinhos vendo esse filme. Porra, bons tempos aqueles!
- Você tem certeza que acha esse filme essa coisa toda?
- CLARO! Isso é aqui é o melhor filme do Stalione! Tinha que ganhar um Grêmy! É de emocionar qualquer um! Bota logo aí pra gente ver.
- A gente? Não quero ver essa merda.
- Vai ver sim! Se tu não gostou é porque você não entendeu o filme. Tu não sabe o que é cinema! Bota aê!
- Não entendi essa merda? Tá bom...

Berinaldo, entediado, assiste o filme junto com Adílson. No fim, Adílson estava quase chorando.

- [Adílson] Cara, esse filme é foda! FODA! Isso que é filme de homem!
- [Entediado] Tá legal. Mas aí, vou dar uma saída com uma galera minha. Quer ir junto?
- E aquele puteiro novo que você ia me levar?
- Fica pra semana que vem. As novatas chegam só na próxima semana e tem uma que você vai amar. Mas tu quer sair com minha galera?
- Tem mulher no meio?
- Não. Mas a gente vai descolar um forró pra ir. Quer ir?
- Só homem no carro? Isso é coisa de viado. Vou sair sozinho. Me libera teu carro aí.
- Promete que não vai beber dessa vez?
- Não prometo nada. Mas se eu fizer merda, eu pago o estrago. Aqui ó, estou cheio de dinheiro [mostra R$200,00 na carteira].
- Hum, 200 paus na carteira? O que você anda fazendo?
- Vendendo Maguilla Grill e lavando sofá. Vou ficar rico com isso, rapá! Esse grill tá vendendo mais que porra de cavalo! Aliás, pega uns cartão meu aqui e distribui pros teus amigos. Vai ver alguém quer um.
- Tá. Bom, vou me arrumar.

Berinaldo demora 15 minutos para tomar banho e se vestir. Quando ele chega na sala, Adílson também está pronto para sair. Adílson usa uma camiseta regata surrada, uma calça de skatista largona (cheia de zíperes e bolsos) e sapatos sociais pretos com meias brancas. Berinaldo vê aquela roupa e coça a cabeça.

- [Berinaldo] Bicho, tu vai sair mesmo com essa roupa?
- Vô. Por quê?
- Pô, tá meio nada a ver, né?

Adílson pula no pescoço no primo e dá uma gravata.

- [Adílson] COMO ASSIM NADA A VER? TÁ ME CHAMANDO DE VIADO?
- [Se engasgando] N-não! A roupa tá é feia pra caralho! Parece roupa de pião! SÓ ISSO!
- [Soltando a gravata] Pião? É, menos mal. Mas aí, me passa logo a chave do teu carro.
- Ai...tá ali na sala.

Adílson pega a chave e entra no Ômega vinho 96 de Berinaldo. Ele arranca com o carro e quase atropela um grupo de moleques que brincava na rua. Uns vinte minutos depois, Berinaldo sai com seus amigos e parte para um forró próximo.

São 6:15 da manhã.

Berinaldo chega em casa cansado da farra. Para seu espanto, o portão da garagem estava arrebentado. Na garagem ele via uma Kombi branca com o escrito "Prefeitura de Manaus" na lateral. Havia um cone de trânsito preso embaixo do veículo. "Mas que caralho é esse?", pensa Berinaldo. Chegando na porta de casa, a fechadura estava arrombada. "Merda, foi aquele imbecil do Adílson!", pensa Berinaldo furioso. Ao entrar em casa, ele vê as roupas de Adílson espalhadas pela sala e uma calcinha com o fundo amarelado em cima da TV. Antes de esboçar qualquer reação, Berinaldo escuta gritos vindos do seu quarto. "QUEM É VOCÊ? QUEM É VOCÊ? QUEM É VOCÊ?". Berinaldo corre para seu quarto como um raio. Ao chegar lá ele vê Adílson pelado, mas com os sapatos pretos calçados. Adílson estava com os olhos vermelhos, alguns cortes pelo rosto e as mãos esfoladas. Ele dava várias joelhadas na buceta de uma garota semi-nua.

- [Adílson, olhando para a garota] QUEM É VOCÊ? QUEM É VOCÊ?
- [Garota] VOCÊ QUE ME TROUXE AQUI, PORRA!! AI! AIIIIIII!!!!
- [Berinaldo] Adílson, que porra é essa? LARGA A GAROTA AÍ!
- [Adílson, dando joelhadas na garota] QUEM É VOCÊ? QUEM É VOCÊ?
- [Garota] CARALHO, VOCÊ BEBEU 3 GARRAFAS DAQUELA MERDA DE BEBIBA E ME TROUXE PRA CÁ! SE NÃO TIVESSE BEBIDO VOCÊ LEMBRAVA, VIADO!!! AIIIII!!!
- BEBIDA DE MERDA? BRASILBERG É BEBIDA DE MERDA???

Adílson pega a cabeça da garota e gira ela toda para trás. Ouve-se um estalo forte e a garota cai no chão revirando os olhos. Berinaldo entra em pânico.

- MERMÃO, O QUE VOCÊ FEZ??
- Ela falou mal da bebida sagrada. Dei uma corretiva nessa puta.
- MEU DEUS!!! MEU DEUS!!!
- É fibra!

São 9:20 da manhã. Berinaldo e Adílson estão sentados na sala. Adílson continuava pelado e com os sapatos calçados. A garota, desfalecida, estava encostada na mesinha de centro. Sua calcinha de fundo amarelado cobria seus seios.

- [Berinaldo, respirando fundo] Bom...bora devagar: cadê o meu carro?
- Que carro?
- Meu Ômega, porra!
- Sei lá. Fica com o Kombão aê. Cabe mais gente.
- Você acha que eu vou sair por aí com a Kombi da prefeitura? Tá maluco? E para onde você saiu?
- Sei lá. Fui andando por aí. Acho que parei num buteco na Compensa.
- Puta que pariu! E como é que você trocou meu carro por essa Kombi? E como essa menina veio parar aqui?
- Sei lá. Bebi um pouquinho de Brasilberg no buteco e de repente eu já acordei aqui com essa piranha chupando minhas bolas. Não me lembro como ela apareceu aqui e desci o braço. Mas, porra, como tu reclama com besteira!
- RECLAMO COM BESTEIRA? Você matou essa mina!
- Ela não morreu. Ela tá de boa.
- Ela tá ficando roxa!
- Impressão tua.
- Cara, tu matou essa mina!!!
- Cala a boca, fresco. Ela só desmaiou. Mas deixa eu arrumar essa budega.

Adílson se levanta e bota a garota nos ombros. O pescoço da menina balança para a direita e se ouve um estalo parecido com um galho quebrando. Adílson entra na Kombi e joga a garota no banco traseiro.

- [Berinaldo] Você vai sair pelado?
- Na raça. Vou trazer de volta aquela merda do seu carro. Tu parece uma moça reclamando...
- E o que você vai fazer com essa mulher?
- Não interessa. Volto antes do almoço. Fibra nessa porra!

Adílson arranca de ré com a Kombi da prefeitura e segue na rua pela contramão.


Continua...


*BÔNUS: Cena clássica de "Stallone Cobra" (dublado). Uma verdadeira obra-prima da sétima arte:



Se quiser ver o filme completo, clique aqui.